A oposição da opinião pública americana ao conflito com o Irã se intensificou de maneira expressiva, conforme aponta uma nova pesquisa realizada pela emissora CNN em parceria com o instituto SSRS. Quase dois terços dos entrevistados afirmam que os Estados Unidos não estão vencendo a guerra, enquanto uma parcela ainda maior avalia que o presidente Donald Trump não está adotando medidas suficientes para encerrar as hostilidades na região.
Os dados do levantamento foram divulgados publicamente no mesmo dia em que o chefe da Casa Blanca discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, ocasião em que reiterou que o governo iraniano não pode obter armas nucleares. Quase sete meses após o início dos confrontos, amplas maiorias da população declaram que a intervenção militar prejudicou os interesses nacionais e que o país não obteve retornos proporcionais aos custos financeiros e humanos envolvidos.
No total consolidado da pesquisa, apenas 29% dos adultos americanos aprovam a maneira como Trump conduz a política externa, registrando o menor índice nas medições do veículo durante os mandatos presidenciais dele, ao passo que 71% desaprovam. Além disso, a proporção de cidadãos que enxergam as decisões internacionais recentes como prejudiciais à imagem global do país supera com folga a parcela dos que as consideram benéficas.
Queda no apoio republicano evidencia divisão interna
Um dos aspectos mais chamativos da pesquisa é a retração significativa do respaldo ao governo entre os próprios eleitores conservadores. Em março, logo após o início das hostilidades, 73% dos republicanos aprovavam a maneira como Trump lidava com a situação no Irã, índice que agora recuou para 60% entre os partidários da legenda.
A desaprovação se concentra especialmente entre os adultos republicanos com menos de 45 anos, onde 53% reprovam a gestão do tema, e entre aqueles que afirmam não integrar o movimento Make America Great Again, registrando 54% de rejeição. Por sua vez, o eleitorado democrata e o grupo de independentes mantêm postura consistentemente crítica, com índices de oposição quase unânimes ao longo de todo o período do conflito.
O desgaste na base de apoio também atinge os integrantes do chamado gabinete de guerra do governo federal norte-americano. O secretário de Estado Marco Rubio obteve 40% de aprovação geral, o vice-presidente JD Vance registrou 36% e o secretário de Defesa Pete Hegseth ficou com 34%, evidenciando divisões internas na coalizão governista em relação aos nomes indicados para a gestão da crise.
Percepção de conflito prolongado gera pessimismo generalizado
O levantamento aponta ainda que três quartos da população adulta acreditam atualmente que o presidente norte-americano não possui um plano claro para lidar com o cenário no Oriente Médio. Cerca de 78% dos entrevistados reforçam que a administração federal falha em realizar esforços adequados para buscar uma saída diplomática ou militar definitiva para o conflito.
Cerca de sete em cada dez participantes consideram provável que a guerra se estenda por muito mais tempo, sendo que um terço da amostra classifica um prolongamento como muito provável. Essa avaliação pessimista cruza diferentes espectros partidários, embora os partidários mais fieis do governo ainda mantenham a convicção de que os Estados Unidos sairan vitoriosos.
No balanço geral sobre os impactos da intervenção, 76% dos entrevistados declaram que a guerra não valeu a pena, ponderando o volume de vidas americanas perdidas e o impacto econômico direto sobre os cofres públicos do governo federal, o que amplia a pressão política sobre a Casa Branca a médio prazo.
Mudanças na avaliação de aliados tradicionais no exterior
Além da situação específica no Irã, a pesquisa monitorou como a população dos Estados Unidos enxerga outros atores geopolíticos relevantes. A parcela de cidadãos que considera a Ucrânia uma aliada ou um país amigo sofreu retração, passando de 76% em janeiro para os atuais 70% registrados no levantamento recente.
O impacto da política externa também se refletiu na relação com o Canadá, após recentes impasses comerciais e tarifas impostas pela administração norte-americana. A proporção de americanos que consideram o país vizinho um aliado recuou de 51% para 38%, com maior intensidade de queda entre os eleitores filiados ao Partido Republicano.
Por fim, a percepção em relação a Israel também apresentou variações importantes, com a parcela que classifica o governo israelense como inimigo subindo para 15%, o dobro do patamar observado no início do ano passado. Essa mudança de percepção concentra-se principalmente entre eleitores jovens e democratas.
Metodologia e margem de erro da pesquisa nacional
A coleta de dados que embasou o levantamento jornalístico foi conduzida pelo instituto SSRS por meio de entrevistas realizadas tanto pela internet quanto por telefone. O trabalho de campo ocorreu entre os dias 16 e 17 de setembro, abrangendo uma amostra representativa de âmbito nacional.
Participaram da pesquisa 1.206 adultos americanos selecionados por meio de amostragem aleatória. De acordo com os parâmetros técnicos divulgados pelos responsáveis pelo estudo, os resultados obtidos possuem margem de erro estimada em mais ou menos 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos em relação ao total da amostra geral.
Esses indicadores estatísticos consolidam a série histórica de pesquisas conduzidas durante os dois mandatos presidenciais, oferecendo um retrato detalhado sobre o impacto político e social das decisões de política externa tomadas pela administração atual em Washington.


