Duas ex-funcionárias de Julio Iglesias voltaram a pedir nesta sexta-feira, 18 de setembro, que a Justiça espanhola investigue acusações de agressão sexual, assédio e exploração laboral atribuídas ao cantor. As mulheres, identificadas publicamente pelos pseudônimos Rebeca e Laura, apresentaram uma nova queixa no início do mês e divulgaram uma carta aberta cobrando acesso efetivo à Justiça.
As acusações se referem a fatos que, segundo as denunciantes, teriam ocorrido em 2021 enquanto trabalhavam em propriedades de Iglesias na República Dominicana e nas Bahamas. A organização Women’s Link Worldwide, que representa as mulheres, afirma que os relatos podem envolver crimes contra a liberdade sexual, direitos trabalhistas, integridade física e eventual tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado.
Julio Iglesias nega as acusações. O cantor declarou anteriormente que as afirmações são falsas e rejeitou ter abusado, coagido ou desrespeitado mulheres. Não há condenação contra ele nesses fatos, e a nova queixa ainda precisa passar pela análise judicial sobre abertura de investigação.
Queixa retoma caso arquivado
Rebeca e Laura haviam levado os relatos à Procuradoria da Audiência Nacional em janeiro de 2026. Em 23 de janeiro, o Ministério Público arquivou a denúncia por entender que a Espanha não tinha jurisdição para investigar fatos ocorridos fora do território nacional.
A decisão não julgou o mérito das acusações. Segundo a Women’s Link, o arquivamento se concentrou na questão de competência territorial e não impediria a apresentação de novas medidas em outras instâncias.
Em 3 de setembro, as duas mulheres apresentaram uma querella, modalidade de ação penal espanhola, perante a seção de instrução do Tribunal Central de Instância. O pedido busca uma avaliação judicial direta sobre a abertura de investigação.
A nova etapa não representa uma condenação nem confirma os fatos denunciados; ela busca convencer um tribunal espanhol de que há base jurídica para apurá-los.
| Data e Etapa do caso | |
|---|---|
| Data | Etapa do caso |
| 5 de janeiro de 2026 | Primeira denúncia apresentada à Procuradoria da Audiência Nacional |
| 23 de janeiro de 2026 | Procuradoria arquiva o caso por entender que faltava jurisdição espanhola |
| 3 de setembro de 2026 | Rebeca e Laura apresentam nova queixa judicial |
| 9 de setembro de 2026 | Women’s Link envia comunicação urgente a seis mecanismos especiais da ONU |
| 18 de setembro de 2026 | Denunciantes divulgam nova cobrança pública por investigação |
Fonte: Women’s Link Worldwide.
Mulheres relatam violência e coerção
De acordo com a nova queixa, as ex-funcionárias afirmam ter sofrido assédio e agressões sexuais contínuas, além de condições de trabalho que classificam como forçadas e degradantes.
Na denúncia inicial, a Women’s Link afirmou que elas relataram jornadas de até 16 horas, ausência de dias de descanso e de contrato, restrições à saída das propriedades e fiscalização dos celulares. Esses pontos fazem parte das acusações apresentadas pelas mulheres e ainda dependem de apuração judicial.
A organização sustenta que o conjunto poderia se enquadrar, em tese, em crimes como tráfico de pessoas para trabalho forçado e servidão, delitos contra a liberdade sexual, lesões, tratamento degradante e violações aos direitos dos trabalhadores.
ONU recebe comunicação urgente
Em 9 de setembro, a Women’s Link informou ter enviado uma comunicação urgente a seis mecanismos especiais das Nações Unidas. Entre eles estão relatorias sobre violência contra mulheres, migração, formas contemporâneas de escravidão, independência judicial e tráfico de pessoas.
A organização pediu que os mecanismos cobrem da Espanha informações sobre como o país pretende garantir uma investigação independente e proteção às denunciantes, familiares e testemunhas.
O acionamento da ONU não substitui o processo espanhol e também não significa que os mecanismos tenham validado as acusações. Trata-se de uma medida de advocacy usada pela entidade para pressionar por análise e proteção institucional.
Defesa contesta todas as acusações
Iglesias já negou publicamente ter praticado abuso, coerção ou desrespeito contra qualquer mulher. A defesa pode contestar tanto a veracidade dos relatos quanto a competência dos tribunais espanhóis para examinar fatos atribuídos a propriedades fora do país.
A questão da jurisdição é central porque os acontecimentos descritos pelas mulheres teriam ocorrido na República Dominicana e nas Bahamas. A Women’s Link argumenta que a legislação espanhola permite processar determinados crimes cometidos no exterior por cidadãos espanhóis quando existem vínculos relevantes com a Espanha.
A decisão caberá ao tribunal responsável por examinar a nova queixa. Até que haja abertura formal de investigação ou decisão posterior, o caso permanece na fase de disputa sobre a possibilidade de apuração judicial.
As duas denunciantes afirmam que sua reivindicação principal é que os fatos sejam investigados e que tenham acesso a medidas de proteção. O cantor, por sua vez, mantém a posição de que as acusações são falsas.


