As eleições gerais de 2026, cujo primeiro turno foi realizado neste domingo (4), voltaram a atrair dezenas de figuras conhecidas do grande público para a disputa por cargos legislativos. Apresentadores de televisão, jornalistas, atores e influenciadores digitais testaram sua popularidade nas urnas em busca de cadeiras na Câmara dos Deputados e em assembleias legislativas estaduais, mas a grande maioria terminou o pleito de fora do Parlamento.
Com a apuração concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral, o desempenho dos candidatos famosos evidenciou que a exposição midiática nem sempre se traduz em votos suficientes para vencer a barreira dos quocientes partidários e eleitorais. Enquanto alguns nomes tradicionais da política mantiveram força, celebridades de diferentes segmentos registraram votações expressivas que, contudo, não garantiram a vitória nas urnas.
Datena e jornalistas ficam sem vaga
O apresentador José Luiz Datena, filiado ao PSB, obteve 51.078 votos na disputa por uma cadeira legislativa em São Paulo, mas não conseguiu alcançar o número necessário para garantir a eleição. O resultado reflete a dificuldade de figuras vindas da imprensa em converter o alcance televisivo direto em mandatos efetivos dentro do sistema proporcional brasileiro atual.
Outro nome de destaque na comunicação, a jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade (PSD) contabilizou 22.453 votos nas urnas. Assim como Datena, a votação não foi suficiente para superar a concorrência partidária e assegurar um posto no Poder Legislativo federal ou estadual neste pleito de outubro.
Entre os profissionais da televisão que também tentaram migrar para a política institucional, o apresentador Sikêra Jr. (Republicanos) registrou 37.050 votos, mas também ficou de fora da lista de eleitos divulgada pela Justiça Eleitoral após a totalização das urnas em todo o país.
Apresentadores de TV enfrentam barreiras
A apresentadora Silvia Abravanel (PSD), filha de Silvio Santos, somou 22.472 votos durante a disputa eleitoral, ficando sem a vaga pretendida. A campanha mobilizou atenção pelo sobrenome tradicional da televisão brasileira, mas esbarrou nas exigências de votos em legenda e quociente eleitoral.
Geraldo Luís, que concorreu pelo Avante, registrou 10.176 votos nas urnas e não obteve êxito em sua tentativa de ocupar um cargo parlamentar. A votação ficou distante do patamar necessário para garantir representatividade na assembleia disputada pelo apresentador.
Val Marchiori (Republicanos), empresária e apresentadora, contabilizou 5.025 votos, enquanto o humorista Tiririca (PSD), que já cumpriu mandatos anteriores, somou 5.536 votos e acabou não sendo eleito nesta nova tentativa nas urnas.
Influenciadores e artistas como suplentes
A influenciadora Inês Brasil, concorrendo pelo PSB no Rio de Janeiro, somou 3.145 votos e encerrou a disputa eleitoral figurando na condição de suplente. O mesmo ocorreu com a atriz Antônia Fontenelle (PSDB), que angariou 3.873 votos e também terminou como suplente no pleito estadual.
O cantor Conrado (Democracia Cristã) registrou 2.282 votos pelo Rio de Janeiro e igualmente ficou na suplência. Sarah Poncio (Solidariedade) alcançou 20.474 votos, marca que também a colocou apenas na suplência ao término da apuração oficial.
Outros nomes do meio artístico registraram votações ainda menores, como a ex-Paquita Andréa Sorvetão (Democracia Cristã), com 2.529 votos, o cantor Manoel Gomes, conhecido como Caneta Azul (Avante), que somou 7.239 votos, e o ator Humberto Martins (Democracia Cristã), com 1.124 votos, todos sem conseguir se eleger.
Escritores e grandes votações no pleito
O escritor Augusto Cury, filiado ao Avante, obteve 2,89% nas urnas, contabilizando 3.448.569 votos em sua movimentação eleitoral. No cenário presidencial e executivo, a disputa principal seguiu para o segundo turno entre os candidatos tradicionais.
Na disputa pelo Senado Federal, a ex-jogadora de vôlei Leila do Vôlei (PDT), apesar de bastante popular na política e nos esportes, somou 686.340 votos. Ela acabou perdendo as vagas em disputa para Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, que consolidaram vitória na corrida legislativa superior.
A apuração geral demonstrou que o primeiro turno das eleições mobilizou mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar para presidente, governador, senador e deputados. O balanço final do Tribunal Superior Eleitoral evidencia que a fama prévia nas redes sociais ou na televisão exigiu bases partidárias sólidas para alcançar o sucesso nas urnas.


