O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) declarou nesta sexta-feira (25) que sua viagem de jatinho realizada em janeiro de 2025, dos Estados Unidos para o Brasil, não teve qualquer ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O avião particular utilizado no trajeto é administrado por uma empresa ligada ao empresário e ex-proprietário do Banco Master.
Em conversa com jornalistas no Rio de Janeiro, o parlamentar afirmou que o deslocamento ocorreu a convite do advogado e empresário Willer Tomaz, apontado por ele como um dos proprietários da aeronave. Flávio viajou acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, partindo de Fort Lauderdale com destino a Brasília.
Senador nega vínculo político
O parlamentar rechaçou especulações sobre a aeronave utilizada no trajeto internacional e defendeu o colega de copropriedade. Segundo o candidato, possuir cotas compartilhadas em um jato não significa que todos os sócios compartilhem de responsabilidades em investigações paralelas conduzidas pelos órgãos fiscalizadores.
Flávio Bolsonaro ainda criticou os órgãos de controle e afirmou que instituições federais estariam sofrendo pressões indevidas. Durante a entrevista coletiva, o senador classificou o advogado Willer Tomaz como um profissional respeitado e alvo de perseguição política por parte de autoridades.
A viagem em questão havia sido revelada por uma reportagem dias antes, o que motivou os esclarecimentos públicos do candidato na capital fluminense. A aeronave modelo Legacy 650 possui regime de propriedade compartilhada entre diferentes empresários e investidores do mercado financeiro.
Composição societária explicada
Dados de relatórios da Polícia Federal apontam que a fração de um terço da aeronave é vinculada à Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios. A estrutura societária do jato executivo divide-se formalmente entre a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. e seus cotistas.
É importante falar que a questão de eu ter viajado no avião do Willer, a convite dele, e estava junto à minha esposa, às minhas filhas, não tem absolutamente nada a ver com o Vorcaro.”
Flávio Bolsonaro
Willer Tomaz detém sua parte na aeronave por meio da empresa Alcazar Holdings, enquanto outro terço pertence ao fundador da TOTVS, Laércio Cosentino. A cota restante passou a ser relacionada a Vorcaro após negociações que envolveram ex-proprietários da petroquímica Unigel.
O próprio Willer Tomaz já havia se manifestado publicamente para esclarecer que a inclusão de novos parceiros no regime de cotas ocorreu sem o consentimento direto de todos os coproprietários originais. A discussão sobre a propriedade do jato ganhou força nos bastidores políticos e jurídicos do país.
Investigações da Polícia Federal
As apurações em torno do patrimônio dos envolvidos também esbarram em investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União. Willer Tomaz foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito de operações que apuram fraudes em benefícios administrados pelo INSS.
As autoridades federais investigam supostos esquemas de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões de segurados. O nome do advogado surgiu nas apurações a partir de suspeitas de ocultação de recursos e lavagem de dinheiro ligados a outros parlamentares.
A defesa de Willer Tomaz negou veementemente qualquer envolvimento com irregularidades previdenciárias. Em notas divulgadas anteriormente aos veículos de imprensa, a assessoria jurídica do empresário destacou que ele não figura formalmente como investigado nos procedimentos conduzidos pela corporação.
Repercussão no cenário político
O episódio ilustra a sensibilidade das conexões entre figuras políticas de destaque e empresários alvos de investigações de grande repercussão financeira. A divulgação de registros de voo executivo costuma movimentar os bastidores de Brasília e acirrar o debate político visando ao pleito presidencial.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que explicações tempestivas ajudam a conter crises de imagem durante períodos pré-eleitorais. A proximidade entre aliados políticos e operadores financeiros segue sob escrutínio de órgãos fiscalizadores e da opinião pública.
Novos desdobramentos sobre a malha societária da aeronave e os contratos de administração de voos devem continuar no radar das autoridades competentes. A defesa dos citados reiterou que todas as movimentações patrimoniais encontram-se devidamente declaradas às autoridades fiscais.


