O presidente da China, Xi Jinping, encerrou nesta sexta-feira (25) uma visita de Estado de três dias aos Estados Unidos, marcada por encontros oficiais com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca. A cúpula entre os líderes das duas maiores economias globais colocou na mesa de negociações temas sensíveis como o controle da inteligência artificial, acordos comerciais, as tensões em torno de Taiwan e os desdobramentos da guerra no Irã.
A programação oficial começou na quinta-feira (24) com uma recepção com honras militares, que incluiu a apresentação da banda do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e um sobrevoo aéreo. Em seguida, os dois mandatários seguiram para o Salão Oval para uma reunião bilateral a portas fechadas, seguida de um jantar que reuniu magnatas e executivos de gigantes globais da tecnologia, reforçando a centralidade do setor de semicondutores nas discussões diplomáticas.
Jantar com bilionários
O encontro noturno na Casa Branca contou com a presença de nomes de peso do Vale do Silício e da indústria tecnológica norte-americana. Entre os convidados de destaque estavam Jensen Huang, CEO da Nvidia, acompanhado de sua esposa, Lori Huang; Lisa Su, CEO da AMD, com o marido, Daniel Lin; Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla; e Tim Cook, ex-CEO da Apple, que deixou o cargo recentemente.
A presença dos líderes de semicondutores e inovação ocorreu em meio a negociações complexas sobre cadeias de suprimentos e restrições tecnológicas. A cúpula também abriu espaço para um clima de proximidade diplomática, com Trump destacando publicamente a relação construída ao longo dos anos com o colega chinês.
Nas primeiras declarações conjuntas à imprensa, o presidente americano afirmou que os dois governos mantêm uma parceria sólida. “Desde a época da minha primeira eleição, em 2016, o presidente Xi e eu construímos uma amizade — na verdade, uma amizade verdadeiramente grande — baseada no respeito mútuo e nos interesses vitais de nossos povos”, declarou Trump no Grande Foyer da Casa Branca.
Controle de inteligência artificial
Entre os pontos centrais da pauta bilateral, a gestão e o avanço da inteligência artificial ganharam destaque nas conversas entre Pequim e Washington. Xi Jinping pontuou que as duas nações compartilham a responsabilidade de direcionar a tecnologia para o desenvolvimento sustentável e seguro.
“Tanto a China quanto os Estados Unidos são nações líderes em inteligência artificial”, afirmou o líder chinês durante o evento oficial. Xi enfatizou que os governos dispõem de capacidade e de dever institucional para gerir o setor sob rígido monitoramento humano.
O líder chinês reforçou ainda que a prioridade global deve ser assegurar que as inovações tecnológicas sirvam diretamente ao bem-estar da sociedade. O debate sobre IA ocorre paralelamente a iniciativas americanas para redefinir padrões regulatórios e supervisionar o avanço de superinteligências.
Avisos sobre o Irã
As conversas também transitaram por temas geopolíticos espinhosos, incluindo o conflito no Irã e o posicionamento estratégico de Pequim no Oriente Médio. Autoridades diplomáticas americanas reforçaram que o governo dos EUA cobrou contundência contra qualquer suporte militar estrangeiro ao regime iraniano.
O embaixador dos EUA na China, David Perdue, afirmou em entrevistas a emissoras locais que o governo americano deixou claro que o apoio chinês ao Irã é considerado inaceitável. Segundo Perdue, a mensagem abrange desde auxílio direto em inteligência até o fornecimento de peças e equipamentos militares.
Questionado por jornalistas sobre possíveis avanços nas negociações relativas à segurança na região do Estreito de Ormuz, Donald Trump demonstrou otimismo contido. “Acho que vamos nos sair muito bem”, respondeu o presidente americano ao ser interpelado sobre o andamento das tratativas.
Relações e próximos passos
A visita foi encerrada com compromissos de continuidade na diplomacia de alto nível e anúncios sobre futuras agendas internacionais. Xi Jinping revelou que pretende receber o presidente americano e a primeira-dama em solo chinês em breve, além de confirmar novos encontros bilaterais em cúpulas globais.
Os líderes planejam se reunir novamente durante eventos de grande repercussão diplomática, incluindo a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), programada para ocorrer na China, e a reunião de chefes de Estado do G20, que será sediada em Miami.
Apesar de avaliarem a cúpula como um sucesso estratégico para estabilizar as trocas entre as duas potências, nem Trump nem Xi divulgaram publicamente novos acordos comerciais específicos ao término das conversas de três dias.


