Dino relata dificuldade para dormir
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que teve dificuldade para dormir por causa das preocupações relacionadas ao momento vivido pela Corte. A declaração ocorreu durante palestra na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís.
Dino contou que chegou à capital maranhense por volta das duas horas depois de um atraso no voo e foi se deitar às quatro. Mesmo cansado, disse que não conseguiu descansar por causa do ambiente institucional.
“Eu queria dormir e minha cabeça não deixava”, afirmou. Ao reproduzir um diálogo consigo mesmo, acrescentou: “Como que dorme com um barulho desse?”, numa referência indireta às tensões recentes no Supremo.
Ministro menciona dificuldades na Corte
Sem detalhar um episódio específico durante a palestra, Dino disse que “todo mundo sabe as dificuldades que a gente está vivendo”. A fala foi recebida como menção à crise envolvendo decisões e cobranças públicas entre ministros.
O magistrado retornou à UFMA, instituição na qual atuou como professor, e comparou a visita a uma situação de conforto. “Estar aqui é como você estar numa cama quentinha”, declarou aos participantes.
As afirmações combinaram tom pessoal e referência institucional. Dino não apresentou diagnóstico jurídico sobre os processos em curso, mas reconheceu publicamente que o conflito tem afetado a rotina e o ambiente da Corte.
Publicação mostra trecho da palestra
Um vídeo divulgado nas redes sociais registrou a fala do ministro no Maranhão. O conteúdo permite conferir diretamente o contexto, a entonação e as expressões utilizadas durante sua participação no evento acadêmico.
A publicação destaca o momento em que Dino descreve a tentativa de dormir. O registro também evita que a frase seja interpretada isoladamente, pois mostra o caráter informal adotado pelo palestrante.
A incorporação do vídeo é relevante porque as declarações ganharam repercussão política. Aliados e críticos do Supremo podem atribuir sentidos diferentes a uma fala feita fora de uma sessão judicial.
Crise se intensificou em setembro
A tensão aumentou após André Mendonça retirar o sigilo de documentos da Polícia Federal que mostraram conversas atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Mendonça levou ao plenário a possibilidade de investigar Moraes. O ministro citado reagiu com pedido de apuração sobre a conduta do colega, ampliando o conflito sobre competência, sigilo e acesso a documentos.
Edson Fachin, presidente do STF, assumiu a condução de procedimentos relacionados ao embate. A Presidência também passou a coordenar processos do Master e do INSS antes relatados por Mendonça.
Disputa alcançou comando da PF
A crise ganhou outra dimensão quando Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao questionar a produção de um relatório de inteligência da corporação.
Dino determinou a reintegração de Andrei ao cargo. Fachin depois suspendeu as decisões conflitantes, mantendo o diretor-geral na função e buscando interromper a sequência de ordens contraditórias dentro do tribunal.
Esse episódio colocou Dino diretamente no centro do conflito institucional. Sua manifestação na UFMA ocorreu poucos dias depois e refletiu, em linguagem pessoal, o peso das decisões recentes.
Plenário analisará os casos
O Supremo marcou para 15 de setembro a análise da possível investigação envolvendo Moraes. Outra sessão, prevista para o dia 23, tratará separadamente de questionamentos dirigidos a André Mendonça.
A divisão procura preservar objetos distintos e permitir exame organizado das acusações. Nenhuma sessão representa condenação prévia, e todas as pessoas envolvidas mantêm o direito ao contraditório e à presunção de inocência.
A declaração de Dino mostra que a crise ultrapassou os autos e alcançou o cotidiano dos ministros. A resposta institucional, entretanto, dependerá dos votos e fundamentos apresentados pelo colegiado.


