A guerra entre os Estados Unidos e o Irã deve provocar impactos diretos sobre a economia norte-americana, com previsão de aceleração dos índices de preços no primeiro trimestre de 2027. Uma análise do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) indica que o conflito adicionará aproximadamente 0,5 ponto percentual à inflação no período. A projeção ocorre em um momento de crescente preocupação da população local com os rumos da economia.
O relatório oficial foi divulgado em resposta a solicitações de membros democratas do Comitê de Orçamento da Câmara dos Representantes. Segundo a análise, a pressão inflacionária projetada decorre da redução nos embarques de petróleo e gás natural pelo Estreito de Ormuz, além das perturbações no transporte marítimo pelo Mar Vermelho. Essas interrupções nas rotas comerciais elevaram expressivamente os custos de energia no mercado internacional.
As estimativas foram apresentadas pela equipe técnica do CBO para detalhar as consequências fiscais e econômicas das operações militares no Oriente Médio. O documento reforça que o aumento das despesas energéticas continuará sendo o principal motor da inflação acumulada no início de 2027.
Gastos militares ultrapassam dezenas de bilhões
Além dos efeitos macroeconômicos, o CBO calculou os custos diretos da guerra para as cofres públicos. Até 1º de agosto de 2026, as despesas militares associadas ao conflito atingiram cerca de US$ 38 bilhões. A projeção do órgão não inclui os valores necessários para a reparação de instalações norte-americanas danificadas durante os combates no exterior.
A maior parte do montante foi destinada à reposição de arsenais e insumos bélicos utilizados durante a ofensiva. De acordo com os dados apresentados na carta ao Congresso, o custo para repor as munições gastas até o início de agosto foi estimado em US$ 21,7 bilhões. O órgão indicou que esse processo representa o maior componente isolado de gastos do Departamento de Defesa (DoD).
Do valor reservado às munições, US$ 13,1 bilhões são destinados a interceptores de defesa antimíssil, enquanto US$ 7,3 bilhões cobrem mísseis de cruzeiro de ataque terrestre. Outros US$ 1,2 bilhão correspondem a munições diversas. A estimativa do CBO é alinhada às informações prestadas ao Senado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que havia indicado US$ 37,5 bilhões em custos até 21 de julho.
Conflito exige orçamento mensal contínuo
Após a marca registrada em agosto, o CBO prevê que as operações continuarão gerando despesas recorrentes aos cofres norte-americanos. A estimativa é de que a guerra continue custando entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões por mês. Os valores podem ser maiores durante períodos em que houver intensificação dos combates.
Apesar da divulgação dos dados por categoria, a equipe do CBO ressaltou que não foi possível apresentar uma contabilidade consolidada e irrestrita sobre os custos globais da guerra. O órgão justificou que as estimativas baseiam-se em análises separadas, com métodos, períodos e graus de incerteza distintos, o que impede a soma direta de todos os números.
As recusas técnicas de consolidação também se referem à falta de dados definitivos sobre estruturas danificadas. O governo dos EUA avalia se vale a pena reconstruir determinados ativos afetados por ataques ou alterar sua presença estratégica no Oriente Médio.
Estoque de munição sofre redução drástica
A análise do CBO revelou um esgotamento severo nos arsenais militares das Forças Armadas dos Estados Unidos, em especial nas reservas de interceptores de defesa antimíssil. As conclusões corroboram levantamento do inspetor-geral do Pentágono, que apontou escassez crítica de mísseis nas Forças Armadas.
Especialistas em defesa alertam que o consumo elevado de insumos militares reduz a capacidade do país de responder prontamente a outro eventual conflito de grande proporção. De acordo com o CBO, a recomposição total dos estoques estratégicos exigirá um período estimado de cinco anos ou mais.
A falta de definição sobre o envio de novos recursos para a infraestrutura militar mantém o orçamento futuro sob incerteza. A autoridade financeira do Pentágono declarou que qualquer cálculo final dependerá das escolhas operacionais que a liderança tomar para a região.
Parlamentares debatem os custos do conflito
A divulgação da análise detalhada atendeu a pedidos da oposição democrata na Câmara dos Representantes, que cobra transparência quanto ao custo financeiro do envolvimento militar norte-americano no Irã. O deputado Brendan Boyle criticou publicamente o montante mobilizado na guerra e os impactos sobre o orçamento do país.
No âmbito governamental, o controlador do Pentágono, Jules Hurst III, indicou a jornalistas que a avaliação dos estragos em bases militares americanas no exterior segue sem um número final. Segundo ele, as decisões de recomposição física dependem de diretrizes sobre qual será a postura de defesa dos Estados Unidos no Oriente Médio a longo prazo.
Autoridades militares declinaram responder às solicitações formais de informação enviadas pelo CBO no tocante a inventários confidenciais. Essa falta de detalhamento mantém abertas as discussões parlamentares sobre os limites de gastos com o conflito no Irã.


