Um ataque russo com drones atingiu a Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, situada no centro de Kiev, resultando em pelo menos uma morte e 19 feridos nesta segunda-feira (28). O bombardeio ocorreu no período diurno e provocou danos consideráveis ao prédio histórico da instituição, além de atingir uma empresa farmacêutica, postos de gasolina e uma instalação médica na capital ucraniana.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que das 19 pessoas feridas durante a ofensiva, seis precisaron ser internadas em hospitais da região. Sirenes de alerta antiaéreo ecoaram pelas ruas centrais enquanto equipes de bombeiros combatiam um incêndio de grandes proporções e buscavam possíveis vítimas entre os escombros acumulados no pátio do complexo científico.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, utilizou o aplicativo Telegram para divulgar imagens que revelam as chamas consumindo o edifício histórico. O mandatário ucraniano cobrou uma postura mais firme dos aliados internacionais diante da escalada dos bombardeios contra áreas urbanas e alvos civis no país.
Reações do governo ucraniano
O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, classificou a investida de Moscou como um ato de extremo cinismo por atingir diretamente uma instituição dedicada ao desenvolvimento científico em horário de expediente. Autoridades locais reforçaram que a ofensiva demonstra o desrespeito contínuo pelas normas internacionais de proteção a civis e locais de trabalho.
A Rússia está expandindo deliberadamente os limites do que acredita que o mundo tolerará.”
Andrii Sybiha
As declarações oficiais sublinham a urgência de novas medidas de apoio militar e logístico por parte dos parceiros ocidentais. A diplomacia de Kiev tem reiterado que a ausência de respostas enérgicas encoraja novos ataques contra cidades densamente povoadas.
A ofensiva desta segunda-feira integrou uma onda maisampla de investidas que atingiram diferentes regiões do território ucraniano ao longo do dia, elevando a tensão nas principais capitais e centros urbanos.
Nova tática com drones
Nas últimas semanas, as forças russas intensificaram o emprego de drones a jato mais rápidos e capazes de operar em altitudes elevadas para burlar os sistemas de defesa antiaérea. O presidente Volodymyr Zelensky reconheceu recentemente que a taxa de interceptação desses novos engenhos tem ficado abaixo da metade dos alvos detectados.
Essa mudança tecnológica dificulta o trabalho das baterias antiaéreas e expõe centros urbanos a danos severos, mesmo quando os projéteis são parcialmente abatidos antes de atingirem o solo. Especialistas em defesa apontam que Moscou busca esgotar os arsenais de mísseis interceptadores da Ucrânia com essa estratégia.
A Ucrânia, por sua vez, tem respondido com ataques de longo alcance contra refinarias de petróleo e instalações industriais russas localizadas além da fronteira, tentando enfraquecer a base logística do esforço de guerra inimigo.
Ataques em outras regiões
Além da capital, outras localidades registraram baixas expressivas decorrentes de bombardeios recentes no país. Na cidade de Dnipro, situada no sudeste ucraniano, um ataque com drones atingiu um centro comercial e deixou três mortos, segundo autoridades locais.
Outro registro fatal ocorreu em um escritório de logística na cidade de Synelnykove, a sudeste de Dnipro, onde mais uma pessoa perdeu a vida em decorrência do impacto, conforme confirmou o governador regional Oleksandr Hanzha.
A expansão dos alvos para centros de dados, infraestruturas de telecomunicações e redes comerciais evidencia uma guinada tática nas operações aéreas recentes, ampliando o sofrimento da população civil em várias frentes simultaneamente.
Apelo por apoio internacional
Diante do agravamento da situação humanitária e do aumento no número de vítimas fatais, o governo ucraniano reforçou os pedidos por suprimentos avançados de defesa aérea junto à comunidade internacional. A prioridade de Kiev é fechar o espaço aéreo contra os novos modelos de drones.
Todos os parceiros da Ucrânia devem perceber, a partir desse terror e desses ataques, que apoiar a Ucrânia significa apoiar verdadeiramente a vida das pessoas.”
Volodymyr Zelensky
Os aliados ocidentais avaliam novos pacotes de assistência, mas enfrentam impasses logísticos e políticos para entregar os equipamentos no ritmo exigido pelo comando militar ucraniano no campo de batalha.
Enquanto o conflito se estende sem perspectivas imediatas de cessar-fogo, civis continuam arcando com o custo mais alto da escalada de hostilidades em zonas urbanas distantes da linha de frente tradicional.


