A Diamante Energia firmou nesta quarta-feira (16), em Viena, na Áustria, uma carta de intenções com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan). O objetivo do acordo é avaliar a implantação de um pequeno reator nuclear modular no Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, localizado em Santa Catarina.
A iniciativa integra uma estratégia de diversificação de fontes de geração no mesmo complexo industrial catarinense. Segundo a companhia, a proposta inicial restringe-se apenas a uma das usinas do complexo, descartando a substituição total do carvão ou o encerramento das atividades tradicionais na região sulista.
O modelo de cooperação internacional adotado é conhecido como Coal-to-Nuclear, focado na transição ou integração de estruturas movidas a carvão com a geração atômica. Entre as vantagens apontadas estão o reaproveitamento de infraestrutura já instalada, o uso de mão de obra especializada e a redução das emissões de poluentes.
Empresas avaliam diversificação energética sem abandonar o carvão mineral
A direção da companhia reforça que o carvão continua sendo considerado um combustível relevante para a segurança do sistema elétrico nacional. As reservas localizadas na região Sul do Brasil recebem destaque na estratégia de evolução do setor produtivo local.
A preservação da estrutura produtiva existente evita a perda de ativos essenciais para o abastecimento energético regional. Descomissionar as instalações tradicionais traria impactos diretos para toda a cadeia carbonífera e para os empregos mantidos no entorno.
Não vamos abandonar o carvão, que continua estratégico para a segurança energética e sustenta empregos e toda uma cadeia produtiva.”
Jorge Nemr, presidente do conselho da Diamante
O projeto corporativo também contempla a possibilidade de incluir a geração a gás natural no mesmo polo industrial. Dessa forma, a empresa busca reunir diferentes alternativas tecnológicas em um único espaço operacional estratégico.
Autoridade nuclear acompanha tratativas para licenciamento do projeto
No segmento atômico, a empresa conduz conversas com órgãos reguladores para avançar nas etapas de licenciamento do empreendimento. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear iniciou uma consulta formal para orientar os procedimentos necessários para a futura instalação.
O apoio técnico fornecido pela agência internacional servirá como base para subsidiar a decisão final sobre a implantação da tecnologia atômica. O documento assinado na Áustria formaliza essa cooperação após meses de debates conduzidos pelas entidades envolvidas.
As discussões técnicas buscam examinar viabilidades, desafios regulatórios e modelos operacionais adequados ao contexto brasileiro. O acompanhamento institucional garante que todas as normas de segurança sejam rigorosamente cumpridas ao longo do processo.
Os pequenos reatores modulares vêm sendo analisados em diversos países como uma alternativa para ampliar a oferta de energia firme, segura e de baixa emissão.”
Celso Cunha, presidente da Abdan
Não vamos abandonar o carvão, que continua estratégico para a segurança energética e sustenta empregos e toda uma cadeia produtiva.
Jorge Nemr, presidente do conselho da Diamante
Cooperação internacional inédita fortalece inovação no setor elétrico
A parceria firmada no exterior representa um marco histórico para o desenvolvimento de novas matrizes energéticas no país. Trata-se da primeira iniciativa conjunta formalizada entre a agência internacional e uma empresa privada nacional desde a fundação da entidade global.
Especialistas do setor destacam que os pequenos reatores modulares ganham espaço em diversos mercados internacionais como solução de baixa emissão. A tecnologia promete ampliar a oferta de energia firme sem comprometer as metas ambientais estabelecidas.
Os pequenos reatores modulares vêm sendo analisados em diversos países como uma alternativa para ampliar a oferta de energia firme, segura e de baixa emissão.
Celso Cunha, presidente da Abdan
Expectativa de expansão tecnológica impulsiona novos investimentos privados
Além da unidade catarinense, a corporação administra ativos termelétricos em outras regiões do país, ampliando sua presença no mercado energético. A estratégia de aquisições recentes demonstra o apetite da empresa por novos negócios no setor.
A futura integração de fontes limpas ao lado de estruturas tradicionais reflete a tendência de modernização do parque gerador nacional. O sucesso da iniciativa poderá abrir caminho para novos projetos semelhantes em outras usinas térmicas brasileiras.
O documento oficial foi validado pelas principais lideranças das três instituições envolvidas na missão oficial na Áustria. A continuidade dos estudos técnicos definirá os próximos passos operacionais do empreendimento nos próximos meses.


