Mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido lesões cerebrais de diferentes gravidades após andarem na montanha-russa X2, localizada no parque Six Flags Magic Mountain, no sul da Califórnia, nos Estados Unidos. As novas alegações foram anunciadas por advogados civis durante uma coletiva de imprensa, após uma investigação expor ferimentos graves e mortes associados à atração radical, que foi fechada pela administração do parque no mês de julho.
A atração é amplamente conhecida por sua tecnologia de quarta dimensão, com assentos que giram 360 graus, quedas quase verticais e velocidades que chegam a atingir 130 km/h durante o percurso de aproximadamente dois minutos. Embora relatos de passageiros feridos remontem a mais de uma década, grande parte dos casos permaneceu sob sigilo ou restrita a acordos particulares até a recente repercussão em torno da segurança do brinquedo.
Os advogados afirmaram representar mais de 100 clientes que relatam traumas neurológicos nos últimos dois anos e destacaram que outros passageiros procuraram o escritório, mas enfrentam barreiras como o prazo de prescrição ou a falta de comprovantes médicos. Entre os casos detalhados estão o de Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos, que permanece em coma após passar por uma cirurgia cerebral de emergência, e o de Pamela Guillen, de 40 anos, que precisou reaprender a falar e a andar.
Novos processos detalham cirurgias e comas
Um terceiro processo ajuizado recentemente envolve o advogado Michael Wilk, que relatou ter sofrido um grave sangramento cerebral exigindo múltiplas cirurgias após utilizar a atração em fevereiro. Vítimas e representantes legais sustentam que a administração do parque tinha amplo conhecimento prévio sobre os riscos operacionais da montanha-russa e falhou ao permitir a continuidade das atividades.
A Six Flags tem apostado deliberadamente com a vida das pessoas. Nenhum brinquedo assim deveria ter permissão de existir”
Christopher Bulone, advogado civil
Os documentos apresentados à Justiça detalham que diversos frequentadores relataram sintomas severos de imediato após o término do percurso, culminando em internações hospitalares de urgência. Especialistas médicos consultados em laudos apontam que as forças de aceleração e desaceleração exercidas pelo equipamento são determinantes nos quadros traumáticos graves diagnosticados nos pacientes.
A repercussão jurídica ampliou o escopo das denúncias públicas, reunindo dezenas de depoimentos que antes circulavam apenas de forma isolada entre familiares e profissionais de saúde locais. A mobilização jurídica busca responsabilizar civilmente a corporação pelos danos permanentes causados aos frequentadores ao longo dos últimos anos de funcionamento.
Parque evita comentários e invoca alertas
Procurada para prestar esclarecimentos sobre as novas acusações formalizadas na justiça estadunidense, a administração da Six Flags recusou-se a comentar os processos em andamento. A empresa limitou-se a confirmar que o brinquedo permanece fechado por tempo indeterminado, sem estipular prazos ou divulgar um balanço interno sobre o incidente mais recente registrado no local.
Em contrapontos apresentados em litígios anteriores movidos por frequentadores e familiares de vítimas fatais, os representantes legais da empresa argumentaram que existem avisos visíveis na entrada alertando sobre os riscos inerentes à participação em atrações radicais. A defesa também sustentou que a estrutura passa por testes regulares e opera dentro de parâmetros técnicos considerados seguros para o público geral.
Meu cérebro tem dificuldade em processar as palavras e, por isso, a menos que seja extraordinariamente claro e alto, meu cérebro entende a palavra errada”
Michael Wilk, advogado e cliente afetado
Apesar dos argumentos corporativos apresentados em ações passadas, órgãos reguladores estaduais mantêm fiscalizações ativas e inspeções em andamento para apurar as condições reais de funcionamento do equipamento. A falta de respostas conclusivas por parte das agências reguladoras sobre vistorias anteriores alimenta cobranças por maior transparência e rigor na fiscalização de parques temáticos na região.
Histórico de acidentes eleva pressão regulatória
O fechamento da X2 ocorreu no mês de julho, quase um dia após o registro de mais um incidente grave nas dependências do complexo de diversões na Califórnia. O histórico da atração inclui registros de mortes e internações prolongadas que já haviam motivado questionamentos de autoridades médicas e familiares de frequentadores afetados em anos anteriores.
Representantes legais das vítimas apontam que diversos frequentadores comunicaram lesões diretamente à administração da empresa ao longo do tempo, sem que houvesse uma interrupção preventiva imediata das atividades. A opacidade na comunicação desses episódios às autoridades competentes é um dos pontos centrais abordados nas novas petições protocoladas nos tribunais locais.
A pressão pública exercida por associações de defesa do consumidor e escritórios de advocacia transformou o caso em um dos principais debates sobre a segurança em parques de diversões nos Estados Unidos. A expectativa jurídica agora se volta para os desdobramentos das ações coletivas e para a postura que os órgãos fiscalizadores adotarão diante das novas evidências médicas apresentadas.


