A Polícia Federal paralisou o envio de novas representações e mandados do caso Master devido a um impasse jurídico sobre quem comanda a relatoria no Supremo Tribunal Federal. Os delegados responsáveis pela Operação Compliance Zero não sabem se devem direcionar os pedidos urgentes ao ministro André Mendonça ou ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Essa indefinição institucional e o desgaste na relação entre os investigadores e o tribunal geraram uma postura de extrema cautela na cúpula policial. Sem um entendimento consensual entre os gabinetes, o inquérito permanece estagnado e sem previsão de novas operações ostensivas.
Dúvidas sobre relatoria travam novas diligências
Durante os desdobramentos recentes apurados na corporação, delegados e dirigentes relataram dificuldades operacionais para direcionar os pedidos judiciais. A disputa interna sobre quem detém a condução dos atos processuais gera um ambiente de incerteza que impede o avanço de novas fases da investigação policial.
Os investigadores enfrentam um cenário de indefinição sobre o encaminhamento de medidas urgentes. O impasse envolve diretamente o gabinete do relator e a presidência da Corte, paralisando pedidos de buscas, apreensões e outras diligências essenciais para o esclarecimento dos fatos investigados.
Eles não sabem se pedem as buscas e apreensões para o gabinete de André Mendonça, relator do caso, ou ao presidente da Corte, Edson Fachin, que avocou todo o processo para si.
Elijonas Maia, analista de Segurança Pública
A situação é agravada pela projeção de prazos políticos e eleitorais que interferem no andamento dos trabalhos. Avaliações internas indicam que determinados procedimentos sensíveis só devem ganhar celeridade após etapas decisivas no cenário nacional, prolongando a espera por novas determinações judiciais.
Compliance Zero acumula meses sem avanço
Desde a última fase ostensiva da Operação Compliance Zero, realizada no início do mês de julho, o inquérito não registrou o envio de novas representações ao gabinete responsável. O hiato nas operações evidencia o impacto direto do travamento institucional sobre a rotina da Polícia Federal.
Nas apurações conduzidas pela corporação, a representação formal consiste em um relatório detalhado em que os investigadores solicitam medidas drásticas, como prisões, bloqueios e mandados de busca contra os alvos apontados nas fraudes investigadas.
A última ofensiva policial teve como principal alvo o publicitário Thiago Miranda. Na ocasião, as autoridades apontaram que ele teria atuado na intermediação de recursos para produções audiovisuais e contratado perfis digitais com o objetivo de atacar o Banco Central, além de movimentar medidas para evitar investigações.
Desgaste entre cúpula e relatoria
Além das questões puramente processuais e administrativas, o travamento das investigações reflete um claro desgaste na relação institucional entre a cúpula da Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, relator originário do caso no tribunal.
Nos bastidores da corporação, avalia-se que o magistrado teria adotado uma postura de investigação direta ao requerer determinadas diligências e relatórios específicos. Entre os episódios de atrito esteve a exigência de dados sobre conversas envolvendo figuras centrais investigadas no inquérito.
Essa dinâmica de cobranças mútuas elevou a tensão entre os delegados federais e os assessores do gabinete. Como consequência direta, a ordem transmitida aos investigadores foi a de aguardar uma pacificação e uma diretriz definitiva da Corte antes de protocolar novas medidas.
Expectativa de definição no tribunal
A resolução do impasse jurídico no Supremo Tribunal Federal é considerada o único caminho para destravar o fluxo de trabalho da Polícia Federal no caso Master. Sem um entendimento consensual entre os gabinetes envolvidos, o inquérito permanece estagnado e sem previsão de novas operações.
Enquanto aguardam uma posição oficial da cúpula do Judiciário, os investigadores priorizam a organização de dados já coletados nas fases anteriores da Operação Compliance Zero. A estratégia visa preservar as provas obtidas e evitar a anulação de atos em meio à disputa de competências.
O desfecho dessa crise institucional ditará o ritmo da atuação policial nas próximas semanas, determinando se a corporação conseguirá retomar com autonomia o envio de representações e o cumprimento de mandados expedidos pela Justiça.


