Mato Grosso inicia plantio de soja 2026/27 sob risco de El Niño

Primeiras áreas foram semeadas após chuvas localizadas, enquanto produtores tentam aproveitar a umidade e proteger a janela da segunda safra

Da
Redação
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Produtores de Mato Grosso iniciam a semeadura da soja 2026/27 após as primeiras chuvas da temporada.Colheitadeira trabalhando em uma plantação de soja em San Andrés de Giles, nos arredores de Buenos Aires, na Argentina, em 12 de maio de 2025.REUTERS/Martin Cossarini
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O plantio de soja em Mato Grosso começou nesta semana para a safra 2026/27, após as primeiras chuvas em áreas do Estado. A semeadura ainda alcança menos de 1% dos cerca de 13 milhões de hectares projetados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mas já mobiliza produtores preocupados com a regularidade das precipitações.

As primeiras frentes aparecem principalmente em lavouras irrigadas e em áreas de sequeiro que receberam volumes significativos de chuva. Por isso, agricultores antecipam os trabalhos para reduzir o risco de veranicos e preservar a janela de cultivo do algodão e do milho na segunda safra.

Produtores antecipam o plantio

O Imea registrou áreas semeadas no oeste de Mato Grosso, incluindo municípios como Campo Novo dos Parecis, Diamantino e Brasnorte. A movimentação, no entanto, permanece pontual e acompanha a distribuição irregular das chuvas.

Segundo Cleiton Gauer, superintendente do Imea, os produtores buscam acelerar o início dos trabalhos sempre que encontram umidade suficiente no solo. A estratégia atende especialmente agricultores que pretendem cultivar algodão ou milho após a colheita da soja.

Gauer afirmou que a antecipação não se limita às propriedades voltadas ao algodão. Produtores que planejam plantar milho na segunda safra também participam do movimento, já que o calendário da primeira cultura influencia diretamente o período disponível para a seguinte.

Chuvas avançam de forma irregular

As precipitações registradas nesta semana não atingiram todo o Estado. De acordo com o superintendente, algumas áreas receberam volumes expressivos, enquanto trechos próximos permaneceram secos.

Essa diferença pode aparecer mesmo em distâncias curtas. Gauer relatou que havia água acumulada em determinadas lavouras, mas o solo voltava a apresentar falta de umidade poucos quilômetros adiante.

O produtor está antecipando, aproveitando a chuva do cedo”

Cleiton Gauer, superintendente do Imea

Assim, o avanço inicial do plantio depende mais das condições locais do que de uma mudança uniforme no padrão climático de Mato Grosso. A distribuição das próximas chuvas deve definir a velocidade da semeadura nas diferentes regiões.

El Niño encurta a janela

O possível impacto do El Niño está entre as principais preocupações para a temporada. O fenômeno pode favorecer a interrupção antecipada das chuvas na região central do país, reduzindo o período disponível para o desenvolvimento das culturas.

Por isso, alguns agricultores aproveitam as primeiras precipitações para iniciar a semeadura antes que novos períodos secos apareçam. A decisão busca diminuir a exposição da soja e das culturas de segunda safra a uma janela climática mais curta.

Gauer avaliou que o cenário não deve provocar problemas generalizados para a soja em Mato Grosso. Ainda assim, ele espera efeitos concentrados, com algumas regiões enfrentando mais dificuldades do que outras.

Plantio ganha força em outubro

O avanço mais significativo do plantio é esperado para a primeira quinzena de outubro. Até lá, a entrada de novas chuvas poderá ampliar as áreas aptas à semeadura e acelerar o ritmo das operações.

A diferença entre lavouras irrigadas e de sequeiro tende a permanecer relevante no começo da temporada. Enquanto a irrigação permite maior controle sobre a disponibilidade de água, as áreas sem irrigação dependem da ocorrência e da regularidade das precipitações.

O calendário da soja também afeta as culturas seguintes. Em Mato Grosso, o Estado líder na produção nacional de soja, milho e algodão concentra boa parte dessas atividades na segunda safra, depois da retirada da oleaginosa.

Se o El Niño forte perdurar, a nossa preocupação fica por conta da janela de chuvas”

Cleiton Gauer, superintendente do Imea

Imea projeta queda na produção

O Imea estima que a produtividade média da soja recue 5,4% em relação ao ciclo anterior. Ao mesmo tempo, a área plantada deve crescer ligeiramente.

Mesmo com a expansão territorial, a combinação entre menor rendimento e condições climáticas mais desafiadoras pode levar a produção estadual para cerca de 49 milhões de toneladas.

As projeções ajudam a dimensionar o efeito potencial do clima sobre a safra. No entanto, o resultado final dependerá do comportamento das chuvas ao longo do ciclo e da distribuição dos impactos entre as regiões produtoras.

Vendas antecipadas avançam

A comercialização antecipada da soja 2026/27 avançou em agosto, segundo dados divulgados pelo Imea. As vendas alcançaram 39% da safra projetada, acima da média histórica de 30,55% para o período.

Os produtores têm buscado fixar preços considerados mais favoráveis antes do desenvolvimento completo da nova safra. Ainda assim, o ritmo de comercialização não alterou, até o momento, a intenção de plantio em Mato Grosso.

Para o milho, a preocupação climática é maior. A permanência de um El Niño forte pode reduzir a janela de chuvas e pressionar a produtividade da segunda safra, especialmente se as precipitações terminarem antes do padrão esperado.

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