Jantar de Lula com empresários lota em SP e bets dominam debate

Mais de 500 executivos confirmaram presença; restrições às apostas tiveram boa recepção em parte do setor produtivo, mas também geraram críticas

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
Jantar com Lula reúne empresários, banqueiros e autoridades —Divulgação/Esfera Brasil
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O jantar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com empresários em São Paulo reuniu mais de 500 executivos e representantes de grandes companhias nesta sexta-feira (25), depois de uma procura que superou a capacidade inicialmente prevista pelos organizadores. O encontro ocorreu no Tivoli Mofarrej e teve como foco economia, investimentos e o ambiente de negócios.

Entre os assuntos que dominaram as conversas esteve a medida do governo contra as apostas online. Segundo relatos de participantes reproduzidos pelo Valor e manifestações de entidades empresariais, a iniciativa teve boa recepção em setores como varejo e construção, que relacionam a expansão das bets ao endividamento e à perda de renda disponível das famílias.

Encontro superou previsão inicial

O evento havia sido pensado inicialmente para um público bem menor. Reportagens publicadas antes do jantar apontavam previsões que variavam de cerca de 100 a 200 convidados, mas a lista cresceu rapidamente até superar 500 confirmações.

A demanda foi suficiente para levar os organizadores a transferirem o encontro para um espaço maior. O formato também foi alterado, com os convidados dispostos em fileiras em vez de mesas, segundo informações divulgadas antes do evento.

O jantar foi organizado pelo Esfera Brasil, pelo grupo Prerrogativas e pelo Parlatório. Entre os presentes estavam empresários e executivos de setores como construção civil, varejo, finanças e indústria, além de integrantes do governo.

O encontro integra uma série de reuniões promovidas pelo Esfera com candidatos à Presidência em 2026. Outros presidenciáveis também foram convidados para eventos semelhantes, em um formato voltado à apresentação e discussão de propostas econômicas.

Bets dominaram parte do debate

Horas antes do jantar, o governo anunciou uma ofensiva contra as apostas online. O pacote prevê a proibição de cassinos online e casas de apostas esportivas, além do envio de um projeto de lei para endurecer regras contra operações ilegais.

A decisão encontrou apoio entre representantes de segmentos que vinham apontando os efeitos das apostas sobre o consumo das famílias. Entidades de varejo e construção disseram ver potencial para reduzir inadimplência e recuperar parte da renda desviada para jogos.

Essa avaliação não foi unânime. Algumas associações criticaram o momento escolhido pelo governo para anunciar as medidas, a poucos dias do primeiro turno da eleição, e classificaram a decisão como tardia ou influenciada pelo calendário eleitoral.

O setor de apostas, por sua vez, vinha alertando para os impactos sobre publicidade, patrocínios esportivos e contratos firmados com empresas autorizadas. O Ministério da Fazenda mantinha, até então, uma lista de operadoras autorizadas a explorar apostas de quota fixa em âmbito nacional.

Empresários cobraram previsibilidade

Além das bets, o encontro foi preparado para tratar de juros, dívida pública, contas do governo, segurança jurídica e previsibilidade para investimentos. Interlocutores do Planalto indicaram antes do jantar que Lula buscaria reforçar a mensagem de estabilidade e ausência de mudanças inesperadas na política econômica.

Também estavam previstas participações de dirigentes de bancos públicos e instituições de desenvolvimento. O desenho inicial incluía falas de representantes do BNDES, Banco do Brasil e Caixa, instituições com papel relevante no crédito e no financiamento de projetos.

A elevada procura pelo jantar foi interpretada pelos organizadores como sinal de interesse do setor privado em ouvir diretamente o presidente. Isso não significa apoio uniforme ao governo: entre os participantes havia posições diferentes sobre política fiscal, juros, regulação e o próprio veto às bets.

Medida ainda terá desdobramentos

A medida provisória anunciada pelo governo passa a produzir efeitos após sua publicação, mas precisa ser analisada pelo Congresso para se converter definitivamente em lei. O projeto de lei contra o mercado ilegal seguirá tramitação própria na Câmara e no Senado.

A mudança também deve gerar disputas jurídicas e negociações envolvendo empresas que obtiveram autorização para operar no país. Desde 2025, a exploração nacional de apostas de quota fixa vinha sendo feita sob um regime regulado pelo Ministério da Fazenda.

Clubes de futebol e empresas de mídia estão entre os segmentos potencialmente afetados por uma redução do mercado de apostas, especialmente por causa de contratos de patrocínio e publicidade. O governo vinha discutindo medidas de transição e alternativas para setores expostos à mudança.

O jantar ocorreu, portanto, em um momento de forte sobreposição entre agenda econômica e disputa eleitoral. A recepção favorável de parte dos empresários às restrições às bets conviveu com questionamentos sobre timing, segurança jurídica e os efeitos da mudança sobre contratos em vigor.

WhatsAppFacebook
Share This Article