Nova York divulga documentos sobre ar tóxico após 11 de Setembro

Mais de 170 mil páginas reúnem medições, relatórios e comunicações internas sobre a qualidade do ar perto do Ground Zero nos dias após os ataques de 2001.

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Redação
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Nova York liberou registros sobre a qualidade do ar no entorno do Ground Zero após os ataques de 2001.CNN/Reprodução
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Nova York divulgou mais de 170 mil páginas de documentos sobre a qualidade do ar após os ataques de 11 de Setembro de 2001. Segundo autoridades municipais, o acervo indica que órgãos da cidade tinham conhecimento de que o ar nas proximidades do Ground Zero não era seguro para respirar, embora o público tenha recebido garantias em sentido contrário.

O prefeito Zohran Mamdani anunciou a liberação dos registros na terça-feira (8), antes do 25º aniversário dos ataques. Os papéis tratam de um dos efeitos mais duradouros da destruição do World Trade Center: a exposição de sobreviventes, moradores e socorristas a substâncias tóxicas enquanto o Baixo Manhattan voltava a funcionar.

Documentos revelam alertas internos

O conjunto divulgado inclui informações reunidas por agências ambientais locais nos dias que sucederam os ataques. Há, entre outros materiais, dados de contaminação, relatórios sobre a qualidade do ar e comunicações entre funcionários da prefeitura.

De acordo com as autoridades municipais, essas trocas internas registram preocupação com as condições respiratórias na região do Ground Zero. Além disso, os documentos abordam a possibilidade de responsabilização legal da cidade pela exposição da população às toxinas.

A divulgação cria acesso público a registros que permaneceram fora do alcance da população por anos. Dessa forma, o material pode ajudar a reconstruir como a administração municipal avaliou os riscos ambientais na fase imediata após o colapso das torres.

Registros detalham a qualidade do ar

Os documentos se concentram na qualidade do ar depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. As medições e relatórios foram produzidos quando a cidade lidava com os destroços, com a busca por vítimas e com a retomada das atividades no Baixo Manhattan.

Ao mesmo tempo, autoridades buscavam estabilizar a área e reabri-la. A existência de dados de contaminação e de alertas internos dá nova dimensão às decisões tomadas naquele período, marcado por pressa para restabelecer a rotina da cidade.

O acervo não se limita a registros técnicos. As comunicações entre servidores também permitem observar que a preocupação não estava restrita ao ambiente de trabalho das equipes que atuavam na região, mas alcançava os efeitos da exposição sobre a população.

Cidade prepara portal público

Mamdani havia anunciado anteriormente a reserva de US$ 34 milhões para a criação de um portal público destinado à publicação dos documentos. A medida busca organizar e disponibilizar o volume de registros agora revelado.

Agora, quase 25 anos depois, mais pessoas morreram em decorrência de doenças relacionadas ao 11 de setembro do que foram mortas no próprio dia.”

Zohran Mamdani, prefeito de Nova York

Os arquivos estavam guardados em 68 caixas em um escritório do governo municipal. Segundo autoridades da cidade, elas encontraram esse material no ano passado.

Com a publicação, a prefeitura espera ampliar o entendimento público sobre sua resposta ao desastre. O foco recai tanto sobre as decisões emergenciais tomadas no local quanto sobre as consequências sanitárias que se estenderam pelos anos seguintes.

Sobreviventes pressionam por transparência

Sobreviventes e socorristas pediam havia anos a divulgação dos registros. Muitos integrantes desses grupos adoeceram após a exposição às toxinas presentes no ar na região atingida pelos ataques.

O grupo de defesa 9/11 Health Watch moveu uma ação contra a cidade para obter a liberação dos documentos. A publicação do acervo ocorre, portanto, após uma longa mobilização de pessoas afetadas e de entidades que defendem maior transparência.

Mamdani participou do anúncio ao lado de famílias ligadas ao 11 de Setembro e de Jon Stewart. O apresentador é apontado como defensor de longa data de mais recursos e transparência para socorristas e sobreviventes.

Doenças prolongam perdas do ataque

Quase 3 mil pessoas morreram nos ataques de 11 de setembro de 2001. No entanto, milhares de outras morreram posteriormente por cânceres e demais doenças relacionadas àquele dia, segundo as informações divulgadas pela prefeitura.

Entre as pessoas afetadas estão socorristas que trabalharam por meses na área do World Trade Center. A exposição prolongada durante as operações no local se tornou parte central das reivindicações por reconhecimento, tratamento e acesso a informações.

Ao anunciar os documentos, Mamdani relacionou a liberação do material ao impacto humano que persiste quase 25 anos depois. Ele afirmou que as mortes associadas a doenças relacionadas ao 11 de Setembro já superaram o número de pessoas mortas no próprio dia dos ataques.

Divulgação antecede o aniversário

A cidade programou a liberação dos registros para os dias anteriores ao 25º aniversário dos atentados, celebrado na sexta-feira. A data recoloca em evidência não apenas o ataque, mas também os efeitos de longo prazo sobre quem viveu ou trabalhou nas proximidades.

Os documentos podem oferecer uma base mais ampla para o debate sobre a resposta institucional à crise ambiental que se seguiu à destruição das torres. Ainda assim, seu principal significado imediato é tornar público um acervo reivindicado por sobreviventes e socorristas.

A abertura das mais de 170 mil páginas também desloca a discussão para o que autoridades sabiam naquele momento e como comunicaram os riscos. Por isso, a iniciativa une memória do ataque, saúde pública e a busca por responsabilização diante das consequências da exposição tóxica.

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