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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (15) que seu governo mantém conversas com Rússia e China sobre a possibilidade de reduzir armamentos nucleares. A declaração foi feita em entrevista ao canal americano Newsmax e ocorre após o encerramento, em fevereiro, do tratado que limitava parte dos arsenais estratégicos de Washington e Moscou.

Trump disse desejar um processo de desnuclearização que envolva as três potências. O anúncio de conversas não veio acompanhado de acordo assinado, calendário de negociações, metas de redução nem confirmação pública equivalente dos governos russo e chinês.

O que Trump declarou

“É uma pena, porque eu adoraria promover a desnuclearização, se possível; estamos, de fato, conversando com a Rússia e com a China sobre essa desnuclearização”, afirmou Trump, segundo a entrevista citada pela Reuters.

O presidente americano também disse acreditar que a China poderá alcançar a capacidade nuclear dos Estados Unidos nos próximos cinco anos. Essa avaliação foi apresentada por ele e não equivale a uma projeção consensual de órgãos independentes de pesquisa.

A emissora Newsmax informou que Trump discutiu o assunto diretamente com o presidente chinês, Xi Jinping. A reportagem não descreveu quais propostas específicas foram apresentadas nem a eventual posição formal de Pequim em resposta ao diálogo.

Na entrevista, o foco recaiu sobre a possibilidade de coordenação entre países que concentram grande parte das ogivas existentes. As declarações não detalharam se as conversas tratariam de desativação de armas, limites de produção, mecanismos de verificação ou medidas de transparência.

Arsenais continuam em modernização

A Rússia e os Estados Unidos detêm a maior parte das armas nucleares mundiais. O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, conhecido pela sigla SIPRI, estima que os nove países com armamento nuclear possuíam juntos cerca de 12.187 ogivas em janeiro de 2026.

Desse total, aproximadamente 9.745 estavam em estoques militares disponíveis para eventual uso. Outras cerca de 4.012 ogivas estavam instaladas em mísseis e aeronaves; parte das restantes permanecia armazenada em instalações centrais.

O SIPRI também estimou aproximadamente 620 ogivas no arsenal chinês. O instituto identificou expansão de forças nucleares e desenvolvimento de novos sistemas pela China, ao mesmo tempo em que Estados Unidos e Rússia continuaram a modernizar seus meios militares.

O próprio instituto ressalta que comparações entre países exigem distinguir inventários totais, estoques militares e ogivas efetivamente posicionadas. Os números não são intercambiáveis, porque podem incluir armas retiradas de serviço que ainda aguardam desmontagem.

Fim de tratado abriu lacuna diplomática

O New START, firmado por Estados Unidos e Rússia em 2010, expirou em fevereiro de 2026. O instrumento impunha limites sobre armas estratégicas implantadas e previa procedimentos de monitoramento entre as duas maiores potências nucleares.

O tratado havia sido prorrogado em 2021 pelos presidentes Joe Biden e Vladimir Putin. Com o fim de sua vigência, o controle bilateral de arsenais entrou em uma fase sem equivalente imediato ao mecanismo estabelecido pelo acordo anterior.

O SIPRI observa que divergências dificultaram a construção de um instrumento substituto. Os Estados Unidos defendem incluir a China nas negociações; por sua vez, autoridades russas já cobraram participação de outras potências nucleares europeias em determinadas discussões.

Desafios para acordo entre três países

A construção de um novo acordo depende de acertar quais armas seriam abrangidas, quais limites seriam impostos e como verificar o cumprimento das obrigações. Esses detalhes são essenciais porque os arsenais dos três países têm dimensões e características diferentes.

A China historicamente demonstra resistência a compromissos que limitem seu arsenal nos mesmos moldes aplicados a forças muito maiores. Segundo análises do SIPRI, Pequim tem argumentado que seu volume de armas ainda é substancialmente inferior ao dos estoques americano e russo.

O instituto alertou, em seu levantamento de junho de 2026, que a deterioração do regime de controle de armas eleva o risco de erros de cálculo, corrida armamentista e novas formas de competição estratégica entre potências.

Até o anúncio de Trump, não havia sido apresentado um novo tratado trilateral com número de ogivas, exigências de inspeção ou datas de implementação. O instrumento bilateral New START deixou de vigorar em fevereiro de 2026.

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