Rubio impõe condição a Cuba para liberar investimentos dos EUA

Secretário de Estado americano afirmou que o modelo de governança atual afasta capital estrangeiro e citou as barreiras impostas pela lei Helms-Burton

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Redação
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante declaração sobre a situação política e econômica de Cuba.Instagram/Reprodução
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (23/9) que Cuba precisa promover reformas estruturais e políticas para conseguir atrair investimentos estrangeiros. Durante declaração a jornalistas, o chefe da diplomacia americana pontuou que a liderança cubana dispõe de uma chance histórica para redirecionar o futuro institucional do país. Ao mesmo tempo, ele reforçou que Washington mantém restrições comerciais firmes e destacou que a atual administração enxerga falhas profundas no modelo político vigente na ilha.

Segundo Rubio, embora exista interesse latente de companhias e investidores internacionais em participar de uma eventual abertura de mercado, o cenário regulatório atual impede qualquer aporte seguro. O secretário ressaltou que, sob o modelo de governança vigente, nenhum agente econômico racional arriscaria capital em território cubano.

Exigência de reformas estruturais

Durante seu pronunciamento, o secretário de Estado avaliou que a economia da ilha sofre com a falta crônica de garantias jurídicas fundamentais para o setor privado. Ele questionou a lógica de alocar recursos em um ambiente onde as regras podem ser alteradas unilateralmente pelo poder público sem aviso prévio ou salvaguardas contratuais.

Para ilustrar a insegurança institucional, o diplomata apontou o receio legítimo de investidores internacionais diante da possibilidade de expropriação de ativos. “”, questionou.

Por que eu, uma pessoa de negócios de qualquer lugar, da Espanha, por exemplo, investiria US$ 10 milhões em Cuba se, daqui a dois anos, eles decidirem, por conta própria, mudar as regras, tomar o meu dinheiro e nunca me pagar?”

Marco Rubio

Barreiras da Lei Helms-Burton

Questionado sobre a eventual participação de corporações norte-americanas em processos de privatização na ilha, Rubio lembrou que o arcabouço jurídico dos Estados Unidos impõe limitações severas. A Lei Helms-Burton, aprovada pelo Congresso americano em 1996, estabelece travas comerciais rígidas e restringe de forma ampla as relações financeiras com o governo cubano.

Apesar disso, o chefe da diplomacia argumentou que as barreiras legais americanas não constituem o único obstáculo para o desenvolvimento comercial do país caribenho. De acordo com a avaliação oficial apresentada em Washington, Cuba mantém o direito de comerciar com outras nações, mas falha em atrair recursos justamente pela ausência de confiança institucional.

Papel da diáspora cubana

O representante do governo norte-americano também destacou o potencial estratégico da comunidade de expatriados que vive nos Estados Unidos e em diferentes regiões do mundo. Para a administração dos EUA, essa diáspora poderia atuar como um motor relevante em uma eventual transição econômica e modernização produtiva da ilha.

Apesar de enxergar potencial nessa articulação externa, o secretário ponderou que qualquer cooperação efetiva permanece travada enquanto persistirem os atuais entraves políticos internos. Até o momento, segundo o Departamento de Estado, nenhuma proposta concreta de atuação corporativa de empresas dos EUA foi formalizada para operar no mercado cubano.

Repercussão na Assembleia da ONU

As declarações do secretário de Estado foram proferidas logo após a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. No evento internacional, o mandatário norte-americano classificou o governo de Havana como um Estado falido e reiterou que a liberdade política acabará alcançando a população local.

A postura diplomática reforça a manutenção de sanções econômicas de longo prazo, ao mesmo tempo em que a Casa Blanca tenta pontuar apoio pontual a empreendedores independentes locais. Contudo, o endurecimento do discurso político atual sinaliza que qualquer reaproximação comercial ampla dependerá estritamente de mudanças profundas no comando institucional de Cuba.

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