A campanha da ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede) protocolou um requerimento junto à Comissão Executiva Nacional do partido para solicitar um aporte financeiro suplementar de R$ 1,2 milhão do Fundo Eleitoral. O grupo argumenta que a distribuição atual dos recursos prejudica a competitividade da candidatura e aponta um tratamento desproporcional por parte da cúpula da legenda.
Inicialmente, a campanha recebeu R$ 1 milhão da legenda. No documento enviado à direção partidária, a equipe aponta que a soma do montante inicial com o valor pretendido representaria apenas 30% do teto de gastos estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral para o cargo de senador no estado de São Paulo.
O requerimento é assinado por Brazileu Margarido, coordenador-geral da campanha, que ressalta a trajetória política de Marina Silva. O texto destaca que a ex-senadora e atual deputada federal acumula passagens pelo Ministério do Meio Ambiente e foi candidata à Presidência da República, além de ser uma das principais fundadoras da Rede Sustentabilidade.
Aliados denunciam desigualdade nos repasses financeiros
Aliados da ex-ministra apontam uma disparidade expressiva na divisão dos recursos do fundo partidário entre diferentes nomes da legenda. A critério de comparação, a campanha aponta que outros quadros receberam quantias significativamente superiores para as suas respectivas disputas eleitorais.
Heloísa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, recebeu R$ 2,8 milhões da direção nacional. Já Luizianne Lins, que concorre ao Senado pelo Ceará, obteve R$ 2,2 milhões, enquanto o deputado federal André Janones, de Minas Gerais, também captou R$ 2,2 milhões do fundo.
Por outro lado, o valor de R$ 1 milhão inicialmente destinado a Marina foi equiparado ao montante repassado a candidatos a cargos proporcionais, como os postulantes a deputado estadual Lucas Lasmar e Magno Lavigne, e o candidato a deputado federal Thiago Ávila, em São Paulo.
Equipe aponta omissão e perseguição interna
Diante do cenário de disparidade financeira, a equipe da ex-ministra tentou negociar a revisão dos valores diretamente com a cúpula da legenda, mas afirma ter sido ignorada pelas lideranças. Integrantes do grupo político classificam a omissão como um reflexo de disputas internas.
A avaliação nos bastidores é de que a rigidez nos repasses e a falta de diálogo configuram mais um episódio de perseguição do atual comando do partido contra o grupo político liderado por Marina Silva. Até o momento, a Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade não se posicionou publicamente sobre o requerimento ou sobre as acusações de favorecimento.
Teto de gastos limita estratégia eleitoral
A argumentação jurídica e financeira apresentada pela coordenação enfatiza que a verba pretendida é fundamental para cobrir as despesas da reta final da campanha. Os organizadores reforçam que os recursos solicitados respeitam com margem os limites legais estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
O planejamento estratégico prevê a intensificação da presença da candidata em redutos eleitorais decisivos no território paulista até a data do pleito. Com o impasse financeiro, a continuidade das ações programadas depende de uma resposta oficial da Executiva Nacional da legenda.
Cúpula partidária silencia sobre requerimento
O silêncio da direção nacional da legenda diante do documento protocolado tem gerado forte mal-estar entre os apoiadores da fundadora do partido. A falta de justificativas formais para a disparidade nos repasses intensifica o clima de racha na reta decisiva da disputa.
Enquanto aguardam uma manifestação oficial, os integrantes da coordenação avaliam novos passos políticos e jurídicos para tentar assegurar a equidade na divisão dos recursos públicos de campanha antes do encerramento do prazo eleitoral.


