O programa Desenrola Fies encerrou sua etapa de adesão com a marca de 138.664 contratos renegociados em todo o território nacional, movimentando um volume de R$ 7,39 bilhões em débitos do Fundo de Financiamento Estudantil. O balanço oficial foi divulgado pelo Ministério da Educação com base em consolidações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, além de registros repassados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.
As operações firmadas até o fechamento do prazo geraram um montante de R$ 338,6 milhões referentes apenas aos pagamentos de entrada realizados pelos mutuários. Com a aplicação progressiva dos descontos previstos nas regras do programa, o saldo devedor consolidado despencou para R$ 1,54 bilhão, o que representa uma redução líquida de aproximadamente R$ 5,85 bilhões no passivo dos estudantes.
Modalidades e descontos aplicados
A modalidade com maior número de acordos firmados foi a destinada a contratos com mais de 360 dias de inadimplência e desconto de 77%, que somou 92.828 renegociações e envolveu R$ 5,19 bilhões em dívidas originais. Após a aplicação dos abatimentos previstos, o saldo devedor dessa categoria específica caiu para R$ 1,19 bilhão.
Outro destaque do balanço divulgado pelo governo federal foi o atendimento aos estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, o CadÚnico. Nessa vertente voltada a públicos de maior vulnerabilidade socioeconômica, os descontos alcançaram patamares diferenciados para aliviar o orçamento das famílias.
As operações voltadas a inscritos no CadÚnico com desconto de 92% registraram 28.209 acordos e R$ 1,58 bilhão em débitos renegociados, com saldo posterior de R$ 126,2 milhões. Já a faixa com abatimento de 99%, destinada a contratos em atraso há mais de cinco anos dentro do mesmo cadastro social, contabilizou 7.398 renegociações e volume de R$ 394,6 milhões, reduzindo o saldo remanescente para cerca de R$ 3,9 milhões.
Prazo e canais de atendimento
O período oficial de adesão ao programa Desenrola Fies começou no dia 13 de maio e foi encerrado em 31 de agosto, abrangendo exclusivamente contratos firmados até o final de 2017 que já se encontravam na fase de amortização na data de corte estabelecida pela regulamentação.
Os estudantes interessados puderam formalizar a regularização dos débitos por meio de aplicativos e plataformas digitais disponibilizados pelas instituições financeiras operadoras, ou de maneira presencial nas agências bancárias autorizadas.
Os acordos resultaram em R$ 338,6 milhões em pagamentos de entrada e uma redução expressiva no saldo devedor acumulado.”
Ministério da Educação
A capilaridade do atendimento envolveu diretamente o suporte operacional das redes bancárias oficiais, permitindo que mutuários de diferentes regiões brasileiras conseguissem renegociar pendências históricas acumuladas ao longo dos anos de financiamento educacional.
Outras faixas de renegociação
O balanço consolidado pelo Ministério da Educação também abrangeu categorias voltadas a prazos menores de atraso e estudantes adimplentes que buscaram melhores condições de quitação antecipada. A modalidade destinada a contratos com mais de 90 dias de atraso, que oferece parcelamento sem desconto sobre o saldo principal, registrou 4.233 acordos firmados e R$ 175,1 milhões em dívidas, resultando em um saldo posterior de R$ 171,2 milhões.
Adicionalmente, um grupo de 5.996 contratos foi renegociado por estudantes que mantinham a adimplência em dia ou acumulavam atrasos inferiores a 90 dias, usufruindo de um desconto de 12% para pagamento à vista. Esse segmento movimentou R$ 52,5 milhões em débitos, que foram reduzidos para R$ 46,3 milhões após a liquidação.
As informações oficiais detalham que todo o processo de consolidação dos dados reflete a posição contabilizada até 17 de setembro, reunindo os números finais reportados pelo FNDE em conjunto com os balanços operacionais repassados pelas instituições financeiras parceiras.
Governo avalia impactos financeiros
A expressiva redução de R$ 5,85 bilhões no passivo global dos estudantes representa um alívio estrutural importante para o Fundo de Financiamento Estudantil, atenuando os índices de inadimplência histórica que pressionavam o sistema de crédito educacional no país.
Com a regularização de mais de 138 mil contratos, milhares de mutuários recuperam a adimplência financeira e limpam seus nomes em cadastros restritivos de crédito, ampliando as possibilidades de reinserção econômica no mercado de trabalho e na sociedade.
O sucesso da edição reforça a relevância de políticas públicas direcionadas à reestruturação de passivos sociais, combinando abatimentos proporcionais ao tempo de atraso e à condição socioeconômica dos beneficiários para garantir a efetividade dos acordos.


