O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, classificou como “estelionato eleitoral” a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as bets por medida provisória e acusou o presidente de oportunismo a poucos dias do primeiro turno. A crítica foi feita nesta sexta-feira (25), em vídeo publicado nas redes sociais.
Flávio afirmou que Lula tenta se apresentar como solução para um problema que, segundo ele, o próprio governo teria criado ao regulamentar o setor. A declaração mistura etapas diferentes da legislação: as apostas de quota fixa foram criadas no Brasil pela Lei 13.756, de 2018, sancionada no governo Michel Temer, e receberam novas regras de autorização, tributação e fiscalização pela Lei 14.790, de 2023, sancionada por Lula.
Flávio acusa oportunismo eleitoral
Na gravação, o senador disse que a proibição anunciada nove dias antes da eleição teria objetivo político. Ele chamou Lula de “oportunista” e afirmou que o governo tenta corrigir, às vésperas do voto, efeitos negativos associados ao avanço das apostas online.
Flávio também criticou a regulamentação feita durante o atual governo e atribuiu a Lula a responsabilidade pela expansão dos cassinos online. A legislação de 2023 de fato ampliou e detalhou o marco regulatório das apostas de quota fixa, incluindo jogos online, mas não foi a norma que criou essa modalidade no país.
Trata-se de mais um estelionato que o governo Lula quer fazer antes da eleição.”
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL
O senador também questionou o que acontecerá se a medida provisória perder validade depois da eleição. MPs entram em vigor após publicação, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso dentro do prazo constitucional para se converterem definitivamente em lei.
Apostas foram criadas em 2018
A Lei 13.756, de dezembro de 2018, criou a modalidade lotérica de aposta de quota fixa e autorizou sua exploração comercial no território nacional. A norma foi aprovada e sancionada durante o governo de Michel Temer.
Em 2023, o governo Lula editou nova regulamentação por medida provisória e depois sancionou a Lei 14.790. O texto estabeleceu regras para autorização de empresas, tributação, publicidade e fiscalização, além de passar a abranger eventos virtuais de jogos online.
Por isso, a afirmação de que Lula “legalizou as bets” depende do sentido usado. O governo atual foi responsável pela regulamentação detalhada do mercado e pela autorização das empresas dentro do novo regime, mas a criação da aposta de quota fixa ocorreu cinco anos antes.
Esse histórico virou um dos principais pontos da disputa política sobre o tema. Adversários tentam responsabilizar o atual governo pela expansão do setor, enquanto o Planalto afirma que a regulamentação buscou trazer para um sistema fiscalizado uma atividade que já operava no país.
Governo mudou de posição
Lula passou a defender restrições severas depois de associar as apostas ao endividamento das famílias e a problemas sociais. Em discurso recente na ONU, o presidente disse que as bets estariam destruindo famílias e afirmou que o governo avaliava medidas mais duras.
A medida anunciada nesta sexta-feira representa uma guinada em relação à política adotada desde 2023, quando o Executivo estruturou o mercado regulado, cobrou outorgas e autorizou empresas a operar nacionalmente.
Essa mudança alimenta críticas sobre segurança jurídica e contratos já firmados por operadoras, clubes, empresas de mídia e outros agentes econômicos. O governo, por outro lado, sustenta que os efeitos sobre renda e saúde pública justificam a nova direção.
Flávio também defende restrições
Apesar das críticas ao governo, Flávio afirmou ser favorável à proibição de cassinos online e plataformas como o chamado Jogo do Tigrinho. Em entrevistas e declarações desta sexta-feira, porém, deixou em aberto a possibilidade de manter apostas esportivas sob algum modelo regulado.
Essa distinção cria uma diferença relevante entre as posições atualmente apresentadas. A medida do governo proíbe de forma ampla apostas de quota fixa online, enquanto Flávio tem enfatizado principalmente o combate a cassinos virtuais e jogos considerados mais associados ao vício.
A discussão deverá continuar no Congresso, responsável por analisar a medida provisória. Durante a tramitação, parlamentares poderão manter, alterar ou rejeitar o texto, e o alcance final da proibição dependerá desse processo legislativo.


