O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, fez ressalvas à organização de eventos políticos com grandes nomes da música popular brasileira durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo exercendo o papel de coordenador da campanha petista no estado do Rio de Janeiro, o dirigente afirmou que não foi convidado para um ato com classe artística programado para ocorrer na Fundição Progresso, na capital fluminense.
Segundo o dirigente partidário, a mobilização de nomes históricos da cultura nacional, embora relevante, não tem eficácia na ampliação da base eleitoral. A avaliação ocorre em um momento de debates internos sobre os rumos da propaganda e das agendas públicas do partido no pleito presidencial de 2026.
A crítica explicita divergências estratégicas dentro da própria legenda quanto às prioridades de diálogo com o eleitorado. Para setores do partido, o foco deveria ser direcionado para públicos nos quais a resistência ao projeto governista permanece mais acentuada.
Foco na conquista de novos eleitores
Washington Quaquá argumentou que os artistas cotados para o evento no Rio de Janeiro já possuem posicionamento consolidado em favor do atual presidente. Em declarações prestadas nesta terça-feira, ele destacou que a prioridade da campanha deve ser a aproximação com segmentos sociais e culturais que ainda não apoiam o candidato.
O prefeito de Maricá exemplificou que o esforço de interlocução deveria focar em públicos e gêneros populares de grande alcance, como o meio gospel e o sertanejo. A tese defendida pelo dirigente é de que a construção política exige somar setores que ainda estão fora do arco tradicional da legenda.
A ponderação ocorre após uma sequência de manifestações públicas de apoio ao presidente em eventos culturais por todo o país. A conduta repete a dinâmica observada no pleito de 2022, quando personalidades da cultura também engajaram apoio à candidatura petista.
Manifestações recentes do setor cultural
Nos últimos dias, diferentes personalidades do meio artístico reiteraram voto no candidato do PT. O cantor Caetano Veloso fez o gesto com os dedos em referência ao presidente durante apresentação no Taguaparque, em Taguatinga, no Distrito Federal.
Não ganha 1 voto com isso. Não há dúvida de que Caetano, Chico e Bethânia são grandes artistas, mas eles já votam no Lula. Precisamos ganhar o voto de quem não vota nele. Do cantor gospel, do sertanejo. Política é agregar o que não tem”
Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT
Sua irmã, a cantora Maria Bethânia, também tornou público o apoio durante apresentação no Coala Festival, realizado no Memorial da América Latina, na cidade de São Paulo. Os dois nomes estão previstos na lista de convidados para a agenda na capital fluminense.
Além dos músicos, outras figuras expressivas da cena cultural declararam voto no presidente nas últimas semanas. Entre os nomes que manifestaram preferência estão o cineasta Kleber Mendonça Filho, a atriz Malu Mader e a cantora Daniela Mercury.
Queixas sobre a interlocução nacional
Além das ressalvas sobre os atos culturais, Quaquá externou insatisfação quanto ao fluxo de comunicação com o comando central da campanha. A coordenação nacional dos trabalhos está sob a responsabilidade do presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Pelas redes sociais, o dirigente fluminense relatou falta de integração com as instâncias decisórias do partido. Ele alegou que, embora tenha sido designado para coordenar o estado do Rio de Janeiro, a equipe local não tem sido ouvida nas deliberações estratégicas.
O desabafo expôs publicamente um ruído de comunicação entre a estrutura estadual e o núcleo diretivo da campanha presidencial. A situação gerou discussões sobre a necessidade de maior centralidade e alinhamento na tomada de decisões.
Avaliação sobre a estrutura de comunicação
As queixas de Quaquá encontram eco em ponderações feitas por congressistas do partido em relação ao setor de comunicação da campanha. Parlamentares têm apontado dificuldades na distribuição de dados de pesquisas e na definição de diretrizes claras para as bases.
A crítica interna atinge o formato de trabalho empregado pela equipe responsável pela estratégia de divulgação. Nos bastidores, dirigentes e parlamentares utilizam o termo analógico para definir o modus operandi da estrutura atual.
Diante desse quadro, integrantes da legenda cobram ajustes imediatos na condução do projeto nacional. A meta cobrada por correligionários é modernizar os instrumentos de propaganda e garantir sintonia entre a liderança nacional e as coordenações regionais.


