Clubes paulistas articulam frente única contra impacto de bets

Equipes buscam alinhar perdas bilionárias e negociar alternativas com o governo federal após veto às casas de apostas.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
Representantes de clubes e federações discutem impactos da Medida Provisória das bets no futebol brasileiro.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Diante das incertezas que cercam o futebol brasileiro após a Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proíbe a operação e a publicidade das casas de apostas online no país, os clubes paulistas indicaram que vão atuar de forma conjunta para entender a extensão do impacto financeiro causado pela medida e buscar alternativas ao cenário atual. A articulação busca evitar que equipes adotem posições isoladas que possam enfraquecer o grupo nas discussões com as autoridades federais.

Na manhã desta segunda-feira, representantes de 11 times participaram de um encontro intermediado pela Federação Paulista de Futebol em São Paulo. Estiveram presentes dirigentes e profissionais das áreas jurídica e de marketing de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Mirassol e Red Bull Bragantino, além de Botafogo, Novorizontino, Ponte Preta, São Bernardo e Juventus, agremiações que disputam diferentes divisões do futebol nacional e estadual.

Em nota oficial divulgada após a reunião, a entidade máxima do futebol paulista confirmou o alinhamento entre as equipes e reforçou que a prioridade é manter uma postura coletiva. Embora nenhuma ação judicial ou medida concreta tenha sido fechada no primeiro encontro, o debate serviu para mensurar o tamanho da dependência financeira e alinhar informações entre as diferentes divisões.

CBF assume papel de interlocutora

Enquanto os clubes estaduais buscam coesão interna, o governo federal acionou a Confederação Brasileira de Futebol para atuar como principal interlocutora nas conversas com equipes das Séries A, B, C e D. A escolha da entidade ocorre em um momento de intensa articulação nos bastidores políticos do esporte nacional.

A atual gestão da confederação conta com dirigentes com trânsito direto em Brasília e em órgãos de cúpula do poder público. Entre os vice-presidentes da entidade está Gustavo Dias Henrique, responsável pelas articulações políticas e suplente na disputa pelo Senado. Outro nome influente apontado nos bastidores é Francisco Schertel Mendes, dirigente da Federação Mato-Grossense de Futebol e integrante da assembleia da CBF.

A reunião convocada pelo Ministério do Esporte tem como objetivo oficial debater o fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro, além de avaliar possíveis alternativas diante do corte nas receitas de patrocínio. A CBF ainda avalia quais nomes representarão oficialmente a entidade no encontro com os dirigentes dos clubes nacionais.

Impacto financeiro e patrocínios

O debate sobre a proibição das empresas de apostas esportivas ganha força em meio a números expressivos registrados no mercado publicitário do esporte. Em 2025, o patrocínio somado das bets aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro alcançou cerca de R$ 1,03 bilhão, o que representou um salto de aproximadamente 66% em comparação com os R$ 618 milhões injetados pelo setor no ano anterior.

Apesar do volume bilionário, o montante aportado pelas empresas de apostas representou 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões registradas pelos clubes que compunham a elite do futebol nacional no período. Os dados ajudam a dimensionar o peso do setor nas contas das principais equipes do país e explicam a mobilização imediata dos dirigentes.

A discussão ocorre paralelamente a outras pautas da agenda esportiva federal, como a sanção recente de diretrizes voltadas para o desenvolvimento e o incentivo ao futebol feminino no Brasil. A regulamentação e os impactos econômicos seguem no centro das negociações entre os dirigentes esportivos e o governo federal.

Lula critica influência das bets

Ao sancionar o projeto voltado para o futebol feminino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a dependência financeira das casas de apostas online e minimizou o efeito da proibição sobre o esporte. O chefe do Executivo argumentou que o futebol nacional construiu sua história de glórias e conquistas internacionais sem contar com recursos desse mercado.

Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol, afirmou o presidente durante cerimônia oficial em Brasília, ao citar títulos mundiais conquistados pela seleção brasileira e por clubes ao longo das últimas décadas.

Lula mencionou campanhas históricas da seleção principal em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, além de títulos interclubes conquistados por equipes como Flamengo, São Paulo, Corinthians, Grêmio e Santos, pontuando que o esporte mantinha relevância global em patamares elevados antes da proliferação das plataformas de apostas.

Próximos passos e negociações

Com a agenda oficial marcada no Ministério do Esporte, a expectativa dos dirigentes é obter esclarecimentos definitivos sobre o alcance da Medida Provisória e negociar eventuais frentes de apoio institucional. A presença da CBF como mediadora oficial busca dar unidade às demandas apresentadas pelas equipes das quatro divisões.

As conversas devem detalhar os prazos para adequação às novas regras de publicidade e operação digital, além de avaliar os reflexos na cadeia de receitas do esporte. A atuação coordenada entre federação estadual e clubes paulistas servirá de modelo para tratativas com outras ligas e entidades regionais.

Os próximos dias definirão o tom da relação entre o governo e as instituições esportivas, que tentam equilibrar a conformidade com as novas diretrizes legais e a sustentabilidade financeira dos campeonatos em andamento.

WhatsAppFacebook
Share This Article