Censo expõe distância educacional e habitacional entre brasileiros com e sem deficiência

IBGE aponta analfabetismo de 21,3% entre pessoas com deficiência e maior presença desse grupo em domicílios sem banheiro ou conexão à rede de água

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Redação
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IBGE aponta analfabetismo de 21,3% entre pessoas com deficiência e maior presença desse grupo em domicílios sem banheiro ou conexão à rede de água
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O Censo Demográfico 2022 revela uma diferença profunda nas condições de educação e moradia entre brasileiros com e sem deficiência. Entre as pessoas com deficiência de 15 anos ou mais, 21,3% eram analfabetas, taxa mais de quatro vezes superior aos 5,2% registrados entre aquelas sem deficiência na mesma faixa etária. O levantamento também mostra que a presença de moradores com deficiência aumenta proporcionalmente em domicílios com condições sanitárias mais precárias.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2,9 milhões de pessoas com deficiência de 15 anos ou mais não sabiam ler ou escrever ao menos um bilhete simples em 2022. Quase metade desse contingente, 48%, vivia na Região Nordeste, enquanto 27,7% estava no Sudeste.

Os dados habitacionais acrescentam outra dimensão à desigualdade. Em 16% dos domicílios particulares permanentes ocupados havia pelo menos um morador com deficiência. Essa proporção subia para 19,3% entre casas sem banheiro nem sanitário e chegava a 20,8% nos domicílios que tinham apenas sanitário ou buraco para dejeções.

Educação revela diferença ampla

O contraste educacional não se limita à alfabetização. Entre as pessoas de 25 anos ou mais com deficiência, 63,1% não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental. Entre as pessoas sem deficiência da mesma faixa etária, a proporção era de 32,3%.

Também havia diferença na conclusão da educação básica. Apenas 25,2% das pessoas com deficiência de 25 anos ou mais tinham completado ao menos o ensino médio, contra 53,4% entre aquelas sem deficiência.

No ensino superior, a distância permanecia. O Censo registrou diploma universitário para 7,4% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais, ante 19,5% no grupo sem deficiência.

O IBGE destaca que a estrutura etária ajuda a explicar parte do analfabetismo mais elevado, porque a população com deficiência concentra proporcionalmente mais idosos, grupo que historicamente teve menor acesso à escola. Mesmo assim, diferenças importantes persistem entre os jovens. Na faixa de 15 a 17 anos, a taxa de analfabetismo era de 11,2% entre pessoas com deficiência e de 0,8% entre aquelas sem deficiência.

Indicador educacional, Com deficiência e Sem deficiência
Indicador educacional Com deficiência Sem deficiência
Analfabetismo, 15 anos ou mais 21,3% 5,2%
Sem instrução ou fundamental incompleto, 25 anos ou mais 63,1% 32,3%
Educação básica concluída, 25 anos ou mais 25,2% 53,4%
Ensino superior completo, 25 anos ou mais 7,4% 19,5%

Fonte: IBGE.

Moradia amplia as desigualdades

O retrato dos domicílios mostra que pessoas com deficiência estão mais presentes, proporcionalmente, em moradias com infraestrutura sanitária mais precária. A média nacional era de 16% dos domicílios com ao menos um morador com deficiência.

Nos imóveis com banheiro de uso exclusivo, esse percentual era de 15,9%. Quando havia apenas banheiro de uso comum a mais de um domicílio, a participação subia para 18,5%. Nos domicílios sem banheiro nem sanitário, chegava a 19,3%.

A maior proporção aparecia nas moradias com apenas sanitário ou buraco para dejeções, inclusive no terreno: 20,8%. O padrão indica que domicílios com piores condições de saneamento têm presença proporcionalmente maior de pessoas com deficiência.

Os indicadores sugerem que a deficiência e a precariedade habitacional se sobrepõem em parte importante da população, ampliando barreiras que vão além das limitações funcionais individuais.

Condição do domicílio e Com ao menos um morador com
Condição do domicílio Com ao menos um morador com deficiência
Total dos domicílios 16,0%
Banheiro de uso exclusivo 15,9%
Banheiro de uso comum 18,5%
Sem banheiro nem sanitário 19,3%
Apenas sanitário ou buraco para dejeções 20,8%

Fonte: IBGE.

Rede de água também diferencia

O acesso à rede geral de distribuição de água segue padrão semelhante. Entre os domicílios conectados à rede e que a utilizavam como principal forma de abastecimento, 15,7% tinham ao menos um morador com deficiência.

Nos imóveis ligados à rede, mas que dependiam principalmente de outra fonte de água, a proporção subia para 17,2%. Entre os domicílios sem qualquer ligação à rede geral, chegava a 18%.

O dado não significa que a deficiência seja causada pelas condições da moradia. Ele mostra uma associação entre dois tipos de vulnerabilidade que podem se acumular e criar obstáculos adicionais para mobilidade, higiene, saúde e autonomia.

Situação de abastecimento e Domicílios com morador com deficiência
Situação de abastecimento Domicílios com morador com deficiência
Ligação à rede e uso como fonte principal 15,7%
Ligação à rede, mas outra fonte principal 17,2%
Sem ligação à rede geral 18,0%

Fonte: IBGE.

Desigualdade exige políticas integradas

O Censo considera pessoa com deficiência aquela que declarou não conseguir realizar ou ter muita dificuldade permanente em pelo menos um dos domínios investigados: enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus, coordenação motora fina e funções mentais relacionadas à comunicação, autocuidado, trabalho ou estudo.

Esse conceito permite observar como barreiras educacionais, sociais e de infraestrutura atingem uma população heterogênea. Os resultados não indicam que todas as pessoas com deficiência vivem em situação de vulnerabilidade, mas mostram diferenças consistentes quando os grupos são comparados.

A dimensão regional reforça o contraste. No Nordeste, 19,5% dos domicílios tinham ao menos um morador com deficiência, maior proporção entre as grandes regiões. No Sul, eram 14,1%; no Centro-Oeste, 14,3%; no Sudeste, 14,7%; e no Norte, 17,8%.

Os números ampliam a base disponível para políticas públicas porque conectam deficiência a condições concretas de escolarização, saneamento e moradia. A leitura conjunta ajuda a identificar onde acessibilidade, educação inclusiva e infraestrutura básica precisam avançar de forma simultânea.

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