Conceição Evaristo defendeu que a nova geração de escritores e leitores mantenha diálogo com as referências que a antecederam. Durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a autora apontou como positivo o interesse de jovens por pensadores fundamentais da produção intelectual negra brasileira.
A escritora citou Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Neuza Santos entre os nomes lidos pelas gerações mais recentes. Para Evaristo, essa aproximação transforma heranças anteriores em inspiração, diretriz e diálogo para novas criações.
Ao mesmo tempo, ela alertou contra a ideia de que uma geração começa do zero. A programação informada para a Bienal também inclui encontros com autores de diferentes segmentos da literatura juvenil e comercial.
Evaristo valoriza leituras fundamentais
Segundo Conceição Evaristo, o aspecto que mais a anima na produção contemporânea é perceber que jovens leitores buscam autores que ajudaram a formar o pensamento negro no Brasil.
Ao mencionar Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Neuza Santos, a escritora associou a leitura desses nomes a uma relação ativa com a tradição. Assim, o passado não aparece como simples referência distante, mas como matéria para reflexão no presente.
A avaliação da autora enfatiza uma continuidade entre gerações. Novos escritores podem renovar linguagens e temas, mas também encontram em trajetórias anteriores elementos para orientar a própria produção.
Alerta pede memória das origens
Embora tenha destacado esse movimento de leitura, Evaristo fez uma ressalva. Para ela, a nova geração precisa evitar a percepção de que inventou sozinha os caminhos que percorre.
A autora relacionou sua própria trajetória às mulheres de gerações anteriores. Ela observou que muitas delas não dominavam a escrita do próprio nome, mas possuíam conhecimentos e saberes relevantes.
Dessa forma, Evaristo defendeu que toda geração reconheça a tradição que existe antes dela. Essa tradição pode ser atualizada pelos mais jovens, porém não deve ser esquecida.
Bienal reúne autores no Anhembi
O material sobre o evento informa que a Bienal Internacional do Livro de São Paulo ocorre no Distrito Anhembi, na Zona Norte da capital paulista, entre os dias 4 e 13 de setembro.
Entre os autores anunciados para a Arena Cultural estão Raphael Montes, Paula Pimenta, Carina Rissi, Thalita Rebouças, Lynn Painter e Alice Oseman. O espaço recebe palestras e conversas com o público.
A presença desses convidados indica uma programação voltada a leitores de perfis variados. Enquanto Evaristo abordou a memória intelectual e literária, os demais encontros ampliam a agenda de debates e sessões com fãs.
Ingressos adotam créditos para livros
De acordo com as informações divulgadas, a Bienal dividiu os acessos entre períodos diurnos e noturnos e adotou um sistema de cashback convertido em créditos para a compra de livros durante a feira.
De segunda a quinta-feira, os bilhetes diurnos custam R$ 40, na inteira, e R$ 20, na meia-entrada. Os créditos informados são de R$ 15 e R$ 7,50, respectivamente.
Às sextas-feiras, sábados e domingos, os valores passam para R$ 42 e R$ 21, com créditos de R$ 15 e R$ 7,50. Já após as 17h, de segunda a quinta-feira, a modalidade noturna custa R$ 30 na inteira e R$ 15 na meia, com retorno integral desses valores em créditos.
O material também registra que os ingressos para os dias 5, 6 e 12 de setembro estavam esgotados. A venda é indicada pelo site Fever.


