A confirmação da Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, como vencedora do leilão da SAF do Vasco aumentou a pressão de conselheiros de oposição do Palmeiras pela saída de José Roberto Lamacchia, marido da presidente Leila Pereira, do Conselho Deliberativo do clube paulista.
O grupo aponta possível conflito de interesses devido aos vínculos familiares e empresariais entre os envolvidos na operação. A venda de 90% da SAF vascaína ainda precisa cumprir etapas internas no Vasco e segue sob acompanhamento da agência de fair play do futebol brasileiro.
Almirante vence o leilão
A Almirante Participações foi a única empresa apta a apresentar proposta na audiência realizada nesta sexta-feira na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Sem concorrentes, foi declarada vencedora do leilão de 90% das ações da SAF do Vasco.
Marcos Lamacchia não compareceu pessoalmente ao Tribunal de Justiça. A empresa foi representada pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica. A operação é estimada em torno de R$ 3 bilhões, considerando os compromissos previstos para a nova fase da SAF.
O formato do leilão colocou a Almirante na condição de “stalking horse bidder”, com uma proposta de referência e direito de cobrir eventual oferta superior. Como não apareceu outra empresa habilitada, essa prerrogativa não precisou ser exercida.
O resultado do leilão é uma etapa importante, mas não conclui automaticamente a transferência do controle. O negócio ainda precisa passar pelos procedimentos internos previstos no Vasco, incluindo análise do Conselho Deliberativo e assembleia geral extraordinária.
Pressão cresce no Palmeiras
A confirmação da empresa de Marcos Lamacchia como vencedora fortaleceu uma cobrança que já circulava entre conselheiros do Palmeiras. O alvo é José Roberto Lamacchia, pai de Marcos, marido de Leila Pereira e integrante do Conselho Deliberativo alviverde.
Grupos de oposição defendem que ele deixe o órgão para afastar qualquer aparência de influência cruzada entre Palmeiras e Vasco. A pressão não significa, por si só, que o clube tenha aberto um processo formal de exclusão ou afastamento.
José Roberto também é controlador da Crefisa, empresa que mantém relações comerciais com o futebol e já esteve envolvida em operações financeiras relacionadas ao Vasco. Leila Pereira, por sua vez, preside o Palmeiras e a Crefisa, mas afirma não participar da negociação conduzida por Marcos.
Fair play analisa operação
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol abriu em agosto um procedimento para analisar possível conflito de propriedade na negociação da SAF. A agência é responsável por fiscalizar regras de fair play e integridade relacionadas às estruturas de controle dos clubes.
A vedação à multipropriedade e à influência cruzada é uma das regras que sustentam a confiança nas competições”.”
Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol
Como medida cautelar, o órgão proibiu o Vasco de manter determinadas relações comerciais com o Palmeiras e com a Crefipar enquanto o processo estiver em análise. A restrição busca evitar negócios que possam ampliar questionamentos durante a avaliação.
O procedimento não impediu a realização do leilão, mas mantém sob exame os vínculos empresariais e familiares associados à operação. A análise pode influenciar as condições finais para a entrada do novo controlador no futebol vascaíno.
Venda ainda tem etapas
O Vasco saiu do leilão com uma compradora definida, mas o cronograma da operação ainda inclui etapas societárias e regulatórias. A homologação judicial da proposta não substitui os atos internos exigidos para a transferência efetiva das ações.
O clube tenta reorganizar sua SAF depois do rompimento com a 777 Partners e do processo de recuperação judicial. A busca por um novo investidor foi estruturada para substituir o antigo controlador e garantir novos recursos ao futebol.
Marcos Lamacchia afirma atuar de forma independente dos negócios de Leila e José Roberto. Desde o início das negociações, ele e pessoas ligadas à proposta rejeitam a tese de que a compra significaria controle compartilhado entre Vasco e Palmeiras.
A oposição palmeirense, porém, mantém a cobrança para separar formalmente as estruturas. Com o leilão concluído, o próximo foco passa a ser tanto a aprovação definitiva da venda no Vasco quanto o desfecho das discussões de governança e fair play que envolvem a família Lamacchia.


