O ator e dublador italiano Peppino Mazzullo morreu na manhã desta quarta-feira (30), aos 100 anos, em sua residência localizada em Santo Stefano di Briga, na região de Messina, na Itália. Ele ficou amplamente conhecido por ter dado voz ao icônico personagem Topo Gigio por cerca de quatro décadas e meia.
A trajetória de Mazzullo junto ao famoso ratinho de orelhas grandes começou em 1961 e estendeu-se até 2006. Com seu timbre característico e bordões marcantes, como a frase “Ma cosa mi dici mai?”, o artista acompanhou o crescimento de várias gerações de crianças na televisão italiana e internacional.
Ator relembrou infância com roedores
Curiosamente, a história de Mazzullo com roedores começou muito antes de sua consagração na televisão. Em entrevistas concedidas ao longo da vida, o ator costumava relembrar um episódio marcante de sua infância, ocorrido quando ele tinha apenas dois anos de idade e viu um pequeno rato aos pés de sua cama.
Anos mais tarde, o destino o colocou diante de outro ratinho, desta vez nos estúdios da emissora pública italiana Rai. O boneco de Topo Gigio havia sido criado por Maria Perego e Federico Caldura, tornando-se um fenômeno cultural logo após ganhar a voz do artista.
Quando o vi, senti um arrepio. Já o conhecia, mas não podia dizer isso a ninguém… Era um boneco malfeito, a cola não segurava e também era feio de rosto, mas eu gostava dele.”
Peppino Mazzullo
O próprio Mazzullo relatou em vida a impressão que teve ao segurar o boneco pela primeira vez nos bastidores. A recomendação do comediante Gino Bramieri na ocasião antecipou o sucesso estrondoso que o personagem alcançaria nas décadas seguintes com o público infantil.
Formação nos palcos da Itália
Antes de eternizar o ratinho na televisão, Mazzullo construiu uma sólida formação artística na Itália. Ele iniciou sua trajetória no Teatro Auditorium San Gaetano, em Messina, sua cidade natal, buscando posteriormente aperfeiçoamento profissional em grandes centros do país.
O ator estudou na Academia de Arte Cinematográfica, em Roma, e também passou pela Academia de Arte Dramática, em Milão. Essas experiências permitiram que ele desenvolvesse versatilidade para atuar em diferentes produções teatrais antes de vincular sua imagem definitiva ao projeto de Maria Perego.
Apesar de sua ampla bagagem dramática, foi o trabalho como dublador de Topo Gigio que o projetou nacionalmente e garantiu seu espaço na história da cultura pop e do entretenimento televisivo europeu.
Comunidade celebrou centenário recentemente
Mazzullo completou um século de vida em 6 de junho, data que foi comemorada publicamente ao lado de moradores e vizinhos em Santo Stefano Briga. A comunidade local organizou uma celebração festiva com bolo na praça San Giovanni para homenagear o artista.
A morte do ator encerra um capítulo importante da história da televisão clássica, marcada pela repercussão internacional de Topo Gigio. O personagem, criado na década de 1950, ganhou adaptações em diversos países e manteve relevância por meio do teatro de fantoches e de programas de auditório.
As autoridades locais e entidades culturais da região de Messina prestaram homenagens póstumas ao artista, destacando sua contribuição para o desenvolvimento das artes cênicas e da dublagem na Itália ao longo do século XX.
Legado cultural na televisão europeia
A longevidade da carreira de Mazzullo reflete o impacto duradouro que a figura de Topo Gigio exerceu sobre a cultura popular europeia. O boneco articulado tornou-se um embaixador cultural da televisão italiana em vários mercados estrangeiros.
Especialistas em comunicação apontam que a harmonia entre a manipulação física do boneco e a expressividade vocal do ator foi determinante para dar personalidade humana ao personagem. Essa simbiose artística consolidou um modelo pioneiro de entretenimento infantil.
Com a despedida do artista centenário, familiares, fãs e instituições culturais lamentam a perda da voz oficial que transformou um simples fantoche em um ícone atemporal da infância de milhões de pessoas.


