Eliana de Lima completa 65 anos neste sábado (19) com uma trajetória que liga Carnaval, samba e pagode em quase cinco décadas de carreira. Nascida em São Paulo, a cantora e compositora começou a ganhar projeção ainda nos desfiles paulistanos, antes de se tornar conhecida nacionalmente por músicas que entraram no repertório do gênero.
Entre os sucessos associados à artista estão “Desejo de Amar”, “Volta pra Ela” e “Tô Fazendo Falta”. Ao longo dos anos, Eliana construiu uma carreira marcada por interpretações de samba-enredo, discos de pagode e aparições em programas de televisão.
Segundo a retrospectiva publicada pela CNN Brasil, a cantora acumulou dez discos e mais de dois milhões de cópias vendidas, além de três discos de ouro e dois de platina dupla. Esses números ajudaram a consolidar o título de rainha do pagode.
Antes da projeção nacional, porém, a história de Eliana já estava fortemente ligada ao Carnaval de São Paulo e ao espaço ocupado por mulheres nos microfones das escolas de samba.
Carnaval abriu caminho
Eliana começou sua trajetória artística no ambiente das escolas de samba paulistanas. Esse período foi decisivo para sua formação como intérprete e para a construção de uma presença vocal que depois seria reconhecida no pagode.
Ela esteve à frente de diferentes agremiações e ajudou a ampliar a presença feminina em uma função historicamente dominada por homens. Sua voz passou a fazer parte da identidade de desfiles importantes no Anhembi.
Entre as escolas mais associadas à cantora estão a Unidos do Peruche e a Leandro de Itaquera. Nessas passagens, Eliana interpretou sambas que permaneceram lembrados pelas comunidades e pelos admiradores do Carnaval paulistano.
A experiência na avenida também deu à artista contato direto com o repertório do samba e com públicos numerosos, servindo como base para a etapa seguinte de sua carreira musical.
Dueto com Jamelão virou marco
Um dos episódios mais lembrados ocorreu em 1988, quando Eliana de Lima dividiu o microfone com Jamelão em um desfile da Unidos do Peruche.
Naquele ano, a escola levou para a avenida o enredo “Filhos de Mãe Preta”. O encontro vocal entre Eliana e o intérprete da Mangueira se tornou um dos momentos mais citados de sua passagem pelo Carnaval.
No ano seguinte, a cantora também teve destaque na Leandro de Itaquera. As participações ajudaram a consolidar sua imagem como uma das vozes femininas de referência no samba-enredo de São Paulo.
Esse período antecedeu a fase em que a artista alcançaria um público mais amplo com discos e músicas voltadas ao pagode.
Pagode ampliou projeção nacional
Depois da experiência nas escolas de samba, Eliana ganhou espaço no mercado fonográfico e passou a ser reconhecida por um repertório próprio.
O verso “undererê” acabou se tornando uma das marcas mais associadas à cantora e ajudou a impulsionar sua popularidade em uma época de forte expansão do pagode romântico.
Com o crescimento da carreira, vieram discos, vendas expressivas e certificações. A artista passou a circular por programas de televisão, rádios e palcos de diferentes regiões do país.
O título de rainha do pagode passou a acompanhar Eliana nesse período e sintetiza a posição que ela conquistou entre as vozes femininas do gênero.
Televisão ampliou presença pública
A trajetória de Eliana também teve momentos importantes fora dos palcos. Em 2007, ela participou de uma edição do programa “Qual é a Música?”, apresentado por Silvio Santos.
Em 2013, a canção “A Xepa” foi escolhida como tema de abertura da novela “Dona Xepa”, exibida pela Record TV.
Dois anos depois, em 2015, a cantora participou do reality “Além do Peso”, exibido dentro do programa “Hoje em Dia”. Ela acabou sendo a segunda eliminada da competição.
Essas aparições ajudaram a manter a artista presente no imaginário popular mesmo em momentos em que o mercado do pagode já havia mudado em relação ao auge de sua carreira fonográfica.
Pioneirismo marcou trajetória feminina
A retrospectiva sobre os 65 anos de Eliana destaca também o papel da cantora na abertura de espaço para outras mulheres dentro do samba e do Carnaval.
Em um cenário no qual os principais intérpretes das escolas eram, em sua maioria, homens, Eliana assumiu funções de destaque e mostrou que mulheres também podiam conduzir sambas-enredo na avenida.
Esse pioneirismo se soma à carreira construída no pagode e ajuda a explicar por que sua trajetória é lembrada para além dos números de vendas ou das músicas de maior sucesso.
A presença feminina que hoje se vê com mais frequência em diferentes posições do Carnaval foi construída ao longo de décadas por artistas que enfrentaram barreiras e abriram espaço em estruturas tradicionais.
Legado segue ligado ao samba
Aos 65 anos, Eliana de Lima reúne uma história que passa por Carnaval, pagode, televisão e música popular brasileira. A artista permanece associada tanto aos sambas-enredo que interpretou quanto às canções que popularizou fora da avenida.
Seu repertório atravessou diferentes fases da música brasileira e ajudou a consolidar uma presença feminina forte em gêneros historicamente marcados por intérpretes homens.
A comemoração do aniversário também funciona como oportunidade para revisitar a importância de sua passagem pelas escolas de samba de São Paulo e a projeção que conquistou posteriormente no mercado fonográfico.
Entre a avenida e o pagode, Eliana construiu uma trajetória que permanece reconhecível por várias gerações e que continua ligada à memória afetiva de fãs do samba e da música popular.


