O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, concedeu aval para que a Ucrânia fabrique mísseis Patriot em seu próprio território. A revelação foi feita pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta sexta-feira (25), após rodadas de conversas diplomáticas.
Com a licença para produzir os interceptores de alta tecnologia, Kiev busca ganhar autonomia para conter os bombardeios russos que atingem centros urbanos. A medida representa uma mudança significativa no apoio militar estratégico ao país em guerra.
Ucrânia fecha acordo local
Durante a última reunião bilateral, realizada à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York, o líder norte-americano confirmou a decisão final sobre o tema. Com a medida, a Ucrânia receberá a licença necessária para produzir os interceptores de alta tecnologia por conta própria.
A possibilidade de fabricação local dos sistemas de defesa era aguardada há meses por Kiev, que busca conter os ataques de mísseis balísticos disparados pelas forças russas. Em julho, durante a cúpula da OTAN na Turquia, a hipótese havia sido sugerida, mas o andamento sofreu variações nas semanas seguintes.
O sistema Patriot é considerado um dos recursos mais avançados de proteção aérea, com capacidade para rastrear e destruir alvos complexos. A autonomia na produção representa um passo estratégico para o país em guerra.
Washington propõe conversas trilaterais
Além da questão militar, Zelensky revelou que Washington apresentou uma proposta para realizar negociações entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos. Os Emirados Árabes Unidos foram sugeridos como o país sede para o encontro.
Durante nosso último encontro, o presidente Trump enfatizou que, sim, tomei a decisão final: a Ucrânia receberá uma licença para fabricar mísseis Patriot.”
Volodymyr Zelensky
Apesar da iniciativa diplomática americana, ainda não há uma data fixada no calendário para a abertura das tratativas. O governo ucraniano informou que consultará aliados europeus antes de avançar nos detalhes operacionais da proposta.
Até o momento, Moscou não oficializou nenhum compromisso definitivo com a formatação trilateral sugerida, limitando-se a indicar que conversas poderão ocorrer em algum momento futuro.
Ataques atingem a capital
O anúncio sobre a defesa antiaérea ocorre em um momento de ofensivas intensificadas contra centros urbanos ucranianos. Kiev tem enfrentado rajadas quase contínuas de ataques aéreos nas últimas semanas.
Somente na sexta-feira, uma série de investidas com drones na capital resultou na morte de cinco civis, incluindo um adolescente. Outras 27 pessoas ficaram feridas nos bombardeios diurnos, conforme dados divulgados pela administração municipal.
Diante desse cenário de destruição, autoridades locais reforçam a urgência na chegada de equipamentos de interceptação para proteger a população civil e a infraestrutura estratégica.
Zelensky critica postura russa
Durante os encontros em Nova York, o chefe de Estado ucraniano também criticou duramente a postura da Rússia e o impacto global do conflito. Ele classificou o presidente russo Vladimir Putin como o principal vetor de instabilidade internacional.
Para o governo de Kiev, a tolerância geopolítica com as ações de Moscou torna o restante do mundo vulnerável a novas escaladas de violência. A cobrança por sanções e apoio militar permanece como eixo central da diplomacia ucraniana.
Enquanto os debates políticos e as conversas trilaterais são avaliadas pelos mediadores internacionais, o país segue mobilizado para absorver a tecnologia de defesa e conter os danos dos ataques diários.


