O ex-campeão mundial de sinuca Graeme Dott foi condenado a sete anos de prisão na Escócia, após ser considerado culpado de abusar sexualmente de duas crianças em períodos distintos. A sentença foi proferida pelo Tribunal Superior de Edimburgo, marcando o desfecho judicial de um caso que abalou o esporte internacional e encerrou de forma definitiva a trajetória do atleta.
Dott, de 49 anos, havia sido considerado culpado em agosto por um júri no Tribunal Superior de Glasgow. Os crimes de comportamento lascivo, indecente e libidinoso foram cometidos contra duas vítimas, uma menina e um menino, cujos abusos ocorreram nas décadas de 1990 e 2000.
Durante todo o processo judicial, Dott negou veementemente as acusações apresentadas e sustentou sua inocência. A defesa relatou ao tribunal que, embora conte com o apoio de familiares, o ex-jogador sofreu ameaças no ambiente prisional e precisou passar por transferência interna de segurança.
Juiz aponta grave violação
Ao proferir a sentença, o juiz Lord Harrower classificou a conduta do ex-jogador como uma grave violação de confiança. O magistrado destacou que as vítimas eram vulneráveis na época e apontou características claras de aliciamento nos atos cometidos pelo ex-atleta.
Segundo o magistrado, o comportamento criminoso roubou uma parcela significativa da infância das vítimas. A pena de sete anos foi determinada com caráter retroativo a 24 de agosto, data em que Dott foi colocado em prisão preventiva, além da inclusão formal de seu nome no registro de criminosos sexuais.
As investigações detalharam que os abusos contra a menina ocorreram entre 1993 e 1996, enquanto os atos contra o menino se registraram entre 2006 e 2010. A acusação apontou que o ex-atleta se expôs e tocou as vítimas de maneira inadequada em diferentes ocasiões.
Atleta relembra carreira de destaque
Profissionalizado em 1994, Graeme Dott alcançou o auge de sua carreira no esporte em 2006. Na ocasião, sagrou-se campeão mundial de sinuca ao derrotar Peter Ebdon por 18 a 14 no tradicional Crucible Theatre, em Sheffield.
Além da conquista máxima, o escocês disputou outras duas finais de Campeonato Mundial, sendo vice-campeão em 2004 contra Ronnie O’Sullivan e em 2010 frente a Neil Robertson. O desempenho consistente o levou a ocupar a segunda colocação do ranking mundial na temporada 2007/08.
A gravidade das acusações e a posterior condenação provocaram uma ruptura total entre o ex-atleta e as entidades que administram a modalidade em âmbito internacional.
Federação bane ex-jogador
O ex-atleta roubou parte significativa da infância das vítimas e cometeu uma grave violação de confiança.”
Lord Harrower
A World Professional Billiards and Snooker Association reagiu ao caso aplicando a suspensão preventiva de Dott logo após a formalização das acusações. Com a confirmação da culpa na Justiça escocesa, a entidade adotou medidas mais severas.
A filiação de Dott foi revogada de maneira permanente e seu nome foi integralmente banido e retirado do Hall da Fama da sinuca. As sanções administrativas consolidam o ostracismo do ex-campeão mundial após os desdobramentos criminais.
O impacto do caso repercutiu amplamente nos meios de comunicação britânicos, transformando a queda do atleta em um dos episódios mais graves de desvio de conduta na história recente da modalidade.
Defesa relata novas ameaças
A equipe jurídica que representa o ex-campeão mundial informou perante o tribunal que o réu tem enfrentado forte hostilidade desde sua detenção preventiva. A transferência interna de segurança foi solicitada para preservar a integridade física do ex-jogador.
Apesar do cenário desfavorável e da condenação unânime pelo júri, os advogados mantêm a linha de que o cliente nega os fatos desde o início das apurações policiais. O processo tramitou em instâncias superiores devido à gravidade das denúncias na Escócia.
O desfecho encerra definitivamente qualquer perspectiva de retorno de Dott aos circuitos oficiais de sinuca profissional, sepultando o legado construído nas décadas anteriores.


