Centenas de milhares de fiéis lotaram a região central de Paris neste sábado (26) para acompanhar a missa campal celebrada pelo papa Leão XIV. Autoridades locais e o Vaticano estimaram que cerca de 800 mil pessoas acompanharam o principal evento do segundo dia da viagem apostólica do pontífice à França.
A celebração ocorreu ao longo da famosa Avenida dos Champs-Élysées, estendendo-se da Praça da Concórdia até o Arco do Triunfo. Antes de iniciar o ritual, o papa percorreu o trajeto em um papamóvel aberto, parando para abençoar crianças, bebês e pessoas com deficiência sob forte esquema de segurança.
Missa histórica em Paris
A multidão se reuniu desde as primeiras horas da manhã para garantir espaço ao longo da via arborizada de aproximadamente dois quilômetros. Gritos de boas-vindas ecoaram enquanto o pontífice acenava para os presentes que empunhavam bandeiras do Vaticano.
Entre as autoridades e figuras públicas presentes na celebração estavam Brigitte Macron, esposa do presidente francês; a líder política Marine Le Pen; o primeiro-ministro Sébastien Lecornu; e o empresário Bernard Arnault, presidente do grupo LVMH.
Durante o sermão, Leão XIV direcionou críticas ao estilo de vida moderno e pediu que os católicos buscassem a espiritualidade. “Somente Deus pode preencher o vazio dentro de nós”, afirmou o papa aos fiéis reunidos na capital francesa.
Alertas contra o materialismo
A visita papal ocorre em um momento de debates sobre os rumos da sociedade europeia e os reflexos do secularismo. Antes da missa em Paris, o pontífice cumpriu uma agenda intensa que incluiu passagens por instituições de ensino e centros de apoio a migrantes.
Em discursos recentes na capital francesa, Leão XIV também criticou a direção da liderança global e reiterou restrições ao avanço desregulado da inteligência artificial. O chefe da Igreja Católica alertou que o uso intensivo de tecnologias pode gerar cenários de controle automatizado na Terra.
Os posicionamentos do papa buscam dialogar com os desafios contemporâneos, abordando temas sensíveis que vão desde a crise de organizações multilaterais até a necessidade de preservar a dignidade humana em meio ao avanço tecnológico.
Não devemos ceder ao caminho mais fácil nem às distrações.”
Benoit Dedieu-Anglade, fiel presente na missa
Cenário da Igreja local
A viagem apostólica ocorre em um país de forte tradição secular, regulado por leis de separação entre Estado e Igreja desde 1905. A filiação ao catolicismo na França tem registrado quedas expressivas nas últimas décadas, refletindo tendências de secularização em solo europeu.
Apesar da retração histórica, a Conferência Episcopal Francesa aponta indicadores recentes de interesse religioso, incluindo recordes em batismos de adultos. No entanto, o próprio papa adotou tom cauteloso durante encontros com católicos recém-batizados na Universidade Católica de Paris.
O pontífice pediu prudência e exortou a comunidade local a proteger a fé incipiente, evitando otimismo excessivo diante dos números recentes. A programação oficial da viagem do papa Leão XIV pela França prossegue nos próximos dias com passagens por Lourdes e Metz.
Próximos passos da visita
A jornada do pontífice mobiliza esquemas rigorosos de segurança e atrai atenção internacional para os debates promovidos pela Santa Sé. A visita de quatro dias busca consolidar mensagens de esperança e diálogo com diferentes setores da sociedade francesa.
Encontros com autoridades políticas, líderes religiosos e representantes de organizações sociais compõem o roteiro até o encerramento das atividades apostólicas. A repercussão dos discursos e a mobilização de fiéis continuam no centro das atenções da imprensa internacional.
O desdobramento das agendas em Lourdes e Metz marcará o encerramento da viagem oficial do papa Leão XIV à Europa Ocidental, consolidando o itinerário previsto para esta fase do pontificado.


