O dólar fechou em forte alta de 0,98% nesta quinta-feira (1º), cotado a R$ 5,223, impulsionado por um movimento global de fortalecimento da moeda americana. A valorização veio acompanhada pela disparada nos rendimentos dos Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos, e pela alta expressiva do petróleo no mercado internacional.
No cenário doméstico, investidores mantiveram o foco voltado para a reta final da corrida eleitoral. A volatilidade dos mercados esteve associada à expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa Datafolha e à realização do debate entre os presidenciáveis na TV Globo, a poucos dias do primeiro turno marcado para domingo (4).
Petróleo e juros externos pressionam
A alta do petróleo ultrapassou a marca de US$ 100, influenciada por temores geopolíticos e preocupações com a inflação global. O avanço esteve ligado a impasses envolvendo os Estados Unidos e o Irã no estreito de Hormuz, elevando a percepção de risco para a oferta da commodity no exterior.
Paralelamente, os rendimentos dos títulos soberanos dispararam em diversos mercados internacionais. Os Treasuries de dez anos alcançaram máxima de 5,340%, enquanto os papéis de 30 anos registraram alta expressiva. Movimentos semelhantes foram observados no Reino Unido, na Europa e no Japão.
Dirigentes do Federal Reserve mantiveram tom firme sobre a inflação acima da meta. As declarações mantiveram abertas as apostas sobre os próximos passos da política monetária americana, embora os mercados de ações nos Estados Unidos tenham conseguido fechar em leve alta no período da tarde.
Ibovespa avança com Petrobras
O Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,45%, alcançando os 187.192 pontos após registrar forte volatilidade ao longo do dia. O desempenho positivo foi sustentado principalmente pelos papéis da Petrobras, que se beneficiaram diretamente da alta das cotações internacionais do petróleo.
O movimento do dólar nesta quinta também esteve relacionado à alta do petróleo, que voltou a superar os US$ 100.”
Leonardo Brito, economista
Em sentido oposto, as ações de grandes bancos pressionaram o índice para baixo durante a sessão. Especialistas apontaram que o movimento decorreu de reflexos da queda de papéis do Santander na Europa e de um processo de realização de lucros por parte dos investidores após ganhos recentes.
A curva de juros doméstica também apresentou oscilações expressivas acompanhando o cenário externo e interno. A taxa para janeiro de 2035 registrou alta, refletindo o prêmio de risco exigido pelos agentes financeiros diante do cenário macroeconômico e fiscal.
Mercado aguarda nova pesquisa
As pesquisas eleitorais recentes têm apontado cenários de acirramento na disputa pela Presidência da República para o primeiro turno de 2026. Analistas destacam que reações dos ativos locais refletem avaliações sobre a trajetória fiscal e a percepção de risco para o próximo governo.
A nova rodada do Datafolha trará o panorama de intenções de voto não apenas para o Palácio do Planalto, mas também para os governos de estados estratégicos como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal.
A divulgação do levantamento ocorre no início da noite, antecedendo o debate televisivo entre os candidatos. A agenda política imediata concentra as atenções do mercado financeiro em busca de sinais sobre a configuração do pleito que se aproxima.
Analistas avaliam volatilidade
Analistas de mercado apontam que a cautela deve permanecer nos próximos pregões em razão da proximidade da votação e dos desdobramentos internacionais. O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de moedas fortes, avançou 0,57%, confirmando o apetite global pela divisa americana.
A combinação de juros externos elevados, inflação persistente e incertezas geopolíticas continua ditando o ritmo dos negócios globais. No Brasil, o foco imediato dos investidores permanece concentrado na apuração dos rumos políticos e nos indicadores econômicos de curto prazo.
A proximidade do primeiro turno intensifica o monitoramento de cenários por gestores de recursos e tesourarias. A volatilidade tende a permanecer elevada até a definição das urnas e a consolidação das expectativas para a política fiscal do país.


