Cinco mortes e quatro ataques calam maior siderúrgica da Ucrânia

Bombardeios sucessivos obrigaram a interrupção por tempo indeterminado das atividades na unidade da ArcelorMittal.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Usina da ArcelorMittal em Kryvyi Rih, no sudeste ucraniano, foi alvo de ataques consecutivos da Rússia.REUTERS
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A produção na maior siderúrgica da Ucrânia foi paralisada por tempo indeterminado após uma série de bombardeios russos que atingiram diretamente as instalações e deixaram cinco trabalhadores mortos. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (25) pela direção da ArcelorMittal Kryvyi Rih, localizada no sudeste do país.

A unidade acumulou quatro ataques distintos em um intervalo de apenas cinco semanas, o que comprometeu severamente a integridade estrutural das oficinas e tornou insustentável a manutenção das operações em meio ao conflito armado.

Impactam setor siderúrgico ucraniano

A paralisação da usina representa mais um duro golpe para a economia e para o setor siderúrgico da Ucrânia. A indústria metalúrgica é historicamente um dos pilares da economia nacional, respondendo por cerca de 15% de todas as exportações do país afetado pelo conflito.

Além da pressão militar imposta pelas forças russas, o setor enfrenta severas restrições comerciais impostas pela União Europeia, que figura como o principal parceiro comercial dos ucranianos. As dificuldades logísticas agravam o cenário de escoamento da produção e reduzem as margens operacionais das empresas restantes na região.

O presidente-executivo da subsidiária local, Mauro Longobardo, detalhou o cenário de insustentabilidade das operações por meio de um comunicado oficial divulgado à imprensa nesta sexta-feira.

É com profundo pesar que concluímos que não podemos mais operar com segurança a ArcelorMittal Kryvyi Rih

Mauro Longobardo, presidente-executivo da subsidiária

Intensificam guerra aérea nacional

A Rússia intensificou de maneira expressiva os ataques aéreos em diversas regiões da Ucrânia nos últimos meses. As forças de Moscou têm utilizado mísseis balísticos de longo alcance e drones a jato avançados, armamentos que o sistema de defesa antiaérea ucraniano frequentemente encontra dificuldades para interceptar.

Os alvos recentes têm englobado não apenas posições militares, mas também empresas privadas, redes logísticas essenciais, instalações portuárias localizadas no litoral do Mar Negro e infraestrutura civil básica em vários centros urbanos.

A campanha de bombardeios atinge diretamente a população civil e paralisa serviços essenciais, aprofundando a crise humanitária decorrente da invasão em grande escala iniciada pelas tropas do Kremlin em 2022.

Registram mortes de civis

As Nações Unidas divulgaram um levantamento nesta sexta-feira apontando que a missão de monitoramento na Ucrânia registrou pelo menos 200 mortes de civis apenas no mês de setembro. Os óbitos decorrem de ataques contínuos que também danificaram residências, hospitais, comércios e locais de trabalho.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condenou recentemente a violência após um ataque com drone no centro de Kiev matar um menino de 14 anos, classificando a ação como extremamente violenta. Outro ataque em Odessa atingiu uma agência dos correios e matou uma pessoa, enquanto uma clínica em Zaporizhzhia foi danificada.

Em contrapartida, o Ministério da Defesa da Rússia declarou que suas forças realizaram investidas pontuais contra centros de logística e instalações ligadas à indústria de defesa ucraniana, enquanto autoridades de Kiev mantêm retaliações contra alvos energéticos russos.

Buscam alternativas econômicas

O governo ucraniano busca alternativas para minimizar os danos econômicos causados pela interrupção das atividades industriais nas áreas próximas à linha de frente. A perda de capacidade produtiva na siderurgia restringe a entrada de divisas estrangeiras necessárias para sustentar o esforço de defesa nacional.

Enquanto os combates continuam sem perspectiva de trégua a curto prazo, organismos internacionais alertam para a deterioração acelerada da infraestrutura civil e produtiva do país. O impacto acumulado dos bombardeios ameaça paralisar permanentemente polos industriais vitais para a sobrevivência econômica ucraniana.

A comunidade internacional monitora os desdobramentos da crise humanitária e econômica, enquanto empresas locais avaliam medidas de contingência para proteger trabalhadores e instalações remanescentes em meio à intensificação dos confrontos armados.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *