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A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal retirou, na madrugada desta terça-feira (20), barracas de manifestantes que ocupavam a Praça do Rossio, no centro de Lisboa, em protesto pelo direito à moradia e contra o aumento do custo de vida. A corporação confirmou 55 detenções por desobediência, e houve registro de dois feridos na operação.

A mobilização vinha sendo realizada desde sábado em uma das praças mais conhecidas da capital portuguesa. O acampamento reunia tendas montadas como forma de pressionar as autoridades a responder à escalada dos preços de aluguel e de compra de imóveis.

Desocupação na Praça do Rossio

Antes da retirada, policiais advertiram os participantes de que a permanência das estruturas não seria permitida. Parte dos manifestantes formou um cordão humano para impedir a entrada dos agentes e houve momentos de tensão durante a intervenção.

Imagens divulgadas pela imprensa portuguesa mostram o trabalho dos policiais para liberar a praça e a atuação das equipes municipais de limpeza. Após a remoção, os acessos à região foram reabertos e a circulação na área voltou a ser normalizada.

Ativistas contestam ação policial

Participantes do protesto acusaram integrantes da polícia de uso excessivo da força. A atuação policial incluiu o emprego de bastões, segundo relatos da cobertura feita em Lisboa. As alegações de agressão devem ser distinguidas das informações oficialmente confirmadas sobre detenções.

Os detidos foram encaminhados a unidades policiais após a desocupação. A RTP registrou duas pessoas feridas, enquanto representantes da mobilização relataram dificuldades para prestar auxílio durante os momentos de maior tensão.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou, ainda antes da operação, que o direito de manifestação seria respeitado, mas insistiu no cumprimento da lei. As autoridades consideraram irregular a permanência do acampamento na praça.

A lei é para cumprir.”

Luís Neves, ministro da Administração Interna de Portugal

Depois da intervenção, parte dos ativistas seguiu para a Praça da Figueira, também no centro da cidade, onde discutiu a continuidade das mobilizações. Os organizadores anunciaram a intenção de voltar às ruas para cobrar soluções para a habitação.

Porto também tem tendas retiradas

A operação não ficou restrita à capital. No Porto, agentes desmobilizaram outra ocupação na Praça Dom João I, onde manifestantes se concentravam havia vários dias. O procedimento transcorreu sem confrontos da mesma dimensão dos registrados em Lisboa.

No caso do Porto, ativistas retiraram parte das tendas e faixas durante o processo de desocupação. A polícia não informou detenções naquele local, de acordo com os relatos divulgados pela imprensa portuguesa naquela manhã.

Os acampamentos em duas das maiores cidades portuguesas integravam uma onda de protestos por condições habitacionais mais acessíveis. O principal foco dos manifestantes é a dificuldade de encontrar imóveis compatíveis com a renda de trabalhadores e famílias.

Alta dos aluguéis motiva protestos

Os participantes contestam propostas que, na avaliação do movimento, facilitariam despejos e reduziriam restrições a novos contratos de aluguel. A discussão sobre políticas de habitação ganhou força em um país no qual o crescimento dos preços imobiliários se tornou uma das principais preocupações sociais.

Portugal registra aumento expressivo de preços de imóveis e aluguéis nos últimos anos, sobretudo nas grandes cidades. O encarecimento pressiona moradores com rendimentos locais, que competem por imóveis em um mercado também afetado pela procura de investidores e estrangeiros.

Mobilizações por moradia e custo de vida também foram registradas em outros países europeus. Em Lisboa, os organizadores anunciaram nova concentração no Rossio para a noite de terça-feira, enquanto as autoridades mantinham a área desocupada após a operação.

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