O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira (25) que as relações diplomáticas e econômicas entre Moscou e os Estados Unidos foram reduzidas a quase zero. Apesar do distanciamento severo provocado por sanções internacionais e pelo conflito na Ucrânia, o líder russo destacou que seu governo permanece aberto a negociações com Washington.
As declarações foram feitas a jornalistas em São Petersburgo, onde o mandatário abordou o cenário geopolítico atual, a influência comercial das grandes potências globais e os reflexos de eventuais acordos entre americanos e chineses sobre a economia russa.
Comércio com a China
Durante o encontro com a imprensa, Vladimir Putin contrastou o isolamento imposto pelo Ocidente com a robustez dos laços comerciais estabelecidos com a Ásia. O presidente russo enfatizou que o volume de negócios entre Moscou e Pequim atingiu a marca expressiva de 240 bilhões de dólares.
Segundo o governante, o estreitamento da parceria econômica com a República Popular da China tem funcionado como um amortecedor fundamental diante das restrições e sanções comerciais aplicadas por países ocidentais ao longo dos últimos anos.
Ao ser questionado por um repórter sobre a possibilidade de sentir ciúmes do presidente chinês, Xi Jinping, em razão da dinâmica diplomática com a liderança americana, Putin afastou a hipótese com ironia e afirmou que o sentimento pertence exclusivamente à esfera humana.
Reflexos na economia global
O chefe do Kremlin também analisou a relação bilateral entre os Estados Unidos e a China, classificando ambas como as duas maiores economias do planeta. Para o líder russo, qualquer entendimento diplomático ou comercial firmado entre Washington e Pequim reverbera diretamente sobre os mercados internacionais.
Putin pontuou que os acordos negociados entre as superpotências, especialmente no que tange a disputas comerciais e medidas restritivas consideradas ilegítimas pelo governo russo, acabam moldando o ritmo e a estabilidade de toda a economia global, impactando de forma indireta os interesses de Moscou.
A avaliação reforça a leitura estratégica do governo russo de que a estabilização das cadeias globais de suprimento depende de um entendimento amplo entre as nações que lideram o PIB mundial, mesmo em um cenário de profunda fragmentação geopolítica.
Quase tudo em nossas relações com os Estados Unidos foi reduzido a zero. Mas nosso comércio com a República Popular da China está em 240 bilhões de dólares. Esse é um valor considerável.”
Vladimir Putin
Imbróglio da Apec
Questionado sobre a possibilidade de comparecer à próxima cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), fórum multilateral voltado ao livre comércio na bacia do Pacífico, Vladimir Putin informou que nenhuma decisão definitiva foi adotada até o momento.
O presidente russo esclareceu que a confirmação de sua presença em eventos internacionais de grande porte depende estritamente da evolução da situação interna na Rússia e da agenda doméstica de prioridades governamentais.
Apesar da cautela quanto à participação presencial, o mandatário confirmou que possui um convite formal em mãos, avaliou como útil a presença em debates multilaterais e revelou ter debatido o tema recentemente com o presidente chinês, Xi Jinping.
Governo russo cobra sanções
A declaração de Putin ocorre em um momento de persistente instabilidade diplomática entre a Rússia e potências ocidentais. As medidas punitivas adotadas por Washington e aliados europeus paralisaram canais tradicionais de cooperação política e financeira entre os dois países.
A retórica de abertura para conversas sinaliza um movimento tático de Moscou, que busca posicionar-se favoravelmente ao diálogo diplomático enquanto consolida frentes econômicas alternativas no continente asiático para mitigar o impacto das sanções.
Analistas internacionais acompanham de perto os desdobramentos dessas declarações para aferir se há disposição real de ambas as partes para retomar canais de comunicação de alto nível ou se a sinalização russa restringe-se ao plano discursivo.


