As agências da Caixa Econômica Federal retomam o atendimento presencial em todo o país após o encerramento oficial da greve nacional dos bancários, que havia começado em 10 de setembro. O retorno presencial aos clientes foi confirmado pelo banco e pelos sindicatos da categoria, restabelecendo o fluxo normal nas unidades após semanas de paralisação e atendimento parcial.
A decisão que encerrou o impasse foi proferida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que julgou a paralisação como não abusiva. Além de determinar o retorno imediato ao trabalho sob pena de multa, a Corte definiu um reajuste salarial de 4,6% para os empregados da instituição financeira pública.
TST decide fim da greve
O processo de negociação coletiva foi submetido à apreciação da Justiça do Trabalho após a Caixa ajuizar um pedido de dissídio coletivo em 23 de setembro. Antes do julgamento final, o ministro relator Maurício Godinho havia determinado a manutenção de 60% do efetivo em funcionamento para garantir serviços essenciais à população.
Com a deliberação do tribunal em 29 de setembro, as bases sindicais aceitaram os termos e orientaram os trabalhadores a encerrarem a paralisação. Com isso, os correntistas voltam a contar com o suporte presencial nas agências físicas espalhadas por todo o território nacional.
Durante o período de paralisação, canais alternativos como o aplicativo da Caixa, internet banking, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes bancários mantiveram-se ativos para evitar a interrupção total das transações financeiras e o pagamento de boletos.
Impasse sobre plano de saúde
O principal ponto de conflito nas negociações envolveu o convênio médico da categoria, conhecido como Saúde Caixa. Foram 54 rodadas de negociação e três propostas rejeitadas pelos bancários até o desfecho judicial conduzido pelo TST, que definiu parâmetros para o custeio.
Os funcionários argumentavam que alterações e aumentos nas mensalidades poderiam anular o ganho real obtido com o reajuste salarial. O principal receio recaía sobre o impacto financeiro para mães chefes de família em razão da divisão de valores por faixa etária de dependentes.
O ministro relator Maurício Godinho manteve o percentual de contribuição atual em 3,5% sobre o salário-base para o plano de saúde, com teto de 7%, preservando as condições que vigoravam antes do acirramento das negociações coletivas entre o banco e os sindicatos.
Alternativas durante a paralisação
Mesmo com as portas fechadas e cartazes informativos afixados pelas lideranças sindicais nas agências, os clientes contaram com suporte de funcionários terceirizados para orientações básicas sobre canais digitais. O banco reforçou a disponibilidade de ferramentas eletrônicas para minimizar os transtornos.
Ferramentas como o Caixa Tem, o aplicativo de cartões, o Alô Caixa e a rede Banco24Horas absorveram a demanda diária de pagamentos e consultas. A medida garantiu a adimplência de obrigações financeiras da população enquanto o dissídio coletivo tramitava na Justiça.
A normalização completa dos serviços físicos nas agências ocorre de forma gradual à medida que os funcionários retornam aos postos de trabalho e reorganizam o atendimento ao público em todas as regiões do país.
Regras atuais do convênio
Pelas diretrizes mantidas após o julgamento, o trabalhador segue contribuindo com 3,5% da remuneração-base para o plano de saúde. As consultas em pronto-atendimento mantêm a cobrança estipulada, que passa a receber o reajuste linear definido nas diretrizes gerais da categoria.
A Caixa previa em propostas anteriores alterações estruturais no modelo de custeio e na participação sobre a folha de pagamentos, mas os termos consolidados pela Justiça asseguraram a manutenção de parâmetros históricos reivindicados pelos empregados durante a campanha salarial.
As regras assistenciais seguem fundamentadas nos acordos coletivos vigentes, equilibrando a sustentabilidade assistencial do convênio médico com a estabilidade nas relações de trabalho do banco público.


