Pesquisa mostra rejeição de religiosos à política nas igrejas

Estudo do Iser com a Quaest ouviu 15 mil eleitores e também mediu orientação de voto, diferenças entre igrejas e circulação de conteúdo político em grupos religiosos

Da
Redação
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Pesquisa mostra que maioria é contra misturar religião com políticaReprodução
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A pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest, aponta ampla rejeição à presença da política institucional dentro de igrejas e outros espaços religiosos. Oito em cada dez entrevistados disseram ser contrários à discussão política nesses ambientes.

A resistência cresce quando a pergunta envolve a presença de candidatos: nove em cada dez rejeitam que lideranças religiosas permitam a entrada de políticos nas igrejas com finalidade eleitoral. O levantamento ouviu 15 mil eleitores presencialmente em todas as regiões do país.

O estudo foi realizado entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro, tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.

Rejeição atravessa grupos religiosos

A pesquisa avaliou a relação entre religião, participação política e comportamento eleitoral em diferentes segmentos, entre eles católicos praticantes, católicos não praticantes, pentecostais, protestantes e evangélicos sem igreja.

Os resultados divulgados indicam que a rejeição à presença de candidatos nos templos permanece em patamares numericamente semelhantes entre católicos, evangélicos e pessoas de outras religiões.

O projeto foi estruturado para produzir uma base nacional sobre como tradições religiosas influenciam valores, visões de mundo e percepções sobre temas centrais da vida democrática. O Instituto Ibirapitanga registra apoio de R$ 400 mil à realização da pesquisa, com previsão de disponibilização dos dados em plataforma digital aberta.

A base pública completa ainda não aparece disponível nas páginas indexadas do Iser ou da Quaest. Por isso, os resultados que exigem recortes específicos devem ser apresentados apenas quando o universo e a pergunta estão claramente identificados.

Lideranças orientaram votos em 2022

O levantamento também perguntou aos entrevistados se receberam orientação de lideranças religiosas durante a eleição presidencial de 2022.

Na amostra geral, 11% disseram ter recebido indicação para votar em Jair Bolsonaro, enquanto 5% relataram orientação para votar em Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre protestantes, como batistas e presbiterianos, 20% afirmaram ter recebido recomendação de voto em Bolsonaro. Entre pentecostais, o percentual chegou a 23%.

Os recortes por segmento não devem ser colocados na mesma tabela da amostra total como se fossem equivalentes, porque representam universos diferentes.

Orientação de voto na amostra geral

Veja os números da pesquisa
Candidato indicadoEntrevistados que receberam orientação
Jair Bolsonaro11%
Luiz Inácio Lula da Silva5%
Fonte: Pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil — Iser/Quaest

Universal concentra maior influência

Entre os entrevistados ligados à Igreja Universal, 27% disseram ter recebido recomendação de voto em Bolsonaro e 12% relataram orientação a favor de Lula em 2022.

No mesmo grupo religioso, 26% afirmaram concordar que o pastor indique em quem votar. Esse percentual foi descrito pelos pesquisadores como aproximadamente o dobro da média geral.

A diferença mostra que a influência declarada das lideranças varia conforme a denominação e não pode ser resumida por uma única categoria de “voto evangélico”.

Lívia Reis, coordenadora da pesquisa no Iser, afirma que a igreja funciona como uma rede de confiança capaz de influenciar o voto também pelas informações que circulam dentro das comunidades.

“Não se trata de o pastor mandar e o fiel obedecer”.

Lívia Reis, coordenadora da pesquisa Religião e Vida Pública no Iser

Orientação entre fiéis da Universal

Veja os números da pesquisa
Candidato indicadoFiéis que receberam orientação
Jair Bolsonaro27%
Luiz Inácio Lula da Silva12%
Fonte: Pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil — Iser/Quaest

Redes ampliam circulação política

A pesquisa também mediu a participação em grupos e comunidades religiosas nas redes sociais. Apenas um em cada cinco entrevistados afirmou fazer parte desses espaços virtuais.

Entre os participantes de grupos religiosos online, 48% disseram ver “sempre” ou “frequentemente” conteúdos políticos compartilhados por outros integrantes no Facebook.

No WhatsApp, 34% relataram a mesma frequência. Católicos praticantes, pentecostais e protestantes aparecem entre os grupos que mais relatam contato com esse tipo de conteúdo.

Os dados mostram que a influência política associada à religião não depende apenas do que é dito presencialmente nos templos; ela também circula por redes de confiança e grupos digitais formados em torno das comunidades religiosas.

Conteúdo político em grupos religiosos

Entenda os principais dados
PlataformaVeem conteúdo político sempre ou frequentemente
Facebook48%
WhatsApp34%
Fonte: Pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil — Iser/Quaest
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