A Polícia Federal deflagrou uma operação de busca e apreensão em Belém, no Pará, direcionada a endereços ligados ao deputado federal Antonio Doido (MDB-PA), candidato à reeleição. A ofensiva, autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), investiga suspeitas de crimes eleitorais na reta final da campanha para o pleito de 2026.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes federais encontraram quantias expressivas de dinheiro vivo e adotaram medidas para preservar provas materiais. Uma pessoa acabou presa em flagrante no local sob a acusação direta de corrupção eleitoral, enquanto as diligências avançavam por diferentes pontos da capital paraense.
Apreensão de dinheiro vivo
Nas buscas realizadas pelos policiais federais, foram confiscados aparelhos eletrônicos, diversos documentos, três veículos e uma quantia total de R$ 87.475,00 em espécie. Parte desse montante estava cuidadosamente acondicionada em envelopes que traziam identificações nominais.
Além dos nomes nos invólucros, os investigadores localizaram relações detalhadas contendo registros de assinaturas de recebimento, o que chamou a atenção das equipes de fiscalização eleitoral. O material recolhido passará por exames periciais rigorosos para determinar a origem dos recursos e o destino final do dinheiro.
As autoridades buscam estabelecer se os valores apreendidos guardam relação direta com a compra de votos ou com o financiamento ilegal de campanha na região. A investigação prossegue para identificar todos os envolvidos no esquema de distribuição de recursos em espécie.
Celular encontrado no esgoto
Em um dos imóveis vistoriados pelas equipes da Polícia Federal, um aparelho celular foi localizado de forma inusitada dentro do sistema de esgoto. O dispositivo estava nas proximidades de duas sacolas que continham maços de dinheiro vivo.
A tentativa de descarte de provas gerou nova frente de apuração sobre a conduta dos suspeitos no endereço. Os peritos técnicos conseguiram resgatar o equipamento para tentar recuperar dados que possam esclarecer a rede de contatos e as ordens repassadas durante o período eleitoral.
Historicamente, o parlamentar já havia enfrentado situação semelhante em investigações anteriores da corporação. No final do ano passado, durante outra operação da Polícia Federal por suspeita de desvios de recursos públicos e emendas parlamentares, o deputado também teria tentado se desfazer de um telefone celular ao arremessá-lo pela janela.
Investigadores apuram crimes eleitorais
A ofensiva do TRE-PA ocorre em um momento sensível do calendário político, marcado pela intensificação das fiscalizações contra abusos de poder econômico e corrupção. A Justiça Eleitoral tem atuado de forma rigorosa para coibir práticas ilícitas que possam desequilibrar a disputa nas urnas.
O inquérito policial instaurado visa reunir elementos probatórios robustos para embasar as próximas etapas processuais. A prisão em flagrante realizada durante a operação reforça os indícios colhidos pelos investigadores na fase preliminar do caso.
Os materiais apreendidos, incluindo os veículos e os documentos recolhidos nos endereços vinculados ao candidato, continuam sob análise das equipes técnicas da corporação. Novas diligências podem ser solicitadas à medida que a análise do conteúdo digital e financeiro avance.
Polícia detalha operações anteriores
O parlamentar já figurava em investigações conduzidas pelos órgãos de persecução penal em períodos anteriores. As apurações passadas envolviam suspeitas relativas à gestão de recursos públicos e ao uso de verbas de emendas parlamentares, ampliando o escrutínio sobre as atividades do político.
A reincidência em episódios de tentativa de ocultação de aparelhos eletrônicos durante diligências policiais passa a ser avaliada pelos investigadores como um padrão de comportamento diante de medidas de busca e apreensão. A defesa do deputado Antonio Doido não havia retornado aos contatos da imprensa para apresentar esclarecimentos até o fechamento desta reportagem.
Com o avanço das investigações eleitorais, o caso segue sob sigilo parcial para garantir a eficácia das diligências em curso. O Tribunal Regional Eleitoral e a Polícia Federal mantêm o monitoramento das atividades de campanha no estado do Pará para assegurar a lisura do pleito.


