A qualidade do ar em Manaus atingiu um nível péssimo na manhã desta quarta-feira (23), deixando a capital amazonense encoberta por uma densa camada de fumaça. O cenário crítico decorre de queimadas registradas em diferentes áreas da Amazônia, com forte concentração em municípios da Região Metropolitana de Manaus e no leste do estado. Pesquisadores apontam que a poluição na região tem superado os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde desde o início de setembro.
Aplicativo aponta índices críticos
O monitoramento em tempo real realizado pelo aplicativo SELVA, desenvolvido pela Universidade Estadual do Amazonas para rastrear dados meteorológicos e ambientais, registrou diversos pontos da capital com o pior nível de qualidade do ar. A ferramenta também apontou situação idêntica em Manacapuru e Manaquiri. Outras localidades vizinhas, como Iranduba, Careiro e Itacoatiara, figuraram com índices classificados como muito ruins.
Especialistas explicam que o avanço do fogo tem sido agravado por condições atmosféricas adversas na região norte. O pesquisador Newton Monteiro, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, destaca que o atual episódio do fenômeno El Niño alterou o padrão habitual dos ventos, criando uma barreira natural que dificulta a dispersão dos poluentes sobre Manaus e cidades vizinhas.
Diante do agravamento da situação, a administração municipal informou que mantém equipes de fiscalização e monitoramento ambiental em atuação constante. O uso de drones pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima tem auxiliado na identificação de novos focos e na tentativa de conter a propagação de chamas na zona urbana e rural.
Fogo cresce na região metropolitana
Dados consolidados pelo IPAM demonstram um crescimento expressivo nas áreas afetadas pelo fogo em municípios da periferia de Manaus ao longo dos últimos meses. Em Manacapuru, cerca de 2 mil hectares de vegetação foram destruídos pelas chamas, o que representa um aumento de 293% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Iranduba, a alta registrada foi de 212% na área degradada.
O histórico de estiagem severa na Região Amazônica costuma intensificar o período crítico de queimadas, comprometendo severamente o ecossistema local e a saúde da população urbana. As autoridades ambientais seguem mapeando os principais vetores de fumaça que continuam a alimentar a névoa densa sobre a capital.
A recorrência desses episódios exige ações integradas de prevenção entre os governos municipais e estaduais. Enquanto o monitoramento por satélite e tecnologia de solo tenta rastrear novas ocorrências, a população lida diretamente com os reflexos da poluição atmosférica severa.
Confira na tabela abaixo a situação da qualidade do ar em alguns dos municípios afetados:
Fonte: IPAM e SELVA
| Veja como fica a classificação | |
|---|---|
| Município | Classificação do Ar |
| Manaus | Péssimo |
| Manacapuru | Péssimo |
| Manaquiri | Péssimo |
| Iranduba | Muito ruim |
| Careiro | Muito ruim |
| Itacoatiara | Muito ruim |
Saúde pública em alerta máximo
A Secretaria Municipal de Saúde emitiu orientações severas para reduzir os impactos da fumaça tóxica sobre os moradores da capital. A recomendação principal é que grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças respiratórias ou cardíacas, evitem ao todo a exposição prolongada e suspendam atividades físicas ao ar livre.
Entre os sintomas mais comuns associados à inalação intensa de fumaça estão tosse persistente, irritação na garganta, ardência nos olhos, coriza e chiado no peito. Em casos graves, a falta de ar exige atendimento médico imediato nas unidades de pronto atendimento ou acionamento do serviço de emergência.
Para mitigar os danos em situações de circulação inevitável, as autoridades aconselham o uso de máscaras com capacidade de filtragem adequada, a exemplo do modelo N95. A hidratação constante e a lavagem dos olhos e do nariz também compõem o protocolo básico de proteção individual.
Ações de combate e prevenção
A Prefeitura de Manaus reforçou que o plano de contingência envolve a atuação conjunta de órgãos de saúde, meio ambiente e defesa civil. A fiscalização em áreas de risco foi intensificada para coibir novas práticas ilegais de queima de vegetação que alimentam a poluição na atmosfera urbana.
Ainda assim, especialistas reforçam que o controle efetivo depende de uma combinação entre repressão aos crimes ambientais e reversão das condições climáticas adversas. A estiagem prolongada continua a ser o principal catalisador para a propagação rápida dos focos de incêndio na floresta.
A população pode acionar canais oficiais de denúncia ao identificar focos de incêndio suspeitos nas proximidades de áreas urbanas. A participação civil e o monitoramento contínuo são apontados como ferramentas essenciais para reduzir os danos ecológicos e humanos durante o período crítico na Amazônia.


