O Rússia Unida, partido ligado ao presidente Vladimir Putin, venceu a eleição parlamentar russa e ampliou sua vantagem na apuração oficial deste domingo (20). Com 13,88% dos votos contabilizados, a legenda governista aparecia com 57,54% nas listas partidárias, acima dos 49,4% indicados pelo boca de urna divulgado mais cedo.
O resultado mantém o partido de Putin como força dominante na Duma Estatal, a Câmara Baixa do Parlamento russo. A contagem ainda estava em andamento, por isso a distribuição definitiva das 450 cadeiras e os percentuais finais dependiam da conclusão da apuração oficial.
Partido de Putin amplia vitória
O Rússia Unida chegou à eleição com ampla maioria parlamentar e confirmou novamente a liderança nacional. Os primeiros dados oficiais colocaram o partido mais de 40 pontos percentuais à frente do Partido Comunista, que aparecia na segunda posição.
Com 13,88% das urnas contabilizadas, o Partido Comunista registrava 13,67%, o Partido Liberal Democrático da Rússia tinha 9,27%, Nova Gente aparecia com 7,96% e Rússia Justa somava 5,16%.
O avanço de 49,4% no boca de urna para 57,54% na apuração oficial foi a principal atualização em relação à primeira projeção divulgada no fim da votação. O resultado parcial reforçou a expectativa de que o Rússia Unida preserve o controle da Duma.
A legenda governista já ocupava mais de dois terços das cadeiras na legislatura de 2021 a 2026, situação que permitia aprovar leis e mudanças constitucionais sem depender de alianças com outros partidos.
Duma tem 450 cadeiras
A eleição para a Duma combina dois sistemas. Metade das cadeiras é distribuída proporcionalmente conforme o desempenho das listas partidárias, enquanto as outras 225 são definidas por disputas em distritos eleitorais individuais.
Por isso, a porcentagem nacional obtida pelo Rússia Unida não se converte automaticamente no mesmo percentual de assentos. O tamanho final da bancada depende também do desempenho de seus candidatos nos distritos.
A participação eleitoral ficou acima de 56%, segundo dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central da Rússia. A votação foi realizada ao longo de três dias, entre 18 e 20 de setembro.
Oposição enfrentou restrições
A eleição ocorreu em um ambiente de forte controle político. O partido liberal Yabloko, que adotou posições contrárias à guerra na Ucrânia, foi retirado da disputa em lista partidária após decisão da Suprema Corte russa.
Organizações críticas ao Kremlin e opositores no exterior afirmam que a exclusão de candidaturas anti-guerra e a repressão à dissidência reduziram a competitividade do processo. O governo russo rejeita acusações de manipulação e sustenta que a eleição seguiu as normas nacionais.
A votação também ocorreu em territórios ucranianos ocupados e anexados pela Rússia, medida contestada pela Ucrânia e pela União Europeia. Moscou considera essas regiões parte de seu território, enquanto a maior parte da comunidade internacional não reconhece as anexações.
Guerra marca a eleição
O pleito foi o primeiro para a Duma desde a invasão em larga escala da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Putin apresentou a eleição como uma demonstração de unidade nacional e apoio às políticas adotadas durante a guerra.
O último dia de votação coincidiu com uma grande ofensiva ucraniana de drones contra território russo, inclusive Moscou. Autoridades russas relataram mortes, danos a edifícios e ataques contra infraestrutura energética.
A composição definitiva da nova Duma será conhecida após a conclusão da contagem oficial. Até lá, o fato consolidado é a vitória do Rússia Unida, partido de Putin, com ampla vantagem sobre os demais concorrentes nos primeiros resultados divulgados.


