Frente inédita de ligas europeias freia Infantino na Fifa

Premier League, Bundesliga, Série A e LaLiga articulam frente inédita para impor barreiras constitucionais e frear centralização na cúpula.

Da
Redação
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta crescentes pressões de ligas europeias por mudanças na governança da entidade.Elizabeth Ruiz Ruiz - FIFA/FIFA via Getty Images
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As quatro principais ligas de futebol profissional da Europa lançaram uma ofensiva coordenada para exigir reformas radicais e limites constitucionais à gestão de Gianni Infantino na Fifa. A cobrança conjunta ocorre após o fracasso de planos comerciais da entidade e visa instituir mecanismos rígidos de controle para proteger o esporte.

A mobilização histórica reúne Premier League, Bundesliga, Série A e LaLiga em torno de um pedido por maior participação de clubes, atletas e federações nas decisões globais. As entidades apontam que o modelo administrativo atual concentra poder excessivo e ameaça o equilíbrio do ecossistema do futebol.

Cobrança por maior participação

As ligas europeias exigem que os agentes afetados tenham um papel real na tomada de decisões da entidade máxima do futebol. Entre as propostas está a criação de um organismo permanente que represente federações nacionais, ligas, clubes e atletas tanto do futebol masculino quanto do feminino.

A articulação busca assegurar que as decisões sejam tomadas com base em evidências técnicas e que o papel regulador da federação seja devidamente protegido de sua função comercial. As competições apontam que o problema de governança vai muito além de um único indivíduo e atinge diretamente a estrutura de poder da entidade.

As relações entre a Fifa e os principais centros do futebol europeu já vinham se deteriorando nos últimos anos, impulsionadas principalmente por disputas recorrentes sobre a expansão do calendário e de competições internacionais. Clubes e ligas argumentam que o excesso de jogos pressiona fisicamente os atletas e desvaloriza os campeonatos nacionais.

A reação de Gianni Infantino

Em resposta às crescentes pressões, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, enviou uma carta ao Conselho da entidade e aos presidentes das 211 associações membro propondo uma revisão externa independente na estrutura de governança para grandes iniciativas estratégicas.

O problema de governança da Fifa vai muito além do papel de um único indivíduo.”

Ligas de futebol da Europa

Infantino também sugeriu consultas amplas com confederações e partes interessadas sobre o fortalecimento dos processos de decisão, reforçando que continua totalmente comprometido em liderar a federação e buscar a reeleição no próximo ano.

Apesar da proposta de revisão, as ligas europeias consideram que mudanças superfissionais nos processos internos após polêmicas comerciais não são suficientes para restaurar a credibilidade e os limites constitucionais necessários dentro da organização global.

O fracasso do plano comercial

A tensão atual escalou após o abandono de um projeto liderado por Infantino para vender até 20% dos direitos comerciais da entidade para investidores privados, incluindo ativos relacionados à Copa do Mundo.

O plano enfrentou oposição severa da Uefa, da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf, acabando por ser engavetado em julho diante da forte rejeição generalizada no cenário internacional.

A oposição liderada por dirigentes europeus, como o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, evidenciou o desgaste institucional e abriu caminho para a cobrança pública por reformas estruturais duradouras na federação.

Disputas sobre o calendário

A pressão exercida pelas ligas europeias também reflete o descontentamento generalizado com o aumento constante no volume de partidas oficiais organizadas pela entidade global.

Dirigentes de clubes e ligas nacionais apontam que o inchaço do calendário internacional sobrecarrega os atletas de elite, prejudica o desempenho físico e afeta o interesse comercial das ligas locais.

As entidades reforçam que a governança reformada precisa estabelecer salvaguardas permanentes para evitar que iniciativas comerciais da federação coloquem em risco o equilíbrio e a sustentabilidade de todo o ecossistema do futebol.

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