Apple separa lançamentos e eleva preços dos iPhones mais caros

Companhia apresentou iPhone 18 Pro, 18 Pro Max e o dobrável Duo antes dos modelos básicos, em meio à alta no custo de chips de memória.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
9 min leitura
A Apple priorizou os modelos premium do iPhone 18 e apresentou o Duo, seu primeiro celular dobrável.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Apple apresentou na quarta-feira (9) o iPhone 18 Pro, o iPhone 18 Pro Max e o iPhone Duo, seu primeiro celular dobrável, sem anunciar simultaneamente os modelos básicos da nova geração. A empresa elevou em US$ 100 os preços iniciais dos dois aparelhos Pro nos Estados Unidos e colocou o Duo à venda por US$ 1.999.

A mudança desloca o foco da temporada de fim de ano para produtos de maior preço e margem. Segundo as informações divulgadas sobre o lançamento, a decisão ocorre enquanto a indústria enfrenta escassez de chips de memória e custos mais altos, impulsionados pela demanda de centros de dados voltados à inteligência artificial.

Apple separa a linha iPhone 18

Pela primeira vez, a Apple não apresentou os modelos profissionais e os aparelhos básicos de iPhone no mesmo evento. O iPhone 18 convencional ficou fora do anúncio, assim como o 18e e uma nova geração do Air.

Em anos anteriores, a companhia chegou a distribuir as chegadas dos produtos às lojas em datas diferentes. Ainda assim, os modelos de entrada e as versões profissionais eram revelados em conjunto.

Desta vez, o calendário começou pelo iPhone 18 Pro, pelo 18 Pro Max e pelo Duo. A seleção concentra a comunicação inicial nos aparelhos mais caros da linha e reduz o número de variantes a administrar de uma só vez.

A alteração também tem efeito operacional. Lançar simultaneamente seis modelos exigiria mais componentes, capacidade produtiva e combinações logísticas, em um momento de oferta pressionada de memória para celulares.

Escassez de memória encarece produção

Fabricantes de memória passaram a direcionar parcela maior de sua capacidade a componentes mais sofisticados e rentáveis, impulsionados pela expansão dos data centers de inteligência artificial. Como consequência, a oferta para smartphones ficou mais restrita e mais cara.

Esse movimento atinge fabricantes de celulares de forma ampla. Para a Apple, escalonar o lançamento permite priorizar aparelhos com maior capacidade de absorver a elevação dos custos de produção.

Em vez de preservar os preços e reduzir as margens, a empresa transferiu parte da alta dos componentes aos consumidores. Além dos novos modelos, a Apple aumentou em US$ 100 o preço de entrada de aparelhos anteriores que continuarão em seu catálogo.

O reajuste dos produtos já existentes sugere um reposicionamento mais amplo da linha. Portanto, a pressão de custos não se limita aos dispositivos apresentados nesta etapa do ciclo.

Modelos Pro sobem US$ 100

Nos Estados Unidos, o iPhone 18 Pro parte de US$ 1.199, enquanto o 18 Pro Max começa em US$ 1.299. Os dois valores representam aumentos de US$ 100 em relação aos antecessores, conforme os dados do lançamento.

Os reajustes ficaram abaixo das projeções de analistas de Wall Street citadas no material. O Bank of America esperava altas entre US$ 150 e US$ 200 para os aparelhos Pro.

O Citi, por sua vez, calculava preços iniciais de US$ 1.299 para o Pro e de US$ 1.399 para o Pro Max. As projeções, assim, superavam em US$ 100 os valores efetivamente anunciados pela Apple.

A diferença entre previsões e preços divulgados indica que a empresa adotou aumentos menores que parte do mercado antecipava. Mesmo assim, o movimento mantém a estratégia de elevar o valor de entrada nos segmentos mais avançados da marca.

Duo estreia como celular mais caro

O iPhone Duo chegou ao mercado americano por US$ 1.999. O preço ficou abaixo dos US$ 2.099 considerados pelo Bank of America e de estimativas que alcançaram US$ 2.500.

Ainda assim, o aparelho se tornou o celular mais caro já colocado à venda pela Apple, segundo o material divulgado. No Brasil, os preços do modelo partem de R$ 22 mil.

O Duo combina o chip A20 Pro, duas telas e uma versão do sistema operacional adaptada ao formato dobrável e a recursos de inteligência artificial. Com isso, a Apple entra em uma categoria já explorada por Samsung, Google e fabricantes chinesas.

O novo dispositivo funciona também como teste de aceitação para os dobráveis em uma faixa de preço muito elevada. A aposta é que a integração entre hardware e software diferencie o produto em um mercado que já reúne concorrentes consolidados.

Apple aposta em clientes de maior renda

A estratégia mira uma parcela do consumo menos exposta à desaceleração nas compras. O material aponta que o aumento do custo de vida levou famílias de renda baixa e média a procurar descontos, trocar de marca ou adiar aquisições.

Por outro lado, o Livro Bege mais recente do Federal Reserve registrou uma divisão crescente entre os consumidores nos Estados Unidos. Empresas voltadas ao público de maior renda ainda relatam demanda firme e maior capacidade de repassar preços.

O Citi avalia que a Apple tem proteção relativa diante desse cenário, devido à base de clientes de maior renda, às opções de financiamento, à força da marca e ao acesso a componentes. Essa avaliação ajuda a explicar a ênfase inicial nos modelos premium.

O banco projeta queda de 14% nas vendas mundiais de smartphones em 2026. Para os iPhones, porém, estima crescimento de 1%, para 246 milhões de unidades, seguido de alta de 7% em 2027, para 263 milhões.

Para o segundo semestre deste ano, a estimativa do Citi é de produção de 81 milhões de aparelhos da nova geração. Desse total, 7,5 milhões de unidades seriam do Duo, o modelo de topo da Apple.

Inteligência artificial amplia desafio

O lançamento ocorre enquanto a Apple busca reforçar sua posição em inteligência artificial. A companhia ficou atrás de rivais como Google, Microsoft e OpenAI na corrida por modelos generativos, e os atrasos na reformulação da Siri elevaram a pressão de investidores.

A empresa tenta se diferenciar pela combinação de dispositivos, sistema operacional e recursos de IA no mesmo ecossistema. Parte relevante do processamento ocorre no próprio aparelho; quando precisa recorrer à nuvem, a companhia destaca o uso de infraestrutura privada.

A proposta é oferecer funções baseadas em informações pessoais do usuário com preservação de privacidade. No caso do Duo, a Apple associa essa tese ao formato dobrável, às duas telas e ao chip A20 Pro.

As ações da Apple caíram durante o evento, chegaram a recuar cerca de 2% e fecharam em baixa de 0,27%. Para o Bank of America, reações imediatas negativas após apresentações de iPhone são recorrentes: o banco apontou alta das ações em 17 das janelas de 60 dias posteriores aos anúncios analisados desde 2007.

Bank of America e Citi mantêm recomendação de compra para os papéis, de acordo com o material. O desempenho da estratégia, no entanto, dependerá da disposição dos consumidores em pagar mais, da adesão ao Duo e da capacidade da Apple de transformar a integração de hardware, software e privacidade em vantagem na inteligência artificial.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *