Evento republicano nos EUA registra gritos de violência contra democratas

Manifestações ocorreram durante discurso do senador Ted Cruz em convenção do Partido Republicano para as eleições de meio de mandato

Da
Redação
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Evento republicano nos Estados Unidos teve gritos de violência durante críticas do senador Ted Cruz a três democratas.Kevin Dietsch/Getty Images
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Gritos defendendo que políticos democratas levassem um tiro foram ouvidos na noite de quinta-feira (10), durante uma convenção do Partido Republicano nos Estados Unidos. As manifestações ocorreram enquanto o senador do Texas Ted Cruz criticava três democratas ligados às eleições de meio de mandato.

Cruz citou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, o candidato ao Senado por Michigan Abdul El-Sayed e o candidato ao Senado pelo Texas James Talarico. Após cada menção, a transmissão registrou a frase “ele deveria levar um tiro”. Não ficou claro se o senador ouviu os gritos.

Gritos surgem durante o discurso

O episódio ocorreu no segundo dia de discursos da convenção republicana. Cruz usou a fala para atacar posições políticas atribuídas aos três democratas e pediu que os republicanos levassem a sério declarações anteriores dos adversários.

Depois da menção a Mamdani, El-Sayed e Talarico, os gritos foram ouvidos repetidamente na transmissão. O material também registra que representantes de Cruz e do Comitê Nacional Republicano não responderam de imediato a pedidos de comentário.

O evento aconteceu em um momento de forte disputa política nos Estados Unidos, com os partidos se preparando para as eleições de meio de mandato. As manifestações, no entanto, foram além da crítica política e defenderam violência contra adversários identificados nominalmente.

Cruz critica três democratas

Ao falar de Mamdani, Cruz citou um discurso de 2021 no qual o político discutiu o objetivo de tomar os meios de produção. Durante a campanha para a Prefeitura de Nova York, em 2025, um porta-voz de Mamdani afirmou que o programa de governo dele não previa essa medida.

As críticas a El-Sayed se basearam em uma entrevista concedida em 2009 ao The New York Times. Na ocasião, quando ainda era estudante de medicina, El-Sayed disse sentir uma obrigação de seguir a lei islâmica, a Sharia, ao comprar sua primeira casa.

Cruz também citou uma declaração atribuída a Talarico em 2020, segundo a qual o capitalismo precisava ser “desmantelado”, assim como a supremacia branca e as mudanças climáticas. Após a repercussão, a campanha do democrata afirmou que ele é um “capitalista orgulhoso”.

Candidato condena manifestações

Mike Rogers, republicano que disputa a eleição contra El-Sayed, condenou os comentários por meio de um porta-voz. Segundo o comunicado, Rogers rejeita as manifestações e toda forma de violência política.

Espero que todos que ouviram isso denunciem o que realmente é: uma incitação à violência que deve ser condenada de forma unânime.”

Abdul El-Sayed

El-Sayed falou sobre o episódio em entrevista ao programa The Source with Kaitlan Collins, da CNN. Ele afirmou que é pai de duas filhas e expressou o desejo de que elas possam crescer e viver ao lado dele.

O candidato disse ainda que os gritos representam incitação à violência e defendeu que todas as pessoas que ouviram as manifestações as condenem. A declaração colocou o episódio no centro da discussão sobre o tom da campanha eleitoral.

Republicanos lembram morte de Kirk

As manifestações ocorreram no mesmo dia em que republicanos condenaram a violência política durante eventos que marcaram um ano da morte do ativista conservador Charlie Kirk. O vice-presidente JD Vance, amigo de Kirk, fez um discurso de destaque sobre o assassinato.

Kirk, cofundador da Turning Point USA, foi morto a tiros em um campus universitário de Utah um ano antes. Ele tinha 31 anos.

O presidente do Comitê Nacional Republicano, Joe Gruters, mencionou a morte de Kirk no início do segundo dia da convenção. Ele afirmou que o ativista acreditava nos Estados Unidos, na liberdade e na participação dos jovens na política.

Senador associa violência a extremismo

Durante o próprio discurso, Cruz também condenou o que descreveu como uma onda crescente de extremismo político. Ele relacionou o ódio à morte de Kirk, aos ataques de 11 de Setembro e a duas tentativas de assassinato contra o presidente Donald Trump.

A fala ocorreu um dia antes do 25º aniversário dos ataques de 11 de Setembro. Ao mesmo tempo, grande parte dos discursos da convenção concentrou-se em classificar os democratas como ideologicamente radicais.

Essa combinação marcou o contraste central do evento: enquanto líderes republicanos condenavam a violência, os ataques contra adversários políticos eram acompanhados por gritos que defendiam agressões letais.

Democratas pedem condenação unânime

Na entrevista à CNN, El-Sayed afirmou que a política estava sendo tomada pelo ódio. Ele pediu uma condenação ampla das manifestações e disse que os gritos deveriam provocar preocupação em todos os setores da sociedade.

A deputada Katherine Clark, de Massachusetts, segunda democrata de maior hierarquia na Câmara, também condenou os gritos em uma publicação na rede social X. Ela afirmou que todos os republicanos deveriam fazer o mesmo.

A deputada Debbie Dingell, democrata de Michigan, classificou o episódio como uma manifestação de ódio. As reações ampliaram a pressão para que autoridades e dirigentes partidários se posicionassem contra declarações de violência em eventos eleitorais.

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