Parlamentares de 13 países cobram fim de ataques dos EUA a barcos

Grupo liderado por mais de 70 parlamentares, incluindo deputadas do Brasil, aponta execuções extrajudiciais e violações do direito internacional em operações no Caribe e no Pacífico.

Da
Redação
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Operações militares americanas em curso no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental geram críticas de parlamentares internacionais e apreensão em comunidades costeiras.Reprodução/Pete Hegseth
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Um grupo formado por mais de 70 parlamentares de 13 países emitiu uma declaração conjunta para condenar os ataques militares realizados pelos Estados Unidos contra pequenas embarcações na América Latina. O documento, assinado por políticos de nações como Brasil, Colômbia, Estados Unidos e Argentina, aponta que as ações no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental resultaram em centenas de mortes classificadas como execuções extrajudiciais de civis.

As deputadas Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Ana Pimentel (PT-MG) representam o Brasil entre os signatários do manifesto internacional. Pelo lado norte-americano, o bloco conta com a participação da deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez. Os legisladores argumentam que não existem evidências de que os alvos representassem uma ameaça iminente que justificasse o uso de força letal, além de criticarem a ausência de identificação das vítimas e o desrespeito ao devido processo legal.

As operações navais americanas contra embarcações suspeitas de narcotráfico começaram em setembro de 2025. Dados oficiais compilados mostram que a ofensiva destruiu pelo menos 67 embarcações e deixou ao menos 221 mortos até uma interrupção temporária registrada em agosto de 2026. O governo dos Estados Unidos justificou formalmente ao Congresso que o país conduz um conflito armado contra cartéis de drogas, tratando os alvos como combatentes ilegais com base em uma orientação sigilosa do Departamento de Justiça.

Articulação internacional exige interrupção de ofensiva

A ofensiva militar passou a ser alvo de questionamentos frequentes por parte de organizações humanitárias e de parlamentares de diversas nacionalidades. O documento subscrito pelo bloco aponta que a estratégia adotada pelo governo norte-americano descumpre preceitos fundamentais do direito internacional e carece de transparência em relação aos critérios de atuação em águas internacionais.

Parlamentares reforçam que a falta de identificação das vítimas e a ausência de julgamentos prévios configuram graves violações aos direitos humanos. Para os signatários, a classificação dos alvos como combatentes ilegais serve apenas para contornar os mecanismos tradicionais de responsabilização jurídica e revisão judicial das ordens emitidas.

A cobrança conjunta também destaca que a política de segurança externa não tem alcançado o objetivo de desarticular o narcotráfico na região. Segundo o texto divulgado, o persistente avanço do mercado ilícito demonstra a ineficácia continuada de abordagens estritamente militares no combate ao fluxo de drogas.

Pescadores locais relatam medo e rotina alterada

Nas comunidades costeiras da Colômbia, a presença constante de patrulhas e o temor de novos bombardeios transformaram radicalmente o cotidiano dos trabalhadores do mar. Pescadores locais afirmam que a necessidade de garantir o sustento familiar exige viagens cada vez mais distantes da costa, ampliando o risco de exposição aos ataques navais na região.

Moradores da região costeira relataram à apuração que o receio de tornarem-se alvos por engano gerou um clima generalizado de tensão nas vilas pesqueiras. Trabalhadores locais apontam que a atividade de pesca artesanal passou a ser realizada sob estresse constante, afetando diretamente a quantidade de pescado obtida nas viagens diárias.

Depoimentos colhidos no litoral colombiano detalham que muitos barcos menores optam por permanecer próximos à margem para evitar riscos, embora essa escolha reduza drasticamente o rendimento financeiro das famílias. A situação de vulnerabilidade alimenta revolta e apreensão entre os habitantes que dependem exclusivamente dos recursos marítimos.

Governo americano sustenta tese de conflito armado

Em sua defesa formal apresentada ao Congresso dos Estados Unidos, a administração federal argumentou que o país atua dentro de um cenário legítimo de conflito armado contra cartéis internacionais de drogas. A justificativa legal apoia-se em entendimentos internos do Departamento de Justiça que autorizam o uso de força letal sem necessidade de autorizações judiciais específicas.

Críticos da política atual, incluindo legisladores democratas e republicanos moderados, questionam a validade dessa interpretação jurídica. Especialistas jurídicos apontam que o tratamento de suspeitos de crimes comuns como combatentes em guerra aberta abre um precedente perigoso para o direito humanitário internacional.

Apesar das pressões crescentes vindas do exterior e internamente, autoridades de defesa dos Estados Unidos mantêm a posição de que as ações navais são essenciais para conter o avanço de rotinas ilícitas na faixa marítima caribenha e no Pacífico Oriental.

Manifesto cobra transparência e fim da cumplicidade

O manifesto assinado pelos 72 legisladores encerra com um apelo direto para que governos de toda a América Latina deixem de prestar qualquer tipo de assistência logística ou institucional às operações navais conduzidas pelos Estados Unidos. O grupo promete utilizar prerrogativas parlamentares para fiscalizar acordos de cooperação.

Os signatários firmaram o compromisso de cobrar reparações e esclarecimentos oficiais sobre as centenas de mortes já registradas desde o início da ofensiva. A articulação pretende manter o tema na agenda legislativa internacional para evitar novas baixas civis em áreas de pesca.

A cobrança conjunta consolida uma das maiores frentes políticas globais contra a condução da política antidrogas norte-americana no continente, elevando a pressão diplomática sobre Washington nos próximos meses.

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