A Dinamarca acusou uma embarcação de guerra russa de lançar dois sinalizadores na direção de um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais próximas ao país na segunda-feira (14). Segundo as Forças Armadas dinamarquesas, um dos artefatos passou perto da aeronave Fennec, que cumpria uma missão de rotina.
O episódio elevou a tensão no Mar Báltico, área estratégica para a navegação comercial e militar. A primeira-ministra Mette Frederiksen classificou o caso como grave e o associou ao que descreveu como uma intensificação das ações híbridas da Rússia contra a Europa.
Helicóptero registrava fragata russa
O Comando de Defesa da Dinamarca informou que o Fennec realizava uma operação para fotografar a fragata russa quando os dois sinalizadores foram disparados. O comunicado foi divulgado na noite de segunda-feira.
Sinalizadores são artefatos pirotécnicos usados habitualmente como forma de alerta no mar. Ainda assim, as Forças Armadas afirmaram que um deles passou perto do helicóptero durante o voo.
O incidente ocorreu em águas internacionais próximas à Dinamarca, segundo as Forças Armadas do país. A Dinamarca integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar que reúne países europeus e norte-americanos.
Governo aponta escalada russa
Frederiksen afirmou que a ocorrência não a surpreendeu, embora tenha considerado o fato grave. Para a premiê, o caso se insere em um padrão de comportamento mais agressivo atribuído por Copenhague à Rússia.
A chefe de governo disse que Moscou tenta produzir temor e divisão. Ela também defendeu maior união entre os aliados europeus e o reforço das capacidades de defesa da Dinamarca e do continente.
Em termos gerais, ações híbridas são classificadas como formas de agressão que ficam abaixo do limiar de um ato formal de guerra. A acusação dinamarquesa ocorre em um momento de alerta reforçado na região desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
Chancelaria convoca embaixador russo
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, chamou o incidente de inaceitável e disse que a ação poderia ter colocado vidas humanas em risco. Ele anunciou a convocação do embaixador russo no país para uma reunião.
Segundo Rasmussen, a Dinamarca busca assegurar a passagem pacífica de toda a navegação por suas águas. No entanto, o ministro avaliou que a Rússia vem ampliando gradualmente os limites do que considera aceitável.
Até a divulgação das informações, a Embaixada da Rússia não havia respondido a um pedido de comentário sobre o caso. A Rússia também rejeitou anteriormente acusações relacionadas a incidentes no Báltico e negou repetidamente conduzir ataques híbridos na Europa.
Estreitos concentram rota estratégica
Os estreitos dinamarqueses formam a principal passagem marítima entre o Mar Báltico e outras rotas para embarcações comerciais e militares. Por isso, a segurança da região tem relevância direta para os países banhados pelo Báltico e para a Otan.
A área também funciona como corredor importante para o transporte global de petróleo. Isso inclui o tráfego associado à chamada frota fantasma russa, expressão usada para designar petroleiros empregados para contornar sanções ocidentais.
O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca havia relatado, no ano anterior, que navios de guerra russos navegaram repetidamente em rota de colisão com embarcações dinamarquesas. O órgão também citou o direcionamento de radares de rastreamento a helicópteros e navios do país, além de armas apontadas contra eles nos estreitos.


