Morte de tenente da Marinha em alojamento gera investigação em SP

Corpo foi levado a hospital antes da perícia oficial e autoridades apuram a preservação da cena

Da
Redação
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O Centro Tecnológico da Marinha está localizado na Cidade Universitária da USP, na zona oeste de São Paulo.Reprodução/Redes Sociais
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A segundo-tenente e engenheira mecânica Beatriz Fickert Santoro, de 33 anos, foi encontrada sem vida no final de setembro dentro de seu alojamento no Centro Tecnológico da Marinha, situado na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista. A ocorrência mobilizou autoridades militares e civis após o corpo ser retirado do local e levado a uma unidade de saúde antes da realização dos exames periciais obrigatórios.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado sobre o caso, a militar foi transportada ao Hospital Universitário da USP por uma capitã de corveta que atuava como médica da corporação. No entanto, a equipe de plantão do hospital recusou-se a assinar a declaração de óbito por constatar que a oficial já deu entrada na unidade sem sinais vitais e com indícios de que o falecimento havia ocorrido horas antes.

Diante da recusa do estabelecimento de saúde em atestar o óbito naquelas condições, a Polícia Militar foi acionada por volta das 21h da data do fato. Os agentes de segurança relataram que não tiveram acesso imediato ao quarto onde a vítima estava hospedada, situação que motivou questionamentos sobre a preservação da cena e a eventual necessidade de apurar possível fraude processual decorrente da remoção prévia do corpo.

Investigação apura morte suspeita

O caso foi formalmente catalogado pelo 7º Distrito Policial da Lapa como morte suspeita para viabilizar os trâmites iniciais e a remoção oficial do corpo. Posteriormente, a Secretaria de Segurança Pública informou que a condução das apurações passou a ser compartilhada entre a Polícia Federal e a própria Marinha do Brasil, que buscam esclarecer os fatores que antecederam o óbito e a dinâmica da retirada do alojamento.

As autoridades aguardam os laudos definitivos emitidos pelo Instituto Médico Legal e os exames toxicológicos para determinar com precisão a causa da morte da engenheira. A remoção precipitada sem a presença inicial de peritos criminais oficiais permanece como um dos pontos centrais sob análise para verificar se houve alteração indevida do ambiente interno do Centro Tecnológico.

A Marinha do Brasil confirmou oficialmente o óbito por meio de nota emitida à imprensa e destacou que tem oferecido suporte contínuo aos familiares da oficial. O auxílio prestado pela instituição abrange atendimento social, psicológico e religioso aos parentes enlutados durante o processo de investigação.

Trajetória da militar

Beatriz Fickert Santoro ingressou formalmente na corporação militar após concluir sua formação de oficiais em agosto de 2024, passando a integrar o quadro efetivo em dezembro do mesmo ano. Antes de seguir carreira nas Forças Armadas, ela acumulou experiência profissional no setor privado, atuando em áreas voltadas para vendas e no desenvolvimento de projetos de engenharia no segmento de energia.

As causas e circunstâncias da morte estão sendo apuradas pela Marinha e pelas autoridades periciais competentes.”

Marinha do Brasil

No âmbito pessoal, a oficial era casada com o bombeiro civil Gadu Figueiredo, de 30 anos, com quem havia oficializado a união em março do mesmo ano. Amigos e familiares utilizaram as redes sociais para prestar homenagens públicas e expressar pesar pela perda repentina da engenheira mecânica.

O sepultamento de Beatriz ocorreu na manhã do dia 26 de setembro no Cemitério da Saudade, localizado na área central de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo. A cerimônia reuniu parentes e amigos próximos para a despedida da oficial.

Despedida e homenagens

Entre as manifestações públicas de carinho divulgadas após a confirmação do falecimento, amigas próximas lamentaram a partida precoce da tenente. Mensagens destacaram o impacto de sua convivência e a dor sentida por aqueles que acompanharam sua trajetória acadêmica e profissional.

A mãe da oficial, Soraia Fickert, foi a responsável por comunicar publicamente os horários e o local do velório e sepultamento aos conhecidos da família. O apoio institucional da Marinha também foi acionado para amparar os parentes mais próximos durante o translado e as cerimônias fúnebres no interior paulista.

As investigações seguem em sigilo relativo enquanto os peritos criminais e os investigadores federais coletam depoimentos de testemunhas e analisam documentos administrativos internos do alojamento militar onde a tragédia ocorreu.

Marinha detalha o caso

Em nota oficial detalhada, a Marinha do Brasil reiterou seu compromisso com a transparência na apuração dos fatos ocorridos nas dependências do Centro Tecnológico em São Paulo. A equipe médica da unidade foi imediatamente ao local e a militar foi encaminhada ao Hospital Universitário, destacou o comunicado emitido pela força naval.

A corporação reforçou ainda que qualquer nova informação relevante sobre o andamento das diligências periciais será repassada às instâncias competentes da justiça militar e federal. O rigor técnico na análise dos vestígios é apontado pelas autoridades como prioridade para elucidar os questionamentos levantados no boletim de ocorrência.

A repercussão do caso mobilizou entidades de classe e órgãos de segurança pública, que acompanham de perto os desdobramentos jurídicos e administrativos decorrentes da forma como o atendimento de urgência e a remoção da oficial foram conduzidos inicialmente.

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