A University College London (UCL) abre no dia 17 de setembro a exposição “Two Centuries Here”, que celebra os 200 anos da instituição com um acervo que mistura curiosidades científicas, obras de arte e artefatos arqueológicos. A mostra ocupa a Octagon Gallery, na Gower Street, em Londres, e fica em cartaz até julho de 2027, com entrada gratuita.
Toupeiras em conserva ganhou status de mascote
Entre os objetos mais populares está um frasco de toupeiras em conserva, que se tornou uma das curiosidades mais queridas do museu da universidade. A história do recipiente é incerta, mas o item ganhou vida própria ao longo dos anos.
Segundo Tannis Davidson, chefe das Coleções de Zoologia e Ciências da UCL, o frasco atrai visitantes de longe e recebe cartões-postais de outros mascotes de museus do mundo todo. As pessoas fazem obras de arte inspiradas no pote de toupeiras, escrevem poemas e chegam a copiá-lo.
O frasco divide espaço com itens de valor histórico e científico, como os tubos de ensaio usados por William Ramsay, o químico que descobriu os gases nobres e se tornou o primeiro britânico a receber o Prêmio Nobel de Química.
As pessoas vêm de longe para vê-lo. Recebe cartões-postais de outros mascotes de museus do mundo todo”
Tannis Davidson, chefe das Coleções de Zoologia e Ciências da UCL
Passado eugenista é confrontado na mostra
A exposição não se limita a celebrar avanços. Um dos objetos apresentados é a Escala de Cor dos Olhos de Rudolf Martin, usada na década de 1920 para categorizar a cor dos olhos e a suposta origem racial de crianças judias migrantes em Londres.
O item integra a mostra como lembrança do envolvimento da UCL com a pesquisa eugênica, uma história que a universidade tem buscado confrontar nos últimos anos. A inclusão do artefato sinaliza uma tentativa de revisar o próprio percurso institucional, expondo práticas que hoje são amplamente rejeitadas pela comunidade científica.
Segundo Davidson, a escala era usada no Departamento de Eugenia para categorizar pessoas com base na cor dos olhos ou na raça. A chefe das Coleções de Zoologia e Ciências da UCL afirma que o pensamento eugênico é hoje reconhecido como pseudociência.
Acervo egípcio e arte feita por mulheres
O Museu Petrie de Arqueologia Egípcia e Sudanesa, uma das coleções mais importantes do Reino Unido dedicadas ao tema, emprestou à exposição o Shabti do Rei Taharqa, estatueta funerária datada de 664 a.C. A coleção do museu inclui ainda o vestido de Tarkhan, considerado a peça de vestuário tecida mais antiga do mundo ainda existente, e o Papiro Ginecológico de Kahun, antigo texto médico sobre a saúde da mulher.
Na área de artes visuais, a mostra reúne pinturas de Winifred Knights e Amy Nimir, duas das primeiras alunas da Slade School of Fine Art da UCL, ao lado de obras de Gwen John e Dora Carrington. Quase metade da coleção histórica da Slade é composta por trabalhos de artistas mulheres, legado da decisão da escola de admitir mulheres desde sua fundação, em 1871.
Isso era usado no Departamento de Eugenia para categorizar pessoas com base na cor dos olhos ou na raça, no pensamento eugênico que hoje sabemos ser pseudociência”
Tannis Davidson, chefe das Coleções de Zoologia e Ciências da UCL
Fundada em 1826 sob influência do filósofo Jeremy Bentham, a UCL se tornou, em 1878, a primeira universidade britânica a permitir que mulheres estudassem para obter diplomas junto com os homens — um marco que a exposição recupera por meio de seu acervo artístico.
Visitação gratuita até 2027
A exposição “Two Centuries Here” explora a história e a influência da UCL na sociedade por meio de fotografias, objetos, artefatos, histórias e experiências interativas. A visitação é gratuita e ocorre na Octagon Gallery, na Gower Street, em Londres, até julho de 2027.
Ao traçar a história da universidade por meio de suas coleções científicas, artísticas e arqueológicas, a mostra propõe uma leitura ampla do papel institucional. Os itens selecionados vão de descobertas científicas que ampliaram o conhecimento a registros de práticas hoje superadas.
O recorte curatorial evidencia tanto o pioneirismo da UCL quanto os episódios que exigem reflexão crítica, oferecendo ao público uma visitação que combina curiosidade, memória e revisão histórica.


