A Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá) confirmou a renúncia do presidente Carlos Diehl após pouco mais de seis meses no cargo, em meio a uma intensa crise financeira. A instituição acumula um passivo superior a R$ 1,4 bilhão e tenta reorganizar sua governança diante de divergências internas.
Para ocupar o comando principal, o Conselho de Administração efetivou o vice-presidente Sergio Strentske, além de indicar Paulo Prediger para o cargo de apoio. A nova equipe diretiva herda o desafio de negociar obrigações vultosas e manter a normalidade operacional nas unidades de atendimento aos produtores.
Cooperativa garante operações diárias normais
Diante da repercussão da troca de comando, a administração da Cotribá emitiu um comunicado oficial para tranquilizar o mercado, associados e parceiros comerciais. A instituição garantiu que a alteração nos representantes legais não altera o funcionamento de suas atividades cotidianas. Segundo a nota divulgada pela cooperativa, as equipes seguem trabalhando normalmente no atendimento a associados, clientes, fornecedores e demais colaboradores da rede.
A nova administração reforçou que o foco principal da gestão será a recuperação e a reorganização da cooperativa agropecuária. Os dirigentes destacam a importância de assegurar a continuidade operacional e de criar condições comerciais e financeiras favoráveis para o fortalecimento institucional a médio e longo prazo.
Fundada em 1911 no município de Ibirubá, no Rio Grande do Sul, a Cotribá é reconhecida historicamente como a cooperativa agropecuária mais antiga em atividade no país. Ao longo de mais de um século de história, a entidade construiu uma base sólida de associados, fator que agora mobiliza esforços coletivos para preservar a credibilidade da marca frente aos desafios atuais do mercado.
Diretoria enfrenta passivo bilionário acumulado
A substituição na presidência acontece em meio a um cenário financeiro complexo, marcado por um passivo superior a R$ 1,4 bilhão. A instituição enfrentou graves dificuldades recentes que a levaram a buscar proteção jurídica por meio de um pedido de recuperação judicial, processo que acabou sendo suspenso posteriormente enquanto novas tratativas de reestruturação eram avaliadas pela diretoria e pelos credores.
Especialistas do setor apontam que o endividamento expressivo da cooperativa resulta de múltiplos fatores acumulados nos últimos anos. Entre os principais elementos estão a expansão territorial acelerada para fora da base original de atuação e os impactos severos provocados por quebras sucessivas de safras decorrentes de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e enchentes no estado gaúcho.
Além das intempéries climáticas e da retração na produtividade agrícola, a instituição também sofreu com os reflexos de custos elevados de financiamento e taxas de juros em patamares elevados. Esse conjunto de pressões financeiras estreitou as margens operacionais da cooperativa e exigiu revisões profundas no modelo de gestão adotado nas unidades de negócios.
Histórico registra instabilidade na governança
A saída de Carlos Diehl evidencia um período prolongado de instabilidade na governança da Cotribá, que tem registrado sucessivas trocas de comando na presidência e na diretoria executiva recentemente. A sucessão rápida de lideranças reflete a dificuldade de consenso entre os cooperados sobre a melhor estratégia para superar o rombo financeiro bilionário.
As tentativas anteriores de reorganização administrativa esbarraram em resistências internas e na complexidade de renegociar obrigações vultosas com bancos, fornecedores e produtores associados. A nova gestão liderada por Sergio Strentske herda o desafio de pacificar o ambiente interno e apresentar um plano consistente de renegociação de dívidas.
O futuro da instituição depende diretamente da capacidade da nova diretoria em manter a confiança dos associados na entrega de grãos e na compra de insumos. O cooperativismo agrícola da região acompanha de perto os desdobramentos administrativos, uma vez que a saúde financeira da Cotribá impacta diretamente a economia de diversos municípios do interior gaúcho.
Gestão define novos passos estratégicos
Com a efetivação da nova diretoria, os próximos passos envolvem reuniões estratégicas com os conselheiros e com os principais credores da cooperativa para reavaliar os termos de reestruturação financeira. A prioridade é demonstrar transparência operacional e evitar novos abalos na cadeia de suprimentos geridos pela entidade tradicional.
A manutenção dos serviços essenciais de recebimento de safra e assistência técnica aos produtores rurais permanece como o principal argumento da diretoria para preservar o vínculo com os associados. A expectativa é que novas assembleias sejam convocadas para detalhar o balanço financeiro e as projeções de pagamento do passivo acumulado.
Enquanto a reestruturação caminha, o mercado agropecuário regional observa como a mais antiga cooperativa do país tentará superar um dos maiores desafios de sua centenária trajetória institucional, equilibrando a necessidade de corte de custos com a preservação de suas atividades fundamentais.


