Quanto 14 clubes da Série A podem perder com a MP das bets; veja valores

Patrocínios conhecidos chegam a pelo menos R$ 950,5 milhões anuais, sem contar o acordo da Chapecoense, cujo valor não foi divulgado

Da
Redação
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Clubes brasileiros fizeram manifesto a favor das bets —
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Quatorze clubes da Série A têm contratos de patrocínio máster com casas de apostas e podem enfrentar perda relevante de receita caso o governo federal avance com uma medida provisória que restrinja de forma ampla a operação ou a publicidade das bets no Brasil. Somados, os valores anuais publicamente divulgados de 13 desses acordos chegam a pelo menos R$ 950,5 milhões; o contrato da Chapecoense não teve valor revelado.

O impacto potencial varia bastante entre as equipes. Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo concentram os maiores contratos conhecidos, enquanto clubes com orçamento menor podem sentir de forma proporcionalmente mais forte a retirada de um patrocinador máster. O tamanho efetivo de qualquer perda dependerá do texto final da medida, das cláusulas de cada contrato e da possibilidade de substituição por novas marcas.

Patrocínios entram na mira

A presença das bets se tornou uma das principais fontes de receita comercial do futebol brasileiro nos últimos anos. Levantamentos recentes mostram que o setor responde por parcela expressiva dos recursos de marketing dos clubes e também está presente em competições, transmissões e outras propriedades comerciais do esporte.

Na Série A, o quadro mudou ao longo de 2026 com trocas e encerramentos de contratos. Por isso, levantamentos publicados em datas diferentes chegaram a apontar 13 ou 14 clubes com casas de apostas no espaço máster. No recorte mais recente, são 14 equipes, considerando as marcas atualmente associadas às camisas.

Os valores abaixo representam montantes anuais divulgados ou estimados publicamente para os contratos. Eles não significam que todo esse dinheiro seria perdido de forma automática, porque uma eventual ruptura dependeria da redação da medida, da vigência dos acordos, de cláusulas regulatórias e de negociações entre clubes e empresas.

Quanto cada clube pode perder
ClubePatrocinador másterValor anual
FlamengoBetanoR$ 268,5 milhões
CorinthiansEsportes da SorteR$ 150 milhões
PalmeirasSportingbetR$ 100 milhões
São PauloSuperbetR$ 95 milhões
Atlético-MGH2betR$ 60 milhões
BotafogoVBetR$ 55 milhões
FluminenseSuperbetR$ 52 milhões
CruzeiroBetnacionalR$ 42 milhões
Athletico-PRViva Sorte BetR$ 36 milhões
SantosNovibetR$ 35 milhões
VascoSportingbetR$ 25 milhões
Vitória7KR$ 20 milhões
RemoVaideBetR$ 12 milhões
ChapecoenseZero Um BetNão divulgado

Fonte: clubes, patrocinadores e levantamento da Placar

Contratos podem ser revistos

Empresas do setor já alertaram clubes sobre a possibilidade de revisão ou rescisão de contratos se houver mudança regulatória capaz de atingir de forma material suas operações. Relatos publicados nesta semana citam notificações recebidas por equipes como Corinthians, São Paulo e Fluminense.

Parte dos contratos possui mecanismos que permitem renegociação diante de alterações relevantes no ambiente regulatório. Isso significa que o impacto não precisa ocorrer da mesma maneira em todos os clubes: pode haver rescisão, redução de valores, manutenção temporária ou renegociação, conforme o texto aprovado e as condições previstas em cada acordo.

A discussão ganhou peso porque o mercado de apostas passou a financiar não apenas o espaço principal das camisas. Casas de apostas também compram naming rights de competições, placas de estádio, cotas de mídia e outras propriedades, ampliando a exposição financeira do futebol ao setor.

É preciso combater de forma rigorosa o jogo ilegal, e não desmontar o mercado legal, regulado e fiscalizado pelo Estado.”

Manifesto de clubes do futebol brasileiro

Peso muda entre os times

O valor absoluto do contrato não conta toda a história. Um clube com receitas mais diversificadas pode ter mais espaço para absorver uma queda temporária, enquanto uma equipe que depende fortemente do patrocinador máster pode precisar rever orçamento, contratações, folha salarial e investimentos ainda durante a temporada.

Especialistas em finanças do esporte também apontam que o mercado foi inflacionado pela entrada das casas de apostas, que passaram a pagar cifras acima das praticadas por vários setores tradicionais. Por isso, substituir uma bet por uma empresa de outro segmento não garante a recomposição integral do valor perdido.

Em 2025, as receitas comerciais dos 20 clubes da Série A passaram de R$ 3 bilhões, com mais de R$ 1 bilhão associado a empresas de apostas em diferentes propriedades. Esse dinheiro ajudou a elevar o patamar dos contratos, mas também aumentou a dependência de um único setor em parte do futebol nacional.

O que ainda pode mudar

Apostas de quota fixa são hoje uma atividade regulada no país. O Ministério da Fazenda exige autorização prévia das empresas que operam nacionalmente e mantém regras específicas para fiscalização, publicidade, proteção de consumidores e funcionamento das plataformas autorizadas.

O efeito sobre os clubes só poderá ser medido com precisão quando houver texto oficial definitivo e definição sobre alcance, transição e publicidade. Até lá, os números dos contratos mostram a dimensão financeira em discussão, mas não devem ser tratados como perdas já consumadas.

Além dos 14 patrocínios máster, qualquer mudança ampla pode atingir receitas indiretas ligadas a campeonatos e mídia esportiva. O desafio para os clubes, caso a participação das bets diminua, será substituir contratos de grande valor sem comprometer o planejamento financeiro das próximas temporadas.

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