Dona Déa Lúcia afirmou ter visto o filho, Paulo Gustavo, em três ocasiões depois da morte do humorista, ocorrida em maio de 2021. O novo relato reforça uma dimensão que ela já havia abordado publicamente em outras entrevistas: a crença em uma continuidade da vida e a maneira como a espiritualidade passou a integrar sua convivência com a saudade.
A mãe do ator tem tratado o luto de forma aberta desde a perda do filho, aos 42 anos, por complicações da Covid-19. Em manifestações anteriores, Déa já havia dito que Paulo Gustavo era sensitivo e que demonstrava medo da morte, além de afirmar que ele dizia acreditar que morreria cedo.
Déa relata três encontros
Segundo o novo relato, Dona Déa disse ter visto Paulo Gustavo em três momentos após a morte dele. A declaração é apresentada por ela dentro de sua experiência pessoal e espiritual, sem transformar o episódio em uma constatação objetiva sobre o que acontece depois da morte.
A revelação chama atenção porque se conecta a falas anteriores da artista sobre a forma como compreende a perda. Ela já havia explicado que considera a morte uma realidade inevitável, mas que acredita na existência de uma continuidade.
“Eu entendo que a morte é real, não tem jeito, mas existe uma continuação.”
Dona Déa
A declaração ajuda a situar o sentido do relato mais recente. Para Déa, a lembrança do filho não aparece apenas como memória artística ou familiar, mas também como parte de uma visão espiritual que ela já havia tornado pública.
Espiritualidade já aparecia antes
Em março de 2025, Dona Déa contou que Paulo Gustavo tinha forte ligação com o que ela chamou de mundo espiritual. Segundo ela, o humorista era sensitivo, tinha medo de ficar sozinho e falava repetidamente sobre a possibilidade de morrer cedo.
Na mesma entrevista, a mãe do ator relatou que Paulo dizia temer as consequências da Covid-19 caso fosse infectado. A fala ganhou um peso particular porque o artista morreu depois de uma longa internação causada por complicações da doença.
A nova declaração sobre ter visto o filho depois da morte se soma, portanto, a uma sequência de falas públicas em que Dona Déa associa o luto à fé, à espiritualidade e à ideia de continuidade.
Ela também costuma diferenciar essa crença do sofrimento cotidiano. Em diferentes ocasiões, deixou claro que sentir saudade e manter uma visão espiritual sobre a morte são experiências que convivem ao mesmo tempo.
Musical mantém memória viva
Em 2026, essa relação com a memória do filho ganhou uma nova dimensão com o espetáculo “Meu Filho é um Musical”. A produção acompanha a trajetória de Paulo Gustavo e revisita momentos da vida pessoal e profissional do humorista.
Dona Déa participa do projeto e já contou que a montagem mexe profundamente com suas emoções. Mesmo assim, afirmou que decidiu seguir envolvida por entender que a homenagem preserva a relação do filho com a arte e transforma a perda em uma forma de continuidade pública.
“Eu tenho que agradecer a Deus pelo tempo que ele ficou comigo.”
Dona Déa
O musical também reforça o lugar de Paulo Gustavo na cultura popular brasileira. O humorista ficou conhecido nacionalmente por personagens como Dona Hermínia, inspirada diretamente em Déa, e transformou essa relação familiar em um dos maiores fenômenos de público de sua carreira.
Cena da despedida ainda dói
Apesar de participar da homenagem, Dona Déa já contou que evita assistir ao trecho do musical que retrata a morte do filho. Em agosto, durante participação no “Mais Você”, ela disse que nunca viu a cena final.
A decisão também apareceu quando os netos Romeu e Gael, filhos de Paulo Gustavo e Thales Bretas, foram assistir ao espetáculo. Segundo Déa, os meninos chegaram a demonstrar vontade de acompanhar a parte da despedida, mas foram poupados daquele momento.
A postura revela um limite que ela própria reconhece dentro da forma como lida com o luto. Celebrar a trajetória, cantar, contar histórias e falar sobre o filho fazem parte da homenagem, enquanto a representação direta da morte ainda é uma passagem que ela prefere não reviver.
Essa diferença ajuda a entender como o relato espiritual e a memória artística coexistem. A crença na continuidade não elimina a dor provocada pela ausência nem torna mais simples a reconstrução de momentos ligados à morte.
Paulo Gustavo morreu em 2021
Paulo Gustavo morreu em 4 de maio de 2021, aos 42 anos, após complicações da Covid-19. O ator estava internado havia semanas e sua condição mobilizou fãs, amigos e artistas em todo o país.
Ele deixou o marido, o dermatologista Thales Bretas, e os filhos Romeu e Gael. A mãe, a irmã Juliana Amaral e outros familiares passaram a manter diversas iniciativas ligadas à preservação de sua memória e de sua obra.
Antes da morte, Paulo Gustavo havia se consolidado como um dos principais nomes do humor brasileiro. A franquia “Minha Mãe É uma Peça”, criada a partir da personagem Dona Hermínia, ampliou o sucesso do teatro para o cinema e levou milhões de espectadores às salas.
A ligação com Dona Déa sempre esteve no centro dessa trajetória. O humorista transformou situações familiares em material cômico, enquanto a mãe passou a ser reconhecida nacionalmente como a principal inspiração para uma de suas personagens mais populares.
Luto virou também homenagem
Desde 2021, Dona Déa passou a falar publicamente sobre a perda em programas de televisão, entrevistas e apresentações. A maneira direta como aborda a saudade tornou o luto parte de sua presença pública, mas sem reduzir sua imagem apenas à morte do filho.
Ela também se tornou presença frequente no “Domingão com Huck”, onde mistura humor, comentários e momentos de emoção. Em setembro deste ano, voltou a se emocionar ao falar sobre a dor de perder um filho durante uma história exibida no programa.
Ao dizer agora que viu Paulo Gustavo em três ocasiões depois da morte, Dona Déa acrescenta um novo capítulo a esse conjunto de relatos pessoais. A afirmação deve ser entendida como experiência narrada por ela e ligada à própria crença, não como comprovação independente de um fenômeno espiritual.
A memória do humorista, enquanto isso, segue sendo renovada por homenagens, reprises, filmes e pelo musical criado em torno de sua trajetória. Para Dona Déa, a lembrança permanece ligada tanto à arte quanto à fé que ela diz usar para seguir convivendo com a ausência.


